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Mama: atenção permanente

Depois do câncer de pele, é o tipo de tumor que mais atinge mulheres no Brasil e um dos mais letais

Além do autoexame, a mulher deve procurar fazer mamografia anualmente, a partir dos 40 anos

Divulgação

O surgimento de 59,7 mil casos de câncer de mama é estimado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) para este ano. Depois do câncer de pele, esse é o tipo da doença que mais atinge mulheres no Brasil, correspondendo a aproximadamente 29% dos casos novos a cada ano. Mesmo com o avanço e o uso de tecnologias na detecção precoce e tratamento, esse tipo de tumor é uma das causas de morte mais comuns.

De acordo com o Inca, o câncer de mama também pode atingir os homens, mas é raro, representando só 1% dos casos. O Atlas de Mortalidade por Câncer revelou que em 2015 houve 15.593 mortes em decorrência da doença, sendo 15.403 mulheres e 187 homens. Pelo menos de 50% a 60% dos casos chegam com tumores acima de dois centímetros, o que não colabora para a cura da doença e a redução da mortalidade. 

O mastologista Rodrigo Souto, da Sociedade Brasileira de Mastologia, diz que a mamografia continua sendo a melhor forma de reverter o câncer.

“A mamografia ainda é o exame ideal a partir dos 40 anos, que deve ser realizada anualmente. O próprio exame diminui as chances de descobrir a doença em estágio avançando, evitando assim as taxas de mortalidade, pois quanto mais precoce é mais fácil de tratar”, alerta o mastologista.  

Para Daniel Gimenes, a obesidade aumenta as chances de câncer na mulher

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A doença é causada pela multiplicação desordenada de células da mama e, com essa multiplicação, surge o tumor. Existem vários tipos da doença, que podem evoluir de forma diferente, com desenvolvimento mais lento em uns, e mais rápido em outros. Além da mamografia, outros exames podem identificar um tumor, como o ultrassom e a ressonância magnética. 

Ainda não há respostas concretas sobre o fato de o câncer de mama atingir tantas mulheres, mas alguns fatores aumentam a probabilidade de seu surgimento, principalmente a idade. O Inca aponta que cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.  

“A ausência de gravidez, ou que a sua ocorrência seja somente depois de 30 anos de idade, o uso de hormônios femininos, obesidade, etc. Tudo isso aumenta os riscos”, cita Rodrigo Souto.  

O consumo de bebida alcoólica, primeira menstruação antes dos 12 anos e histórico familiar de câncer de mama depois dos 50, de câncer de mama em homens e de ovário podem aumentar as chances de surgimento da doença.

Um dos sinais é um nódulo fixo e indolor, que está presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. 

Dependendo do estágio em que a doença for descoberta e do tipo de tumor, o tratamento pode incluir cirurgias, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica. Se o câncer já tiver metástases, quando se espalha por outros órgãos, o tratamento é feito para melhorar a qualidade de vida do paciente.  

Mesmo com o sucesso do tratamento e a cura da doença, é preciso ficar atento para o risco de reincidência. Essa é, justamente, uma das maiores preocupações de mulheres que já passaram por esse processo.  

“Alguns fatores de risco de reincidência conhecidos são a idade da paciente, o tamanho e a natureza do tumor e a presença de células cancerosas nos gânglios linfáticos. Mas a taxa e as razões da reincidência seguem sendo ‘pouco compreendidas’”, lamenta o mastologista.

Obesidade - Um novo estudo conduzido nos Estados Unidos mostrou que restringir o período de consumo de alimentos para oito horas, entre a população feminina pós-menopausa com sobrepeso, é mais eficaz na prevenção de tumores do que dietas baseadas no controle de calorias. A pesquisa, realizada com ratos obesos, aponta que isso acelera o metabolismo e reduz drasticamente o sobrepeso e a possibilidade de câncer de mama.  

Para o oncologista Daniel Gimenes, do Centro Paulista de Oncologia (CPO), ainda é cedo, contudo, para assegurar a eficácia desse tipo de medida.

“Apesar de ainda tratarmos como uma hipótese, é fato que existem diferentes maneiras pelas quais a obesidade pode aumentar os riscos de câncer em mulheres. Essa nova pesquisa mostra que, assim como outros cientistas já vinham apontado, estabelecer uma janela de tempo reduzida para o consumo de alimentos é efetivo para manter os níveis de insulina do corpo baixos. Quando isso ocorre, as nossas células de gordura começam a queimar seu estoque de açúcar como fonte de energia”, contextualiza. 

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