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Fazendo crítica, São Clemente abre o segunda dia do Grupo Especial


Escola reeditou um samba de 1990 para contestar a comercialização do carnaval

São Clemente abre o segundo dia do Grupo Especial

Fernando Grilli/Riotur

Com 15 minutos de atraso, a abertura do segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial das Escolas de Samba ficou por conta da São Clemente. A amarela e preta trouxe para o sambódromo uma reflexão sobre o mundo do samba e também uma homenagem aos antigos carnavais.

O enredo “E o Samba sambou...”, desenvolvido por Jorge Silveira, critica a perda da tradição do samba, que acabou virando um mercado no carnaval. O desfile busca retomar a essência do samba, com carnavais que ficaram marcados na história da Marquês de Sapucaí.

A São Clemente veio para o desfile 3100 componentes distribuídos em 26 alas e 5 alegorias. Assim como a Império Serrano, em vez de trazer uma composição nova a agremiação resolveu fazer uma reedição de um samba da própria agremiação, de 1990. A expectativa da escola é que a escola repita a sua atuação daquele ano, quando conquistou um sexto lugar, sua melhor colocação até o momento.

A Comissão de Frente da agremiação veio representando os 14 presidentes das escolas de samba e o presidente da liga, fantasiados de “cartolas do samba” e utilizavam uma alegoria em forma de escada, onde tinha em sua parte superior uma mesa de reunião em na qual são traçadas as negociações do carnaval.

Fantasiado de Michael Jackson e Madonna, o primeiro casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira esbanjaram samba no pé. A crítica trazida pela dupla está na americanização do carnaval, em que é preferida a venda de fantasia para estrangeiros e artistas que a participação de pessoas das comunidades.

Praticamente todas as alas faziam referências a interferências exteriores ao mundo do samba e afastam os verdadeiros foliões. Uma das principais foi a ala “Camarões do Camarote”, pois critica o que o enredo de “carnaval paralelo” dos camarotes, onde há DJs, grupos de músico, que fazem uma festa diferente do desfile que acontece na Marquês de Sapucaí, que segundo a agremiação deveria ser o único espetáculo da noite.

Algumas alas faziam crítica também a comercialização do carnaval, com os cartolas vendendo e comprando passes de carnavalescos, compositores, mestres-salas, que trocam de escola por dinheiro e vão defender outras agremiações.

Na parte final do desfile, depois de criticar a comercialização do carnaval, a agremiação trouxe à memória diversos carnavais do passado da época em que, segundo o enredo, a folia era mais amor à escola que ao dinheiro.

O samba enredo levantou o público e as paradinhas bem pensadas da bateria deixava clara a voz das pessoas contando a plenos pulmões. Sem problemas técnicos, a São Clemente entregou um carnaval empolgante para os foliões que foram até a avenida do samba.

 
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