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Surgem novas profissões

Equipamentos de ponta, como a 3 Tesla, formam imagens 3D em tempo real

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Douglas Macedo
 

Cirurgia robótica, inteligência artificial, telemedicina. Conceitos como esses já vêm sendo aplicados na medicina brasileira. Mas, diante de tudo isso, surge a necessidade de readequação dos médicos. Segundo o chefe da Disciplina de Telemedicina, coordenador do Projeto Tecnologias Educacionais Interativas para potencialização da educação em saúde e líder de grupo de pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) em Telemedicina e Telessaúde, Chao Lung Wen, novas funções dentro da medicina vem surgindo, enquanto outras deixarão de existir.

“Surge um repensar do papel do médico na ação de saúde dentro de um mundo conectado. Com o advento das tecnologias, nós temos que formar, de maneira diferente, os futuros médicos para o exercício da medicina conectada. E isso é urgente”, alerta o professor.

Segundo ele, a indução dessas novas tecnologias vai ser acionada por quem já faz o exercício profissional, que precisam aprender o manuseio na prática para sobreviver ao mercado. No entanto, as graduações, que em seu ponto de vista estão defasadas, precisam se atualizar num futuro bem próximo. 

“A partir do ano que vem, a telemedicina vai crescer muito no Brasil, mas na área privada. Nos próximos 12 anos teremos três fases de telemedicina”, prevê Chao. 

Segundo ele, a primeira, que corresponde ao quadriênio até 2022, é a telemedicina eficiente e responsável, já que a qualidade se faz necessária nesse momento inicial. 

A segunda, de 2023 a 2026, é a telemedicina cognitiva, quando será feito o uso da inteligência artificial para fazer a primeira avaliação e evitar filas para o atendimento do paciente. 

A terceira, de 2027 a 2030, será a fase da telemedicina exponencial, para amplificar as estratégias de atuação em saúde, surgindo o conceito de saúde pessoal conectada.  

“Temos uma perspectiva de, em 12 anos, formar novos médicos com novo perfil de atuação, onde nós não estaremos apenas preocupados em tratar doentes, mas em garantir a saúde das pessoas, uma gestão de saúde, de qualidade de vida. Só que hoje a formação médica ainda está muito focada em fisiologia, fisiopatologia e medicamentos. Então temos que formar esse novo perfil”, disse Chao Lung.

Segundo o professor, novas carreiras, como auditores de telemedicina e em inteligência artificial já estão surgindo. 

“A inteligência artificial em medicina pode ser pensada como um medicamento produzido pela indústria farmacêutica. Vai ser produzido e vai ter uma ação. Vão ser feitas todas as avaliações para que ele não gere erros. Só que quando um laboratório lança um medicamento ele não tem conhecimento de todos os efeitos colaterais que pode causar, então ele cria um grupo de farmacovigilância. No futuro surgirá um grupo de médicos especializados em vigilância de sistema de inteligência artificial que ajudam no diagnóstico”, compara Chao. 

 
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