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Chuva: prevenir para não alagar

Com a chegada do verão, a atenção deve ser redobrada para evitar enchentes e inundações

A Águas de Niterói, responsável pelo saneamento básico da cidade, também alerta sobre a importância da conscientização popular

Foto: Divulgação / Águas de Niterói

O verão é a estação mais aguardada do ano. Porém, junto à chegada do Sol e do calor, neste período, também ocorrem as típicas chuvas de verão. Nas grandes cidades, a atenção deve ser redobrada porque a incidência dos temporais provoca as grandes enchentes e inundações. No Brasil, a interferência humana ainda é um dos principais fatores que geram esses danos sociais, através da poluição. Para frear os impactos causados pelas chuvas em Niterói, o poder público vem intensificando as ações de limpeza dos rios, canais, caixas de passagem e bocas de lobo. A Concessionária Águas de Niterói, responsável pelo saneamento básico da cidade, também alerta sobre a importância da conscientização popular, a fim de garantir que o descarte inadequado de lixo não obstrua a rede de esgoto.

Para antecipar a mobilização de recursos e ações preventivas em caso de chuvas intensas, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) opera o Sistema de Alerta de Cheias que emite avisos às Defesas Civis Municipais quanto a iminência de temporais e o comportamento do nível dos rios monitorados. Esse sistema, além de monitorar 113 estações hidrometeorológicas e dois radares meteorológicos, conta com mais 25 estações conveniadas em todo o Estado, inclusive em Niterói.

Conforme dados da última Pesquisa de Informações Básicas Municipais (MUNIC) divulgada, em 2014, pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), cerca de 2.670 cidades não realizavam nenhuma ação de gestão de riscos e desastres, o que representa 48% dos municípios. De acordo com a engenheira ambiental Marina Miranda, as mudanças climáticas globais associadas à falta de planejamento urbano voltado para a prevenção de catástrofes naturais são fatores que acarretam os frequentes históricos de alagamentos no país.

“Até quatro anos atrás, apenas metade das cidades brasileiras possuía um Plano Diretor, com normas para regularizar a ocupação do solo urbano. Isso prova que é preciso avançar em muitos sentidos para mudar os índices periódicos de enchentes e enxurradas, entre os meses de janeiro a março. É imprescindível que os municípios implementem políticas de prevenção, por meio do mapeamento das áreas de risco, sistema de alerta, mecanismo de controle e fiscalização para evitar ocupações irregulares, plano de contingência e outras medidas”, explicou a especialista, acrescentando que “as ações de limpeza são fundamentais para garantir o escoamento eficaz da água. Entretanto, paralelo a tais práticas, o poder público deve promover incessantes campanhas a fim de conscientizar a população de que o planejamento só obtém resultado positivo quando integra a disposição da sociedade e do governo. Caso contrário, continuaremos vivenciando cenas de inundações a cada chuva de verão”, alertou. 

Ao longo do ano, a Prefeitura de Niterói, através da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), realiza o trabalho de prevenção de alagamentos em períodos noturnos e diurnos. O setor atua promovendo operações de limpeza com serviços manuais e auxílio do caminhão Vac-All, para despoluição das caixas-ralo e desobstrução das redes de galerias. Nos últimos meses, ações foram realizadas no Rio Jacaré, Rio da Vala e Rio João Mendes, todos localizados na Região Oceânica. Em outros pontos da cidade, operações de limpeza também foram executadas no Rio Maruí, na Engenhoca, no Canal da Rua Teixeira de Freitas, no Fonseca, no Canal Ary Parreiras, em Icaraí, e no Canal de São Francisco.

O acúmulo de resíduo doméstico despejado de forma irregular é uma das ações que favorecem a ocorrência de inundações. O descarte de lixo em áreas impróprias provoca entupimentos de bueiros, impede o escoamento e agrava a concentração da água nas vias de forma rápida. Segundo a Águas de Niterói, uma das principais causas de extravasamentos atendidas pela concessionária neste período está relacionada ao lançamento de lixo nas águas pluviais. O superintendente da empresa, Nelson Gomes, explica que simples ações praticadas diariamente pelos cidadãos podem reduzir o risco de entupimento da rede de esgoto.

“Uma mudança de comportamento das pessoas, como não jogar lixo no vaso sanitário e nem óleo de cozinha na pia, ajuda a manter o bom funcionamento da rede coletora de esgoto e evita que esses rejeitos retornem para as casas. Outra forma preventiva é verificar se as instalações internas do imóvel estão corretas, ou seja, a água da chuva do quintal e do telhado deve ser direcionada para a galeria de águas pluviais”, esclarece o profissional, ressaltando que “A rede de esgoto é dimensionada apenas para suportar o efluente proveniente do vaso sanitário, pias, tanques e chuveiro”, frisou.

Ainda de acordo com a distribuidora, os estabelecimentos comerciais também têm um papel social muito importante. Os proprietários dos bares, restaurantes e lanchonetes devem estar atentos à destinação correta do óleo, providenciando uma caixa de gordura para que a limpeza seja realizada periodicamente. 

 
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