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Tratamentos menos agressivos

Touca térmica minimiza perda de cabelos com a quimioterapia. Já as cirurgias podem preservar mais a mama

Touca de resfriamento ajuda a preservar até 60% dos cabelos durante o tratamento

Divulgação

A tecnologia é uma aliada quando se fala em saúde. Além da busca pela cura e redução das taxas de mortalidade, há a preocupação em proporcionar mais qualidade de vida ao paciente. Essa é uma realidade, e necessidade, para quem sofre com câncer de mama. Novas descobertas estão diminuindo os efeitos colaterais do tratamento e, além de benefícios para o corpo, elevam a autoestima da mulher. 

Ao receber o diagnóstico de câncer de mama, uma das grandes preocupações das mulheres é a queda de cabelo. Algumas chegam a desistir do tratamento para não chegar nessa fase. Mas, um importante equipamento tem revolucionado o tratamento nesse sentido: é a touca térmica. Ela trabalha para combater o efeito colateral de alguns tipos de quimioterapia e minimizar a queda capilar. 

A touca térmica é usada durante e depois do procedimento quimioterápico, causando um resfriamento na cabeça.  O oncologista Gilberto Amorim, da Rede D’Or, trabalha com esse tipo de tecnologia. Segundo ele, há cerca de dois anos, o equipamento não estava disponível e, hoje, já é possível encontrá-lo em grandes clínicas oncológicas, mesmo em cidades de médio porte. 

“A touca tem tido uma demanda frequente. Muitas clínicas oncológicas oferecem um custo bastante acessível, muitas vezes até mais barato do que uma peruca de qualidade. Tem pacientes que têm feito tratamento durante três meses, até um pouco mais, com resultados incríveis, mas não resolve todos os casos. Depende do tipo de quimioterapia que a paciente está fazendo, do tempo do tratamento”, explica o oncologista. 

Oncologista Gilberto Amorim

Divulgação

Quanto mais longo o tratamento, menos chances de preservar o cabelo. Segundo Gilberto, em alguns casos a taxa de sucesso da touca chega a 60% de preservação. Em protocolos mais agressivos, esse número fica entre 15% e 30%. 

“Às vezes tem uma pequena queda, perfeitamente aceitável e ponderável, e a paciente fica com o próprio cabelo. Isso tem um impacto de ordem psicológica e uma qualidade de vida muito positivas”, contextualiza o médico, alertando que ainda é preciso avançar nessa questão, facilitando o acesso à touca gelada. 

O tratamento do câncer de mama também está avançando em outro viés: a retirada do seio. O oncologista afirma que as cirurgias estão cada vez mais conservadoras, preservando a autoestima da mulher, sem afetar o resultado. 

“Hoje a gente não fala apenas no tratamento oncológico radical a qualquer preço. As cirurgias mutiladoras e tratamentos agressivos têm sido repensados. Uma palavra que a gente tem usado bastante é descalonamento, é uma redução de intensidade do tratamento, buscando, no final das contas, qualidade de vida”, pondera. 

Os benefícios das cirurgias menos agressivas vão além da estética e melhora a recuperação na paciente no pós-operatório, já que aumenta as chances de recuperar completamente a função do braço. 

“Quando é necessário fazer uma mastectomia radical, o que se pode fazer é tentar oferecer a cirurgia reparadora imediatamente. Essa é uma vontade, um desejo das pacientes, e um dever das equipes médicas, mas isso nem sempre é possível na rede pública, apesar de uma lei assegurar que a paciente tem o direito dessa cirurgia plástica imediatamente, se estiver em condições clínicas para isso”, lamenta Gilberto. 

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