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Beija-Flor é a favorita ao título


Escola de Nilópolis emocionou com desfile sobre desigualdade e intolerância. Resultado será apurado nesta Quarta-Feira de Cinzas

Resultado do Grupo Especial será conhecido hoje. Duas escolas serão rebaixadas para a Série A do carnaval carioca

Divulgação/ Cezar Loureiro/ Riotur

Nesta quarta-feira iremos conhecer a grande campeã do Carnaval 2018. Após duas noites de desfiles na Marquês de Sapucaí, as 13 agremiações do Grupo Especial irão descobrir suas notas e saber quem leva o título a partir das 15h30, horário em que se inicia a apuração. As seis primeiras classificadas retornarão à Passarela do Samba no Sábado das Campeãs, dia 17. Já as duas últimas passarão a desfilar no Grupo de Acesso (Série A) no carnaval de 2019. Beija-Flor, Mangueira e União da Ilha são as favoritas ao título.

A Beija-Flor foi a última a passar na Avenida, mas deixou a sua marca no carnaval deste ano. O desfile impecável é apontado como um forte candidato ao campeonato do Grupo Especial. Com uma crítica à desigualdade social, à intolerância e à corrupção. A escola colocou o público para cantar o seu samba, comandado por Neguinho da Beija-Flor, e intitulado “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”. A agremiação teve como base e inspiração o livro de terror Frankenstein, de autoria de Mary Shelley. Uma das alegorias era uma cabeça enorme de Frankenstein, que se abria, deixando à mostra palavras como racismo, feminicídio, discriminação, xenofobia, ódio, entre outras. 

Já a Mangueira fez questão de falar sobre o corte de verbas da Prefeitura do Rio para as escolas de samba. Intitulado “Com dinheiro ou sem dinheiro eu brinco”, o enredo animou o público e resgatou o carnaval popular, trazendo músicos da bateria fantasiados de “bate-bola”. Além disso, um dos carros mais polêmicos representou o prefeito Marcelo Crivella, na forma de um boneco “Judas”, com a frase “Prefeito, pecado é não brincar o carnaval”. 

A União da Ilha apostou em uma homenagem à culinária brasileira. Com carros coloridos e chamativos, a agremiação retratou a imagem de tradicionais pratos nacionais, assim como sobremesas já conhecidas e queridas pelo público, como o chocolate. Além da beleza, uma das alegorias ainda trouxe o aroma do cacau, levando a arquibancada à loucura. O último carro, intitulado “Ilha prepara a mesa do bar, faz a festa”, reuniu os melhores chefes de cozinha que trabalham no Brasil, como o Claude Troisgros e a chef Kátia Barbosa. 

Já a Salgueiro, que está em busca do seu décimo título no carnaval, mesmo estando sem vencer há nove anos, optou por homenagear as mulheres negras, tendo como inspiração um enredo que condecorou Xica da Silva, há 55 anos atrás. Em 34 alas, a agremiação representou guerreiras, mães, escritoras e artistas negras. À frente da bateria, a rainha Viviane Araújo, já conhecida e querida pelos componentes e torcida da escola, veio representando Hatshepsut, uma rainha faraó do Egito antigo.

Última a desfilar, Beija-Flor entra impecável e desponta como favorita ao título

Divulgação/ Dhavid Normando/ Riotur

Quem também se destacou foi a Paraíso do Tuiuti, que teve um acidente com um dos seus carros alegóricos no desfile do ano passado. Para dar a volta por cima, a escola resolveu retratar temas polêmicos. Trazendo questionamentos, o enredo da agremiação de São Cristóvão, intitulado “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, criticou a exploração do trabalho no campo e nas minas e as mudanças nas leis trabalhistas, aprovadas recentemente. A escola também contou a história da escravidão no Brasil, porém, o destaque ficou para o último carro da agremiação, que levou para a Avenida um vampiro vestido com uma faixa presidencial. A alegoria se tornou um dos principais assuntos nas redes sociais.

A Grande Rio teve o desfile marcado por transtornos com seu último carro. A escola de samba de Duque de Caxias teve problemas com a alegoria ainda na concentração. O veículo ficou preso no acesso à pista da Avenida Presidente Vargas, quando estava sendo deslocado para entrar na Sapucaí. Agremiação deve perder 0,5 ponto pelo ocorrido. Apesar da confusão, os componentes não deixaram a alegria de lado, e trouxeram para o carnaval um desfile saudoso sobre o Chacrinha. 

Outra agremiação que levantou o público foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que fechou a primeira noite de desfiles. A escola apresentou o enredo “Namastê... A estrela que habita em mim saúda a que existe em você”, exaltando a Índia e sua cultura. A fim de conquistar o bicampeonato, a agremiação da Zona Oeste do Rio fez uma relação da cultura indiana com a brasileira, mostrando, inclusive, frutas originárias do país que também são cultivadas no Brasil, como a jaca, a manga e a cana. A escola trouxe efeitos especiais para a Avenida e contou ainda com a representação de deuses e monges em sua comissão de frente. O desfile terminou com o amanhecer do dia.

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