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Reapresentação com lágrimas

Jogadores do Flamengo se reapresentaram na manhã de sábado na Gávea

Reapresentação com lágrimas

Foto: Divulgação/Alexandre Vidal/Flamengo

Os jogadores do time profissional do Flamengo se reapresentaram na manhã deste sábado, mas não foram a campo. Em respeito à tragédia ocorrida na manhã da última sexta-feira no Ninho do Urubu, quando dez atletas da base morreram em um incêndio, o reencontro foi marcado por conversas, emoção e camisetas pretas em menção ao luto aos jovens mortos.

Atletas e comissão técnica, incluindo o treinador Abel Braga, que em 2017 perdeu um filho de 19 anos, realizaram orações e, depois, poucas atividades foram realizadas dentro da academia. Os jogadores, que vestiam preto, não foram a campo e também não treinarão no domingo, já que foram liberados. A intenção do reencontro neste sábado, portanto, foi reunir a equipe e passar apoio mútuo após o ocorrido.

O treinador, na reapresentação do time na manhã deste sábado foi, ao mesmo tempo, passar força a todos, expressar o seu pesar, mas destacou a importância de todos estarem unidos nesse momento.

Na reunião com os jogadores, comissão técnica e funcionários, Abel se emocionou ao recordar o filho João Pedro, que faleceu em 2017. Clima de extrema consternação.

A reapresentação do Rubro-Negro está marcada para a segunda-feira, visando a semifinal da Taça Guanabara, que foi remarcada para a próxima quinta, dia 14 de fevereiro, às 20h30 (de Brasília), no Maracanã. O duelo aconteceria neste sábado, mas foi adiado a pedido da Ferj após o incêndio no Ninho do Urubu.

Na madrugada da última sexta-feira, dez atletas da base do Flamengo morreram após um incêndio de grandes proporções no Ninho do Urubu, centro de treinamento da equipe. Todos tinham entre 14 e 16 anos e há três feridos se recuperando, um deles em estado grave, já que teve quase 40% do corpo queimado.

Em nota oficial, a Prefeitura do Rio de Janeiro informou que a atual licença do local é válida até 8 de março deste ano, ou seja, expirará daqui a um mês. No entanto, a área que pegou fogo foi descrita como “estacionamento” no documento e que não há um novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitório. 

Rubro-Negro quebra silêncio e se defende  

Um dia após a tragédia no Ninho do Urubu, o CEO do Flamengo, Ricardo Belloti, fez um pronunciamento para a imprensa na sede da Gávea. O dirigente afirmou que todos no clube estão empenhados em ajudar as famílias neste primeiro momento.

“Gostaria de falar do que mais investimos desde que o acidente ocorreu, que é atender os familiares das vítimas. A partir do momento que tivemos o acidente, providenciamos a vinda dos familiares com representantes capacitados. Não medimos esforços para atender os familiares. Trouxemos para o Rio, providenciamos transporte. Psicólogos, assistentes sociais... Levamos para um hotel no Recreio, com privacidade”, disse.

Belloti confirmou a identificação de cinco corpos até o momento. Além disso, ressaltou o acompanhamento aos que estão ainda hospitalizados.

“Identificamos cinco corpos e vamos providenciar os traslados. Além disso, há os três atletas hospitalizados. Também trouxemos os familiares. Estamos acompanhando e dando tudo o necessário. O que está mais grave, está o tempo inteiro com médico nosso”, declarou.

O CEO falou ainda sobre o acompanhamento aos atletas que sobreviveram a tragédia.

“Os atletas que estavam lá e não tiveram ferimento, nós mandamos para suas casas. Mas também colocamos um representante do clube com cada atleta. Isso tudo registrado. Mantemos diariamente contato com eles, via psicólogos. Ideia é que não sofram consequências”, comentou.

Sobre a tragédia, Belloti destacou que o Flamengo tem trabalhado para ajudar as autoridades a resolver o ocorrido.

“Estamos em contatos com as autoridades e facilitando o trabalho deles. Queremos que o episódio seja esclarecido o que aconteceu. Estamos em contato com as mais diversas autoridades, governamentais e jurídicas, para que a situação seja solucionada. O CT, os alvarás e multas não têm nada a ver com o acidente. Estamos tomando as medidas para que o CT seja legalizado”, discursou.

O dirigente continuou e explicou a situação do CT.

“Sobre multas, licenças, alvarás... isso não tem nada a ver com o acidente. Temos providências a tomar para o CT ser legalizado. Estamos trabalhando para isso Precisávamos de 9 certificados. Já temos 8. Estamos trabalhando com os bombeiros”, disse.

O CEO saiu em defesa do lugar onde aconteceu a tragédia. Belloti negou que a estrutura fosse ruim.

“São alojamentos modulados implantados em 2011. O CT começou assim e por lá passaram jogadores consagrados como Ronaldinho Gaúcho, Vagner Love, a seleção olímpica de futebol. Não estamos falando de puxadinho, é alojamento. Foi aprovado pelo conselho da criança e do adolescente, que nos deu certificado. Ferj e CBF nos deram certificado de formadores. Tínhamos que manter alojamentos adequados, alimentação, higiene, segurança, salubridade... Ou seja, é porque tudo foi atingido”, falou.

O dirigente comentou sobre o que poderia ter iniciado o incêndio.

“Sentimos muito o que aconteceu. O que aconteceu? Eles chegaram na segunda no alojamento. Preventivamente fizemos a manutenção no ar condicionado, e isso está registrado. Houve quase um furacão no Rio. A região foi atingida. Aconteceram vários picos de energia. A perícia disse a alguns funcionários que o problema começou no ar condicionado. Tinham passado por manutenção, estavam em ordem. A suposição é de que os picos de energia tenham influenciado no funcionamento e ocasionado o incêndio. Aconteceu um acidente trágico. Não foi por falta de prevenção e cuidados do Flamengo. Eles são nosso maior ativo. Tivemos todo o cuidado. Não poupamos esforços. Foi uma sucessão de eventos após um dia catastrófico para o Rio de Janeiro”, finalizou. 

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