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Mergulho no Brasil do século XVI

Ale Maia e Pádua inaugura exposição nos Correios

O artista niteroiense foi inspirado pelas fortes ideias presentes no poema “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias

Foto: divulgação

Após ouvir frequentemente da boca de seu pai quando criança a recitação de “Canção do Tamoio”, de Gonçalves Dias, o artista niteroiense Ale Maia e Pádua, inspirado pelas fortes ideias presentes no poema, resolveu ir fundo na história do Brasil do século XVI - quando ocorreu a revolta indígena da Confederação dos Tamoios, no litoral brasileiro. O resultado dessa pesquisa é a exposição “Viver é Lutar”, que inaugura neste sábado (16), às 15h, no Espaço Cultural Correios de Niterói, sua segunda edição, denominada “O Limbo”. 

Formado em design pela ESPM, o artista leva ao espaço para essa sequência pinturas desenvolvidas com tinta de carimbo diluída sobre papel Paraná 500g, além de novas obras digitais e esculturas em argila, incluindo o painel principal, intitulado “Rio 1567”, um extenso mural rico de símbolos que representam os principais atores daquele período: portugueses, franceses, suíços e, claro, os nativos brasileiros. 

“‘Viver é Lutar’ fala sobre a Confederação dos Tamoios e sobre a França Antártica, dois temas tão profundos, ricos e ao mesmo tempo trágicos, que parecem ter saído de contos de ficção e não de livros de história, além de serem assuntos relativos a todos os brasileiros, principalmente a nós do estado do Rio de Janeiro”, ressalta Ale, que, para a elaboração da primeira edição - exposta no mesmo espaço de 24 de março a 5 de maio de 2018 -, atravessou três anos de pesquisas sobre os fatos que deram forma a esse período histórico até que se visse completamente imerso no tema. 

A ideia de uma sequência surgiu quando se deu conta de uma nova perspectiva através de sessões de psicanálise, que voltou a frequentar quando percebeu que, de alguma forma, estava inserido naquele contexto histórico. Nesse processo, Ale começou a ter pesadelos com indígenas do passado e resolveu passar para o papel tudo que presenciava durante o sono. 

Mostra “Viver é Lutar” pode ser conferida no no Espaço Cultural Correios de Niterói

Foto: divulgação

“Depois de um tempo, passei a rascunhá-los do jeito que minhas limitações artísticas permitiam. Mesmo que tentasse refiná-los, depois de um tempo, não o conseguia fazer. Sendo assim, decidi que, se fosse apresentá-los, seria em rascunhos, com minhas limitações brutas, mas autênticos e originais. Era o melhor que podia fazer. Depois de pintar uma dezena de rostos, me questionei se aquilo que estava imaginando e desenhando não era o Limbo, afinal, de acordo com o catolicismo, é pra lá que vão as almas errantes, que estariam à margem de Deus, tal qual crianças não batizadas”, explica o artista. 

“Viver é Lutar” justifica-se pela necessidade de se pôr em prática a difícil porém necessária tarefa de nos enxergar como parte responsável pela narrativa em que vivemos, seja como causa ou consequência.

O Espaço Cultural Correios Niterói fica na Av. Visconde do Rio Branco, 481, no Centro. Inaugura neste sábado, às 15h, e fica aberto à visitação de 18 de março a 18 de maio. Entrada franca. Classificação: livre. Telefone: 2622-3200. 

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