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Obesidade: 1º passo para diabetes

Aumento de peso é o principal fator de risco para o tipo mais comum da doença, o 2, que responde por 90% dos casos

Olho na balança: manter o peso exige mudança de hábitos alimentares e de vida. Prática de exercícios queima calorias e contribui para o controle da ansiedade

Foto: Douglas Macedo

Manter hábitos alimentares saudáveis e a rotina de exercícios físicos ainda não é realidade para a maioria dos brasileiros. Com a correria do dia a dia, os cuidados com o corpo acabam ficando em segundo plano, e é aí que mora o perigo. Comer na rua virou a saída para quem trabalha ou estuda e não tem muito tempo, o que pode desencadear o aumento do peso. A obesidade é cada vez mais frequente no mundo inteiro, podendo acarretar graves problemas de saúde. Essa é uma das principais causas do diabetes, por exemplo.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é que 300 milhões de pessoas em todo o mundo tenham diabetes até 2025. O Atlas da doença também aponta que 12,5 milhões de adultos e 88 mil crianças brasileiras têm diabetes. De acordo com o médico Daniel Kendler, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a explicação para dados tão alarmantes como esses está no aumento de peso desenfreado.

“O aumento da incidência do diabetes vem a reboque da epidemia de obesidade que o mundo enfrenta. A obesidade é o principal fator de risco para o tipo mais comum de diabetes, o tipo 2, e é responsável por 90% de todos os casos”, alerta Daniel, que ainda explica como acontece essa relação de peso e diabetes.

“A obesidade, principalmente a gordura abdominal, leva o indivíduo a um estado de resistência insulínica. Ou seja, o hormônio que deveria ser o responsável pela diminuição da glicose no sangue não consegue agir de forma adequada”, completa.

Hereditariedade – Outro fator que pode ser determinante para a manifestação do diabetes é o componente hereditário, um histórico familiar da doença. Por isso, para quem se encaixa nesse perfil, é importante adquirir hábitos de vida mais saudáveis, o que pode impedir o surgimento da doença.

“A família é fundamental, pois sem o apoio dela não é possível mudar hábitos – relação mais importante ainda quando falamos em obesidade infantil. Dietas com diversidade de alimentos, principalmente in natura, pouco industrializados, com baixa caloria, pouco sal e rico em fibras são ideais”, sugere o médico.

Foi seguindo essas recomendações que o estudante Arthur Freixo, de 16 anos, conseguiu combater a doença. Aos cinco anos, através de exames de rotina solicitados pela mãe, Luciene Freixo, descobriu-se que, com as taxas anormais de glicose, ele tinha pré-diabetes. Somente com o controle da alimentação, com o acompanhamento de uma nutricionista, e com a prática de esportes, o adolescente conseguiu impedir o desenvolvimento da doença.

Ana Paula Santos, nutricionista

Foto: Douglas Macedo

“Nunca precisei tomar remédio para controlar o diabetes, nem insulina. Só fiz o controle da alimentação e a prática de esportes. Hoje, quando vou a uma festa e como o que eu não estou acostumado a comer, já sinto diferença no corpo. Ou eu não durmo muito bem, ou fico mais ansioso. O corpo me dá um sinal de que alguma coisa está diferente”, conta Arthur.

Para chegar ao resultado do rapaz é preciso uma reeducação de estilo de vida, segundo a nutricionista Ana Paula Santos, que o acompanha há cerca de 10 anos. A disciplina é o principal desafio.

“O Arthur é um exemplo de disciplina e resultado. Quando encontro com ele, vejo essa qualidade. Ele é superativo e emocionalmente centrado. Então, ele está com a química toda do corpo organizada. Alimento é informação e você vai responder de acordo com a informação que você coloca no seu corpo”, compara a nutricionista.

Raízes e alimentos naturais, ricos em fibras, são o segredo para manter uma alimentação aliada à vida saudável. As sementes também são estratégicas, segundo Ana Paula, como a de chia, linhaça, castanha e amêndoas. Colocar no prato proteínas melhores, entre peixe, ovos e carnes mais magras, com menos gordura, ajuda a controlar a glicose. 

Mal que não tem cura: melhor é evitar

É preciso estar atento aos sinais e entender como essa doença crônica age no corpo. Nosso organismo produz um hormônio chamado insulina, que é responsável por controlar a quantidade de glicose, forma de energia obtida através dos alimentos. Quando o diabetes se manifesta, o corpo deixa de produzir a insulina, acumulando glicose.

Existem dois tipos de diabetes. No tipo 1, há a destruição autoimune das células produtoras de insulina. Pode ocorrer em várias faixas etárias, mas é mais comum de se manifestar durante a infância e adolescência.

No tipo 2, o pâncreas produz insulina, mas as células musculares e adiposas não conseguem absorvê-la. Segundo o médico Daniel Kendler, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, esse tipo é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, sedentárias e acima do peso, mas pode ocorrer em jovens também.

“O principal tipo de diabetes, o tipo 2, ocorre de forma muito pouco sintomática. Por isso é fundamental fazer com regularidade o exame de glicose plasmática”, recomenda o especialista.

O nível normal de glicose no corpo em jejum é de 70-99 mg/dl. Quando há acúmulo dessa energia, o efeito é chamado de hiperglicemia. Ao contrário disso, quando está abaixo, é considerado hipoglicemia. Os dois podem gerar graves consequências, se não controlados com frequência.

“A hiperglicemia é o próprio diabetes e traz complicações renais, oftalmológicas, cardiológicas e neurológicas. Já a hipoglicemia também é deletéria, podendo levar a complicações neurológicas e cardiológicas”, diferencia Daniel Kendler.

A característica mais negativa do diabetes é a cura: ela não existe. Estudos estão sendo desenvolvidos, mas ainda não se chegou a nenhum resultado que possa eliminar a doença do corpo. Durante toda a vida, o diabético precisa cercar-se de cuidados para controlar seus efeitos. Dieta, atividade física, medicamentos e insulinas devem entrar na rotina de quem é diagnosticado com diabetes.

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