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Rainha da transformação

Marlete Monteiro é mestra em customizar objetos com saco plástico

Marlete começou a comercializar em feiras populares de artesanato, como a que acontece na Praça do Engenho do Mato, no segundo sábado de todo mês, através do coletivo de artesão Quilombo do Grotão

Foto: Marcelo Feitosa

Marlete Monteiro, de 64 anos, dedica seu tempo para fazer crochê com sacolas plásticas. O aprendizado surgiu quando a artesã era criança e realizava a técnica com saquinhos de leite que aprendeu na escola Maria Imaculada, colégio de freira que existia em Niterói, onde fez o primário. Marlete aprendeu a fazer crochê aos 7 anos e, com sua experiência, garante que consegue desenvolver a arte em qualquer tipo de fio como linha, lycra e até mesmo barbante. Mas a escolha pela sacolas plásticas não é aleatória, a iniciativa do trabalho apresenta uma motivação emocionante que a fez resgatar essa memória.

“Isso ficou adormecido em mim até uns anos atrás, até que vi uma reportagem de uma tartaruga se entalando com uma sacola plástica porque ela vê aquilo como comida, e eu achei que eu tinha que fazer alguma coisa. Comecei a fazer o crochê com sacola plástica em vez de saquinho de leite, descobrindo como cortar, como amarrar e fui aprimorando até que chegou como a que está hoje” revela Marlete.

A artesã conta que lembrava da técnica e só precisou adapta-lá para substituir o saco de leite pela sacola plástica de mercado. Customizando, ela desenvolveu produtos como bolsas, porta-copos, almofadas, e, desde então, começou a comercializar em feiras populares de artesanato como a que acontece na Praça do Engenho do Mato, no segundo sábado de todo mês, através do coletivo de artesão Quilombo do Grotão, da qual ela faz parte. Marlete também já exibiu sua arte nas feiras pontuais de artesanato reciclado promovidas pela Igreja Santuário das Almas, em Icaraí, e participou da famosa feira do Lavradio, no Centro do Rio.

Antes de se aposentar, trabalhava como secretária na área de arquitetura e decoração, na qual já trabalhou com designers e arquitetos conhecidos como Helena Costa, Elisabeth Salgado e Isolina Carriço. Atualmente, faz parte do Fórum de Economia Solidária de Niterói, desde 2011, e atua como professora colaboradora da UFRJ, dando aula de “Ética” no curso de Terapia Ocupacional. Marlete defende que seu trabalho também pode ser usado como terapia, e aplica um pouco de seu conhecimento nas aulas, como se fosse uma minioficina por causa do tempo limitado. Segunda ela, leva a informação para a faculdade, para que seja passada adiante, e ainda sorteia uma peça para os alunos como forma de motivação e amostra.  

“Não precisa ser só uma pessoa que saiba fazer crochê, é quem souber separar, quem souber cortar, amarrar. Um trabalho em grupo ao ponto de que, se uma pessoa souber fazer o crochê, todas as outras vão conseguir produzir a matéria-prima. Vão recolher as sacolas plásticas nas comunidades, vão incentivar as pessoas. Você não precisa poluir, o que ia virar lixo você pode transformar em dinheiro. E, hoje em dia, eu estou direcionando o meu trabalho para essa fala” explica Marlete.

A arte da Martele é resultado de uma boa causa. Em meio a tantos problemas como a poluição, ela é um exemplo de cidadã que se sente responsável pelo meio ambiente, e transformou o descartável que vinha prejudicando a natureza em um produto totalmente novo. 

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