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Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor lança nova versão do Mapa de Feiras Orgânicas

Pesquisa mostra que alimentos orgânicos são bem mais baratos em feiras e grupos de consumo responsável do que nos supermercados

Foto: Divulgação

Neste mês, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) lançou a nova versão do Mapa de Feiras Orgânicas. A plataforma digital foi criada em 2012 com o objetivo de estimular a alimentação saudável, mostrando os locais que oferecem produtos orgânicos e agroecológicos. Com as atualizações, o usuário pode realizar a sua busca por região, estado e município.

De acordo com o Idec, algumas pesquisas mostram que os alimentos orgânicos são bem mais baratos em feiras e grupos de consumo responsável do que nos supermercados, e que os consumidores consumiriam mais orgânicos se fossem encontrados com maior facilidade e melhores preços. 

“O mapa tem o propósito de criar relações mais próximas e saudáveis entre as pessoas (consumidores e agricultores) sem prejudicar o meio ambiente. As feiras orgânicas ou agroecológicas são uma ótima alternativa da compra direta com o produtor, pois diminuem intermediários no processo, e, consequentemente, o preço, além de estimular a autonomia do produtor e valorizam a produção local de alimentos”, explica a nutricionista do Idec, Mariana Garcia. 

Além das feiras, o mapa apresenta também os grupos de consumo responsável, iniciativas organizadas por consumidores que se aproximam de produtores e, juntos, propõem comprar produtos de uma forma diferente da que ocorre no mercado tradicional.

A presidente da Affa, Clarice Manhã, e o marido, Tiago Catique, acreditam no potencial crescente do mercado das feiras orgânicas

Foto: Arquivo pessoal

“O Mapa de Feiras Orgânicas é totalmente colaborativo, portanto, os usuários, sejam eles consumidores, produtores ou feirantes, adicionam as feiras que conhecem para que mais pessoas possam ter acesso a esses locais. O Idec faz a moderação destes cadastros checando os dados. A participação dos usuários é muito importante para que o mapa se mantenha atualizado e seja cada vez mais completo. Por meio dos comentários em cada iniciativa cadastrada, é possível atualizar os dados, como endereço, horário de funcionamento e produtos comercializados”, informa Mariana.

Estado em sintonia

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) autorizou a criação do Circuito Fluminense de Feiras Orgânicas pelo Governo do Estado. A lei do deputado estadual Waldeck Carneiro visa estimular a compra de alimentos saudáveis por um custo mais acessível no Estado do Rio.

“A ideia de criar a lei surgiu da necessidade de atender à demanda crescente de cidadãos fluminenses que buscam se alimentar de forma saudável. Além disso, como presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Economia Popular Solidária, tenho dialogado com empreendedores solidários da agricultura familiar e pequenos produtores de alimentos orgânicos. Em ambos os casos, há muita preocupação com o escoamento de seus produtos e, nesse sentido, a implantação de um circuito estadual de feiras orgânicas é uma expressiva contribuição”, afirma o deputado estadual Waldeck Carneiro.

Segundo o deputado, a medida contribuirá para uma melhor qualidade de vida para gerações atuais e futuras, para a segurança alimentar e nutricional e à preservação do meio ambiente. 

“A lei alcança toda a população fluminense, em especial os adeptos da alimentação orgânica, embora seja também um incentivo para que cada vez mais pessoas busquem alimentos livres de agrotóxicos”, garante.

Presidente da Associação Fluminense de Famílias Agroecológicas (Affa), Clarice Manhã, vende hortaliças, couve-flor, brócolis, cenoura e beterraba.

Foto: Arquivo pessoal

A agricultora e empreendedora Clarice Manhã, de 32 anos, é presidente da Associação Fluminense de Famílias Agroecológicas (Affa). Ela vende hortaliças, couve-flor, brócolis, cenoura e beterraba. 

“As hortaliças eu planto em meu quintal, em Maria Paula. Hoje, nosso cultivo está em processo de certificação participativa junto aos agricultores que compõem a associação, por meio do Organismo de Controle Social (OCS). Os outros produtos da minha banca são fruto da parceria com o agricultor Elzo Silvério, que produz em Brejal, Petrópolis”, conta Clarice.

A feira se iniciou na UFF, em março deste ano, sempre às terças, em uma parceria entre o Departamento de Nutrição da Universidade e a Affa. Em agosto, a feira começou, também, no Pátio Alcântara, em São Gonçalo, e acontece na segunda quarta-feira de cada mês.

“As feiras facilitam o acesso da população aos alimentos produzidos sem veneno. E são um sucesso, porque além dos produtos serem de excelente qualidade, existe a proximidade com o produtor. Em uma cidade com quase 500 mil habitantes, saber de onde vem a comida que você vai nutrir a si e aos entes queridos é um grande privilégio. E para nós ofertar o fruto do nosso trabalho é uma grande alegria, motivo de orgulho. As feiras da Affa são verdadeiros ambientes de encontros”, se orgulha a agricultora.

Mesmo com todas as dificuldades que todo empreendedor passa, Clarice se mantém firme nas feiras, junto com todos os agricultores da Affa.

“A feira, enquanto ponto de comercialização, é somente um dos elos dentro da cadeia produtiva, é a finalização. Mas o dia que o agricultor passa na feira vendendo, ele não está cuidando da roça. E no caso da agricultura familiar, isso é extremamente complicado, porque atrapalha a produção. Eu mesma comecei fazendo delivery, em agosto de 2016, e conforme as entregas foram crescendo, não tivemos condições de tocar nosso cultivo, porque era somente eu e meu marido, Tiago Catique. Só não quebramos porque estamos em grupo, tempos parceria com outros produtores e isso nos fortaleceu. É preciso fomentar apoio para que o agricultor tenha de fato condições de produzir, isso requer insumos, equipamentos, mão de obra, tempo e qualidade de vida”, conclui.

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