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Questão de querer

A atividade extracurricular deve passar pela vontade da criança

Helena Euler Torres Bandeira e Tito Abbade Duque adoram a oficina Burle Marx, da Aldeia Curumim, onde as crianças pesquisam sobre as plantas e têm aulas de manejo do solo

Fotos: Lucas Benevides
 

Esportes, idiomas, balé, teatro, pintura... Dentro ou fora da escola, a oferta de atividades extracurriculares para as crianças é bastante extensa. Além de ser em uma forma delas aprenderem outros conteúdos, que não fazem parte das disciplinas ensinadas na sala de aula, as atividades extracurriculares também preenchem o tempo dos pequenos nos horários em que os pais não podem estar presentes – principalmente quando fazem parte de uma grade escolar integral. Essas atividades trazem uma série de benefícios aos pequenos, porém, é necessário dosar para que a rotina não fique sobrecarregada. 

“As oficinas extras têm por finalidade levar o aluno a explorar a criatividade e as relações afetivas, trazendo uma abordagem investigativa acerca do conhecimento prévio da criança. Oferecemos para os nossos alunos oficinas de teatro, jogos e raciocínio lógico, aulas de música, aulas de psicomotricidade, aulas de educação física e culinária infantil”, conta a pedagoga responsável pela Creche Le Petit, Aline Rosas, que ressalta a importância de não haver uma sobrecarga, sendo importante que exista uma periodicidade leve e atividades específicas para cada criança.

“As atividades ocorrem uma vez por semana, sendo contemplados os alunos do berçário ao Grupo 3. Adequadas de acordo com as faixas etárias, as atividades contribuem de forma significativa para o desenvolvimento e aprendizagem de nossos alunos, pois, ao elaborarmos essas propostas, realizamos todo um cronograma com o objetivo de agregar os eixos de conhecimento e mapas de conteúdo, atendendo todas as turmas através de horários diferenciados”.  

Segundo Aline, as crianças mostram-se curiosas em realizar as atividades propostas, demonstrando um verdadeiro encantamento em participar e explorar os materiais durante as oficinas. Ela acredita, ainda, que todas as atividades façam muito sucesso entre os discentes, pois todas são elaboradas com muito carinho e ludicidade. 

Quem se diverte com as atividades oferecidas pela Le Petit são as pequenas Maria Fernanda e Letícia Tinoco, ambas de 5 anos. Elas fazem as oficinas de teatro e amam se apresentar diante de toda a turma. 

“As disciplinas extracurriculares estão cada vez mais presentes, principalmente devido ao ensino integral nas escolas. As crianças precisam ficar entretidas e atividades como teatro, balé e capoeira são ótimas opções e só têm a acrescentar no desenvolvimento intelectual e físico da minha filha. Ela passa a se conhecer melhor, ter mais disciplina, atenção e responsabilidade, como, por exemplo, em uma apresentação, onde ela tem que gravar a coreografia e passos. Aliás, ela adora qualquer tipo de atividade que tenha apresentação”, revela a mãe da Maria Fernanda, Fernanda Fanzeres (34). 

Maria Fernanda e Letícia Tinoco fazem as oficinas de teatro da Creche Le Petit e amam se apresentar diante de toda a turma

Lucas Benevides

Os especialistas também são unânimes em afirmar que os cursos só são vantajosos quando a vontade parte da criança e não apenas dos adultos. Quando a escolha é feita pelos pequenos, as atividades permitem o desenvolvimento de diferentes habilidades de acordo com suas características, bem como a cooperação, a socialização, a reflexão, a criatividade, a iniciativa, o desenvolvimento do raciocínio lógico e diversas formas de comunicação e expressão, por exemplo, além de ampliar as aprendizagens já adquiridas. Logo, estas atividades devem ser eletivas e não obrigatórias.  

Priorizando a escolha da criança e oferecendo um aprendizado que vai muito além do tradicional, a Aldeia Curumim, escola de educação infantil, também oferece diversas atividades que ultrapassam o ensino tradicional, como capoeira, natação, culinária, costura, ateliê literário, experimentos científicos e a oficina Burle Marx, que propõe aproximar a criança da natureza, trazendo consciência e, é claro, sabedoria.  

“A oficina é um projeto que comecei a desenvolver a partir de 2009 como parte das comemorações do centenário de nascimento do arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx. Na ocasião, eu trabalhava como professora de artes e, durante algumas aulas, fizemos intervenções paisagísticas em espaços externos da escola, que posteriormente foram batizados de ‘Espaço Burle Marx’. Em 2011, o agrônomo Thiago Michelini Barbosa se juntou a nós e a oficina ampliou suas ações a partir do conhecimento que ele trazia em termos de agricultura em geral. No ano passado, a oficina atingiu sua autonomia e passou a não fazer mais parte das aulas de artes, ganhando seu espaço autônomo. Eu passei a trabalhar exclusivamente com isso”, explica a professora e coordenadora da oficina Burle Marx, Ana Shieck. 

Sendo uma atividade interdisciplinar, as ações possuem carateres de prática colaborativa, que abrangem áreas do saber de forma lúdica, prática e concreta. Nela, as crianças usam matemática no cálculo de espaços, de metragens e quantidades, pesquisam sobre as plantas entendendo as características e estruturas de cada uma através da observação direta, pesquisam em livros sobre botânica. Na parte de linguagem, eles conhecem os nomes populares e científicos das plantas e percebem a importância do manejo responsável da terra, pois observam e participam diretamente do plantio, manutenção e colheita desses vegetais, logo, compreendem os ciclos de cada um. Também conhecem as ferramentas utilizadas no cultivo, respeitando quem maneja nossos alimentos e suas origens.  

Um exemplo das atividades da oficina é o cultivo do feijão, onde eles trabalham desde o plantio, passando pela colheita, separando as vagens, retirando os grãos, chegando até a preparação do alimento. Tito Abbade Duque, de 10 anos, e Helena Euler Torres Bandeira, de 9, adoram a oficina e participam ativamente das atividades.  

Shieck ressalta os benefícios da oficina e das atividades extracurriculares em geral, pelo seu aprendizado prático. 

“Estou gostando muito de desenvolver este projeto porque é nesse tipo de aprendizagem que eu acredito, uma aprendizagem interdisciplinar e significativa que traz alguma coisa concreta para a vida dessa criança”, conclui. 

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