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‘Prodígio’ luta por sonho na arte suave

Enzo Simões, de apenas 8 anos e com 58 medalhas, quer o Pan Kids

O atleta mirim possui 58 medalhas e é tricampeão Carioca e Estadual, além de vice-campeão brasileiro. O sonho do lutador é conseguir disputar o Pan

Douglas Macedo

Quando falamos em um atleta de jiu-jítsu que já conquistou 58 medalhas, foi vice-campeão brasileiro e campeão Sul-Americano – ambos duas vezes – tricampeão Carioca, Estadual e Rei do Rio, além de campeão invicto no judô e no wrestling, o que será que o leitor imagina? Com tamanha experiência e vivência no esporte e ao contrário do que talvez o imaginário possa ter criado, esse vencedor nato não é um adulto e sim um jovem talento de apenas 8 anos. Trata-se de Enzo Simões, morador de Mata Paca, na região de Pendotiba. 

O fenômeno de Niterói começou a sua caminhada com apenas quatro anos de idade. E para se ter uma ideia do que o menino era capaz, ele venceu o primeiro campeonato que disputou, pela Federação Sport Jiu Jitsu Internacional (SJJSAF). A partir disso, o pai do atleta, Rafael Simões, contou que o garoto passou a competir em competições em Niterói, São Gonçalo e região.

“O primo, que é lutador profissional, foi a inspiração do Enzo. No início ele queria fazer muay thai porque ele queria bater nas pessoas, e eu expliquei a ele que um atleta não pode pensar assim. É preciso ter disciplina, respeito e acima de tudo profissionalismo. Eu passei a estudar sobre diversas lutas e vi que o jiu-jítsu é uma luta em que ele poderia aliar essa disciplina com a técnica. Falei com ele e ele se apaixonou e não parou mais”, explica o pai.

Orgulhoso pelas inúmeras medalhas e troféus, o pequeno Enzo faz questão de mostrar um dos seus maiores orgulhos, que é um cinturão de um campeonato disputado em São Paulo no último ano. A competição não tem o mesmo peso do Sul-Americano, mas a forma como foi vencida pelo atleta mostra o carinho pelo ouro.

Durante treino em um tatame que possui em casa, Enzo mostra seu talento

Douglas Macedo

“Eu luto na categoria 27kg e o meu adversário tinha o dobro do meu peso. Todo mundo achou que eu perderia e fui lá e venci ele”, contou o atleta orgulhoso, que hoje é faixa amarela de jiu-jítsu. Apesar da preferência pelo cinturão, o sonho do menino ainda está por vir. Na verdade ele foi adiado por três vezes e está fora do Brasil. 

“O sonho é de ir ao Pan Kids, realizado na Califórnia (EUA). Já tentamos ir por três vezes, mas tivemos que adiar por porque não tínhamos dinheiro. Da última vez, não conseguimos o visto e batemos na trave. O Pan é o maior torneio de jiu-jítsu para crianças do mundo”, contou o pequeno. O pai, Rafael Simões, decidiu ir para os semáforos em São Francisco para vender bala e assim levantar verbas para que ele e o irmão Rhuam – de 14 anos e também lutador – possam viajar.

“É muito difícil. Não estamos esperando cair do céu, a gente sai pra vender bala. Fruto do meu trabalho. A gente foi pra rua e as pessoas têm ajudado como podem. Ano passado, nós paramos no visto, mas esse ano nós queremos ir para a competição. Muitas pessoas, quando veem o Enzo com o quimono e as medalhas, perguntam e ajudam como podem”, contou o pai.

O sonho da família é tão grande que, por causa de Enzo, todos os quatro irmãos e o próprio pai resolveram treinar jiu-jítsu. E para que outras crianças possam sonhar em galgar passos mais longos, a família criou um projeto social dentro da própria casa: a Nação Kids. 

O objetivo é ensinar a arte suave para crianças carentes.

“Além do Enzo treinar na Camboinhas Jiu-Jítsu, com o mestre Marcos Mendes, que inclusive nos ajuda em tudo, a gente treina em casa no projeto social. Então todos nós sonhamos com dias melhores e acreditamos que esse dia vai chegar”, contou Rafael Simões. 

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