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Encosta na Boa Viagem preocupa moradores

Contenção não resiste e pedras levam perigo a área de lazer

Quem visita o local se depara com os arames soltos e as pedras na areia. Prefeitura informou que não há risco de desabamento

Foto: Evelen Gouvêa

Aqueles que passam diariamente pela orla da Praia de Boa Viagem, localizada no bairro de mesmo nome, na Zona Sul de Niterói, andam preocupados com uma situação que já os incomoda há tempos. Uma encosta próxima à beira-mar da praia está desabando aos poucos, o que pode futuramente acarretar em um acidente para quem visita o local ou passa pela Avenida Almirante Benjamin Sodré. Ao longo desta semana, foi possível observar que a área é movimentada tanto por moradores quanto por turistas que visitam a cidade.

Para a proteção da encosta, foram instalados, há anos, um tipo de alicerce chamado gabião – estruturas de aço que, assemelhando-se a gaiolas, ganham forma e tornam-se sólidas apenas quando as pedras preenchem o espaço que antes estava vazio. No entanto, todas as armações anteriormente presentes no trecho da praia próximo à ponte que dá acesso à Ilha de Boa Viagem já cederam. O que restou no local foram as pedras que estão hoje espalhadas pela orla e grandes pedaços de arame, que serviam para segurar as pedras.

O engenheiro mecânico Renato Botelho, que possui 76 anos e é morador do bairro, observa que mesmo com o fracasso dos gabiões na encosta em questão, o mesmo tipo de estrutura foi posicionado ao redor do morro no qual localiza-se o Museu de Arte Contemporânea (MAC). 

“Este tipo de proteção é ótima para ambientes mais urbanos, como edifícios que ficam nos centros das cidades, mas como estamos nos referindo a dois ambientes predominantemente marinhos, próximos à praia, o constante impacto das ondas sobre as estruturas acaba as corroendo. Quanto mais a maré ficar alta, então, maior o risco será”, apontou Botelho. 

Gilmar Fernandes, pescador de 40 anos que passa sempre pelo local, informa que os gabiões não duraram mais do que dois anos ali. Além disso, destaca que o desabamento da estrutura trouxe um outro problema: a diminuição do espaço da orla, já que as pedras ocupam um grande trecho da praia.

“Muitos precisam, em dias de maré alta, passar em meio às pedras. Como as grades que caíram e ainda não foram recolhidas permanecem no local, a possibilidade de corte e acidentes ainda permanece. A meu ver, poderiam realizar uma encosta com concreto no local, impedindo algum acidente futuro.”, declarou Fernandes.

Para analisar a questão, uma equipe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) fará vistoria no local para verificar o problema. Toda a documentação da obra também será levantada e os responsáveis serão identificados. Caso seja encontrada alguma irregularidade, a empresa responsável pela obra, assim como a contratante, serão notificadas.

Já a Defesa Civil de Niterói informou que não há risco iminente de desabamento. O local já foi vistoriado, e um relatório foi enviado para a Empresa de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), que está analisando o melhor procedimento a ser realizado no local.

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