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Briga é acirrada no Grupo A


Escolas de vários cantos disputam hoje, ponto a ponto, o direito de ingressar na elite do carnaval carioca

A Acadêmicos do Cubango levou para a Avenida um carnaval bonito e com muito samba no pé, se destacando entre as escolas do Grupo de Acesso

Foto: Douglas Macedo

Com Pamella Souza

Desfiles pensados, organizados e bem-desenvolvidos levaram a Acadêmicos da Cubango e a Estácio de Sá a estarem entre as favoritas para fazer parte do Grupo Especial. Ambas desfilaram pela Série A no segundo dia de desfiles, no último sábado. Ainda na sexta, destacaram-se a Unidos de Padre Miguel, Acadêmicos da Rocinha e Inocentes de Belford Roxo. A Acadêmicos do Sossego, outra representante de Niterói, pisou na Marquês de Sapucaí em tom de protesto com uma faixa com os dizeres “A Sossego respeita a religião do prefeito Marcelo Crivella e queremos respeito com o carnaval. O Rio pede paz”. A apuração acontece nesta Quarta-Feira de Cinzas.

O início dos desfiles da Série A do carnaval carioca precisou ser adiado em meia hora por conta do grande volume de água que caiu sobre a Passarela do Samba na sexta-feira (1º). A chuva começou por volta das 21h, uma hora e meia antes do horário marcado para o início do desfile, mas a Sapucaí foi transformada em rio, causando desespero em alguns componentes que estavam posicionados na concentração, na Avenida Presidente Vargas.

A Unidos da Ponte, campeã da Série B no ano passado, chegou com empolgação e nem a chuva foi suficiente para desanimar a escola de São João de Meriti. Para lutar pela permanência no grupo, a agremiação trouxe uma reedição do enredo “Oferendas”, de 1984, que está entre os maiores sucessos na história da azul e branco.

Com o enredo “Saravá, Umbanda”, a Alegria da Zona Sul foi a segunda escola a desfilar. Através de um preto velho, a escola contou a história da religião, destacando características como caridade, amor e fé. Por conta da chuva, que “apertou” durante o desfile da Alegria, algumas fantasias foram prejudicadas. Mas o canto dos componentes foi um dos pontos fortes da apresentação.

Cubango fez belo desfile pela Série A

Foto: Douglas Macedo

A Acadêmicos da Rocinha levantou o público com seu enredo sobre preconceito. Assim como o nome do próprio enredo – “Bananas para o preconceito” –, uma ala fantasiada de macacos jogou bananas de verdade para as arquibancadas. Uma coreografia irreverente abriu o desfile, com a comissão de frente como a “Origem Primata”. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Jesus e Viviane Oliveira, vieram vestidos de macaco e banana. O carro abre-alas, “Planeta Primata”, passou deixando uma mensagem na Marquês de Sapucaí, mostrando que o homem tem origem primata, mas que os atos racistas não revelam essa evolução do ser humano.

A Acadêmicos de Santa Cruz, quarta a desfilar, homenageou a atriz Ruth de Souza, que foi ovacionada na Sapucaí e veio no abre-alas da escola. Alegorias da verde e branca apresentaram dificuldades para sair da concentração, deixando um enorme buraco no setor 1, o que deixou torcedores apreensivos. Um deles foi o carro do cinema. Componentes da coirmã Unidos de Padre Miguel ajudaram a empurrar as alegorias. A verde e branco encerrou seu desfile estourando o tempo, com 57 minutos, dois a mais que o tempo máximo no regulamento, e deverá ser penalizada.

A Unidos de Padre Miguel saiu da Marquês de Sapucaí sendo ovacionada pelo público, aos gritos de “é campeã”. A vermelha e branca homenageou o escritor Dias Gomes, com carros que surpreenderam pela beleza e grandiosidade. Peças e novelas de sua autoria foram relembradas, assim como sátiras políticas e a intolerância religiosa.

A Inocentes de Belford Roxo também foi um dos grandes destaques da noite, com o enredo “Frasco Bandoleiro”. A escola traçou um paralelo entre crendices de pessoas que guardam fortunas enterradas em seus quintais no Nordeste, com os atuais casos de corrupção.

A Acadêmicos do Sossego pisou na Marquês de Sapucaí com o dia amanhecendo e sem chuva. A escola entrou na Avenida carregando uma faixa com os dizeres “A Sossego respeita a religião do prefeito Marcelo Crivella e queremos respeito com o carnaval. O Rio pede paz”. A manifestação se deu pela substituição da escultura de diabo que seria o chefe do Executivo do Rio de Janeiro. Em seu lugar, estava a escultura do ex-prefeito Eduardo Paes, dessa vez, simbolizando um anjo. Em seu enredo, a agremiação pedia mais tolerância e respeito pelas religiões.

No segundo dia de desfiles, a primeira escola a pisar na Avenida foi a Unidos de Bangu, levantando o público do Sambódromo. A vermelho e branco da Zona Oeste veio com o enredo “Do ventre da Terra, raízes para o mundo”, desenvolvido pelos carnavalescos Alex de Oliveira e Edson Pereira, este último responsável pelo título da Unidos do Viradouro no ano passado. A chuva também marcou presença no segundo dia, porém, em menor intensidade.

Com o objetivo de mostrar a importância da agricultura e alertar as autoridades no combate à fome, a escola levou uma comissão de frente que traduziu como o povo inca adorava os cultivos, principalmente o de batatas, que gerou a festa do Deus Sol. A agremiação estava passando sem erros, principalmente a bateria 40º graus do mestre Léo Capoeira, mas, o último carro, que simbolizava a união e paz, teve partes danificadas antes mesmo de entrar na avenida, o que pode fazer a escola perder pontos na apuração.
Segunda escola a entrar na Avenida, a Renascer de Jacarepaguá trouxe para a Sapucaí as homenagens à Iemanjá que acontecem no bairro Rio Vermelho, em Salvador, na Bahia. Com o enredo “Dois de Fevereiro no Rio Vermelho”, a vermelho e branca quase teve problemas na entrada dos carros alegóricos, mas conseguiu resolver e levantou o público presente.

A devoção ao Cristo Negro de Portobelo, imagem encontrada no mar do Caribe, no Panamá, foi a escolha da Estácio de Sá, uma das favoritas ao título, para a Marquês de Sapucaí. Com o enredo “A Fé que emerges das águas”, a escola surpreendeu com suas alegorias gigantescas e empolgou todos os presentes. A comissão de frente ousou e retratou a crucificação do Cristo Negro.

Representante de São Gonçalo, a Unidos do Porto da Pedra foi a quarta escola a desfilar. Assinado pelo carnavalesco Jaime Cezário, de volta à escola desde 2016, a Tigre apresentou o enredo “Antônio Pitanga, um negro em movimento”, homenageando o ator que completa 80 anos de idade e 60 de carreira. Mesmo apresentando problema em um dos carros, o que pode comprometer o desempenho da escola, a agremiação emocionou e balançou os gonçalenses presentes em peso na arquibancada.

A penúltima escola a entrar na avenida foi a Império da Tijuca. Desembarcando na região do Vale do Café, a escola mostrou o quanto a localidade é importante para o desenvolvimento do restante do Estado. A comissão de frente trouxe dançarinos fazendo danças ritualísticas com um visual tribal da África para simbolizar a celebração aos deuses pela colheita do café. Assim como a Estácio, ela abusou dos carros acoplados que passaram sem problemas pela concentração. Destaca-se a harmonia, todos os componentes bem perfilados e cantando a plenos pulmões.

Encerrando os desfiles da Série A e uma das favoritas a compor o Grupo Especial no próximo carnaval, a Acadêmicos do Cubango empolgou e não foi prejudicada pela chuva fina que caiu justamente no início da apresentação. A escola de Niterói apresentou o enredo “Igbá Cubango: a alma das coisas e a arte dos milagres”, uma homenagem à memória da agremiação e às raízes africanas. O enredo tratou dos ex-votos, os presentes dados pelo fiel ao seu santo, muitas vezes por uma graça alcançada. 

Colaborou André Bernardo

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