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Hora da verdade para a Cubango


Levando para a Avenida mais uma vez a afrobrasilidade, verde e branca mira o título da Série A

A dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora aposta na mudança estética da Acadêmicos do Cubango para repetir o sucesso do ano passado e conquistar o título da Série A do carnaval

Lucas Benevides

A Acadêmicos do Cubango tem em seu histórico enredos que valorizam a afrobrasilidade. Neste ano, não será diferente.“Igbá Cubango: a alma das coisas e a arte dos milagres” retrata os ex-votos, presentes dados aos santos em devoção e agradecimento por uma graça alcançada.

O toque especial dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que arrancou aplausos do público no desfile de 2018, coloca a verde e branca como uma das favoritas ao título da Série A. 

A Cubango é a última escola a desfilar neste sábado de carnaval e coloca na Avenida cerca de 2 mil componentes, 20 alas e quatro alegorias.

Com 15 títulos conquistados no carnaval de Niterói, a verde e branca busca seu primeiro título na Série A, o que garantirá a sua ida para o Grupo Especial, o sonho dos componentes da escola. 

A niteroiense Maryanne Hipólito, que no ano passado desfilou pela Sossego, assumiu o posto de rainha da bateria da verde e branca para viver um de seus melhores carnavais. Os ritmistas serão comandados pelo Mestre Demétrius Luiz, que permaneceu na agremiação. 

Elementos afro-brasileiros marcam o primeiro setor do desfile e o carro abre-alas da Acadêmicos do Cubango

Lucas Benevides

Enredo - De acordo com os carnavalescos, o enredo deste ano traz uma visão poética do poder dos objetos e como as coisas materiais, através da fé, possibilitam conexões com aquilo que julgamos sagrado. Gabriel e Leonardo dizem que o carnaval deste ano dialoga com o enredo do ano passado, que contou sobre a obra de Arthur Bispo do Rosário, que também é um ex-voto. 

“Aos poucos, as peças foram se encaixando, montando esse quebra-cabeça. Isso gerou algumas situações muito surpreendentes. Eu não sabia que possuía tantos livros sobre essa temática na biblioteca. Então, as coisas foram se desdobrando até chegar na parte criativa, que é mais prazeroso, que é quando você dá vazão à criatividade e constrói o fio narrativo que vai gerar as fantasias, as alegorias, o visual da escola”, detalhou Leonardo Bora.

A criatividade, inclusive, é uma característica da dupla, que usará elementos reais no universo carnavalesco. Entre eles, pipocas de verdade estarão no carro abre-alas e na guirlanda das baianas. A farofa da ala dos ebós também é feita com farinha de verdade. Fitas de Nosso Senhor do Bonfim, compradas e benzidas na Bahia, complementam uma das alegorias. Serragem, argila e outros materiais poderão ser vistos durante a passagem da Cubango pela Passarela do Samba. 

O desfile será dividido em quatro momentos. O primeiro setor relaciona os ex-votos com a história da própria Cubango. Depois de 40 anos, a verde e branco lembra o desfile “Afoxé”, que deu o tetracampeonato quando a escola ainda disputava o carnaval de Niterói.

O carro abre-alas terá um grupo coreografado por Alex Coutinho, que já passou pela Paraíso do Tuiuti e foi passista da própria Cubango. O grupo fará uma performance voltada para a dança afro. 

O segundo carro alegórico sintetiza a mistura do Brasil, com várias religiões e crenças. Neste segundo setor estarão presentes os objetos utilizados pelos fiéis para pedir proteção. 

Os ex-votos, tema central do enredo, surge no terceiro setor. Cada lugar do Brasil com peregrinações religiosas será homenageado, como Juazeiro e Guararapes. Nessa alegoria estarão ex-votos doados pela própria comunidade.  

A exploração da fé pelo interesse financeiro é questionada pela Cubango no último setor, provocando a reflexão do púbico. 

Ficha técnica 

Presidente: Rogério Belisário Carnavalesco: Gabriel Haddad e Leonardo Bora Intérprete: Thiago Brito Mestre-Sala: Diego Falcão Porta-Bandeira: Patrícia Cunha Mestre de Bateria: Demétrius Luiz Rainha de Bateria: Maryanne Hipólito

“Igbá Cubango – A Alma das Coisas e a Arte dos Milagres” 

Compositores: Robson Ramos, Sardinha, Duda Tonon, Anderson Lemos, Ailtinho, Sérgio Careca, Carlão do Caranguejo e Samir Trindade

"Vou buscar pra mim a força do seu axé
Menino babalotim no sagrado afoxé ­
Aos pés do morro fiz o meu terreiro
Onde o padroeiro me protege em seu altar
Atotô eu bato cabeça pra Omulu
Nesse chão tem pipoca pro santo
Oferendas do meu mundo verde e branco

Ê saruê baiana, ê saruê baiana
Gira laguidibá, giram saias e guias                 
Carrega meu patuá em sua sabedoria

Búzios, carrancas e balangandã
Relíquias iluminam meu caminho
Ao meu “padim”, eu amarro a minha fé
A cruz no peito pra me abençoar
Já fiz a promessa, o milagre vai chegar
Em romaria eu agradeci
Desacreditado, acreditei
A cura da alma, o terço na mão
Um coração bordado ao divino rei
Senhor, tem piedade de nó
Eis a oração em nossa voz
Tem gente vendendo ao povo ilusão
Acendo vela, peço salvação

Ko si oba kan ôôôô
Ofi Olorum ôôô Igba
Cubango, meu amuleto
Proteção e amor”

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