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Desfiles começam debaixo de chuva


Apresentação da Unidos da Ponte foi adiada em meia hora por causa do alagamento na pista

Foi debaixo de chuva que a Unidos da Ponte entrou na Marquês de Sapucaí, iniciando os desfiles da Série A do carnaval carioca nesta sexta-feira (1º). O início da apresentação precisou ser adiado em meia hora por conta do grande volume de água que caiu sobre a Passarela do Samba. A chuva começou por volta das 21h, uma hora e meia antes do horário marcado para o início do desfile. A Sapucaí foi transformada em rio, causando desespero em alguns componentes que estavam posicionados na concentração, na Avenida Presidente Vargas. Às 23h, a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj) autorizou o início do desfile da Unidos da Ponte, mas a chuva ainda caía com intensidade no Sambódromo. 

A Unidos da Ponte, campeã da Série B no ano passado, chegou com empolgação e nem a chuva foi suficiente para desanimar a escola de São João de Meriti. Para lutar pela permanência no grupo, a agremiação trouxe uma reedição do enredo “Oferendas”, de 1984, que está entre os maiores sucessos na história da azul e branco.  

A comissão de frente, com apoio de um tripé, se apresentou aos jurados sobre a forte chuva, representando os filhos de santo praticando o ritual de oferenda “Padê”, saudando os orixás para abrir os caminhos para a Unidos da Ponte. O abre-alas recriou a ambientação de um terreiro de candomblé, homenageando a ancestralidade africana.  

Os ritmistas vieram como como Ogans, aqueles que ecoam dos atabaques os toques sagrados dos orixás, zelam o terreiro e se responsabilizam pela ritualização das funções de oferendas. A rainha Rosana Farias, que ficou bem nervosa com a chuva, mostrou o samba no pé e saudou o público nas arquibancadas. Ela usou uma sandália antiderrapante para não escorregar na pista molhada.

Com o enredo “Saravá, Umbanda”, a Alegria da Zona Sul foi a segunda escola a desfilar nesta sexta-feira. Através de um preto velho, a escola contou a história da religião, destacando características como caridade, amor e fé.  

Por conta da chuva, que “apertou” durante o desfile da Alegria, algumas fantasias foram prejudicadas. Mas o canto dos componentes foi um dos pontos fortes da apresentação.  

Na comissão de frente, João Paulo Machado preparou uma coreografia que que traz os terreiros, com pais e mães de santo realizando “giras”. Os bailarinos vieram de pés descalços, simbolizando a humildade. Outros vestiam roupas brancas, em sinal de paz e fraternidade.  O terceiro e último carro da agremiação, “A Purificação em Sagradas Águas”, entrou apagado no setor 1.   

Rocinha – A Acadêmicos da Rocinha levantou o público com seu enredo sobre preconceito. Assim como o nome do próprio enredo dia - “Bananas para o preconceito” -, uma ala fantasiada de macacos jogou bananas de verdade para as arquibancadas. Uma coreografia irreverente abriu o desfile, com a comissão de frente como a “Origem Primata”. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Jesus e Viviane Oliveira, vieram vestidos de macaco e banana. O carro abre-alas, “Planeta Primata”, passou deixando uma mensagem na Marquês de Sapucaí, mostrando que o homem tem origem primata, mas que os atos racistas não revelam essa evolução do ser humano. A bateria do mestre Augusto Santana veio com uma fantasia leve de malandro, com uma camisa listrada e chapéu. 

A umbanda e o candomblé, que também figuraram os desfiles anteriores, foram homenageadas pela Acadêmicos da Rocinha, com alas que valorizavam aspectos das crenças de matriz africana. Na última alegoria, a atualidade. Movimentos populares que lutam pelo fim do preconceito nas ruas, praças, escolas, favelas, entre outros ambientes, foram um dos destaques protagonizados pela Rocinha. O desfile foi encerrado com uma homenagem aos compositores negros do samba.

Santa Cruz – A Acadêmicos de Santa Cruz, quarta a desfilar, homenageou a atriz Ruth de Souza, que foi ovacionada na Sapucaí e veio no abre-alas da escola. Alegorias da verde e branco apresentaram dificuldades para sair da concentração, deixando um enorme buraco no setor 1, o que deixou torcedores apreensivos. Um deles foi o carro do cinema. Componentes da coirmã Unidos de Padre Miguel ajudaram a empurrar as alegorias. A verde e branco encerrou seu desfile estourando o tempo, com 57 minutos, dois a mais que o tempo máximo no regulamento, e deverá ser penalizada.  

Padre Miguel – A Unidos de Padre Miguel saiu da Marquês de Sapucaí sendo ovacionada pelo público, aos gritos de “é campeã”. A vermelha e branca homenageou o escritor Dias Gomes, com carros que surpreenderam pela beleza e grandiosidade. Peças e novelas de sua autoria foram relembradas, assim como sátiras políticas e a intolerância religiosa.  

A Inocentes de Belford Roxo também foi um dos grandes destaques da noite, com o enredo “Frasco Bandoleiro”. A escola traçou um paralelo entre crendices de pessoas que guardam fortunas enterradas em seus quintais no Nordeste, com os atuais casos de corrupção.

 
 
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