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O disputado

A peça “Esse Homem é Meu”, que estreia na sexta no Teatro Municipal de Niterói, promete críticas ácidas ao comportamento feminino. O casamento de uma prima nos anos 1950 deixa três solteironas em polvorosa

Três irmãs solteiras de uma cidade do interior entram em parafuso quando uma prima do Rio chega para visitá-las com noivo e convite de casamento na mão. Elas tentam de tudo para o casório naufragar, mas as coisas fogem do controle no espetáculo encenado pela companhia Temprana

Fotos: Ronaldo Junger / Divulgação

O espetáculo “Esse Homem é Meu!”, da Temprana Companhia de Teatro, estreia hoje no Teatro Municipal de Niterói. A direção e coordenação são dos mineiros Jean Cândido Brasileiro, que também atua na peça, e João Corrêa, que ainda assina os figurinos. 

Ambientada no final dos anos 1950, a peça conta a história de três irmãs solteiras que vivem entediadas em uma cidade do interior e estão desanimadas pela falta de perspectivas profissionais e amorosas. O quadro muda quando uma prima rica do Rio de Janeiro, que está realizada porque vai casar, resolve visitá-las acompanhada do noivo, para entregar pessoalmente o convite. O que era pra ser uma visita cordial desperta o ódio das irmãs, que decidem disputar o noivo, mais para se vingar da prima do que por interesse no rapaz. O plano das irmãs é fazer o casamento da prima fracassar, mas as coisas saem do controle delas.

“A ação se desenvolve a partir da pergunta: O que mulheres oprimidas, humilhadas, seriam capazes de fazer? O foco é a relação social da mulher, como ela se posiciona na sociedade e a partir daí começamos a trabalhar o espetáculo. Não é por acaso que a peça se passa nos anos 1950, que foi um momento de transição da sociedade brasileira, quando começaram a florescer os ideais feministas, de liberdade da mulher. Elas começam a trabalhar fora de casa e, a partir disso, a gente criou uma comédia”,  explicou Jean.

Som de época - A trilha sonora que complementa a peça é formada por canções nas vozes de cantoras como Nora Ney, Ângela Maria e Dalva de Oliveira, que são ouvidas na programação da Rádio Vila Serena, emissora fictícia que também exibe a radionovela acompanhada por uma das personagens, que tem o sonho de ser cantora da Rádio Nacional. Jean brinca que “ninguém me ama, ninguém me quer” é a música que dá o tom do espetáculo. 

O elenco é formado por Fabíola Romano, Fernanda Esteves, Helena Hamam, Jean Cândido e Renata Benicá

Fotos: Ronaldo Junger / Divulgação

“Nós usamos a peça para questionar esse lugar da mulher sob o olhar da sociedade, quando ela era obrigada a casar para ser alguma coisa, para ser respeitada socialmente. Por ser uma peça passada nos anos 50, alguma ambientação de época temos que respeitar, mas essas coisas não são simplesmente colocadas ali e a questão não é levantada. É uma peça de época que foi escrita no nosso tempo. Na verdade, a gente amplia a situação da mulher naquela época”, comenta o diretor Jean.

Amizade - O elenco é formado por Fabíola Romano, Fernanda Esteves, Helena Hamam, Jean Cândido e Renata Benicá. Todos estudaram juntos na UniRio e se formaram em Artes Cênicas, com exceção da Fernanda Esteves, que é atriz formada pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna (Faetec). Fernanda se integrou ao grupo este ano, quando a peça começou a ser ensaiada. 

“Esse Homem é Meu” é resultado da continuidade de uma pesquisa iniciada na faculdade sobre o gênero teatral melodrama e a peça busca relacionar o tema a uma estética latino-brasileira, aliada ao desenvolvimento dramatúrgico e com influência no melodrama do diretor espanhol Pedro Almodóvar. 
“Melodrama é o que a gente vê em novela, novela bebe muito dessa fonte. Explicando de uma maneira simplista, a gente trabalha com emoções que são ampliadas, a questão do sofrimento, raiva, peripécias de vingança, romances proibidos são típicos temas do melodrama. Especialmente, as músicas latinas dor de cotovelo. Se você ouvir essas músicas, você vai entender o que é o melodrama”, define o diretor Jean. 

O grupo - A Temprana Companhia de Teatro foi fundada por Jean Cândido e João Corrêa e está em atividade desde 2013. Esse Homem é Meu! é o segundo trabalho do grupo. O primeiro foi outro melodrama, “Breve Anunciação”, lançado há quatro anos, com passagens também por Niterói, no Teatro Municipal e no Solar do Jambeiro. 

O público da cidade poderá, a partir de hoje, conhecer o novo trabalho do grupo. “Esse Homem é Meu!”, que aborda com muito humor a crítica social de uma época, fica em cartaz até domingo, dia 15.

O Teatro Municipal de Niterói fica na Rua Quinze de Novembro, 35, no Centro. O espetáculo acontece nas sextas e sábados às 20h e domingo às 19h. Os ingressos custam R$ 20 (inteira). Classificação indicativa: 14 anos. 

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