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Mangueira é a campeã, Viradouro vice


Verde e rosa liderou durante toda a apuração seguida pela escola de Niterói

Estação Primeira faz festa na Sapucaí

Douglas Macedo

A Estação Primeira de Mangueira é a grande campeã do carnaval 2019.  A verde e rosa obteve 270 pontos, apenas três décimos a mais  do que a segunda colocada, a Unidos do Viradouro. Em terceiro lugar ficou a Unidos de Vila Isabel; em quarto a Portela; em quinto o Salgueiro e em sexto a Mocidade Independente de Padre Miguel. As seis agremiações voltam a desfilar na Marquês de Sapucaí no próximo sábado, no Desfile das Campeãs. A Império Serrano e a Imperatriz Leopoldinense foram rebaixadas e desfilam pela Série A no ano que vem.

Esse foi o 20º título conquistado pela Mangueira, que fica atrás apenas da Portela, que tem 22. O último campeonato da verde e rosa havia sido conquistado em 2016, ao falar de Maria Bethânia. 

 A escola dominou o ranking durante toda a apuração, com uma “chuva” de notas 10. Apenas nos quesitos Alegoria e Adereços, Enredo e Fantasia a Mangueira levou uma nota 9,9 em cada, sendo descartadas no somatório total. 

Em seu quarto ano na Mangueira, o carnavalesco Leandro Vieira conquistou o seu segundo título no carnaval carioca.  Com o enredo “História pra ninar gente grande”, a verde e rosa contou a história do Brasil de um jeito pouco mostrado nos livros escolares. Heróis como Cunhambebe, que liderou os índios tamoios durante a ocupação portuguesa, e Chico da Matilde, que no Ceará liderou um movimento que resultou no fim da escravidão, antes mesmo da assinatura da Lei Áurea, foram alguns dos personagens que encantaram os foliões na Sapucaí. 

A escola também homenageou seus grandes nomes, como o intérprete José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, e a cantora Leci Brandão. Os mangueirenses Nelson Sargento e Alcione representaram na avenida Zumbi dos Palmares e Dandara.

Mangueira levou a Sapucaí ao delírio

Divulgação/RioTur

O desfile - Para contar essa história a Estação Primeira, penúltima escola a desfilar no segundo dia de apresentações do Grupo Especial, levou 3500 componentes divididos em 24 alas e cinco alegorias e dois tripés. O objetivo era mostrar a história pelo olhar dos índios e negros, tratando o Descobrimento pelo navegador Pedro Álvares Cabral como uma invasão portuguêsa. Para isso, a escola começou apresentando os índios, os reais habitantes da terra, representando os anos de chumbo. 

A comissão de frente fez uma referência à vereadora Marielle Franco, assassinada em março do ano passado, representada por uma criança que contracenava com dançarinos fantasiados de índios e negros, representando as etnias esquecidas e renegadas da história do Brasil.

As alas que abriram o desfile mostraram diversos povos indígenas que tiveram participação em lutas por dignidade e importância na libertação dos índios e denunciavam o genocídio indígena, colocando os bandeirantes, que são colocados como heróis nacionais, como inimigos da civilização brasileira. 

Em um carro alegórico sobre os bandeirantes, o sangue escorria dos monumentos, pois em suas expedições muitos indígenas perderam a vida. Em seguida alas lembravam tribos que foram dizimadas sumariamente pelas mãos dos colonizadores.

Após os índios, a verde e rosa trouxe os africanos que foram trazidos para a América para serem escravizados. Alegorias e alas passaram a mostrar a vida do negro e a tentativa de recriar a vida que eles tinham na África através dos quilombos. Depois mostra como a libertação do povo escravizado não se deu por conta da boa vontade da família imperial, mas através de lutas e revoltas.

Escola de Niterói ganhou o Acesso e chegou até a segunda colocação

Douglas Macedo

Explosão de alegria

Nem todos os quesitos haviam sido apurados, mas na quadra da Mangueira a multidão já vibrava aos gritos de “é campeã”. A confirmação do título da Mangueira fez explodir de alegria moradores e integrantes da verde e rosa, que lotaram a quadra da escola e cantaram “a campeã voltou”, enquanto esperavam o troféu.

Durante a apuração na Praça da Apoteose, a energia era a mesma. Torcedores que foram acompanhar de perto a leitura dos quesitos vibraram das arquibancadas.

O carnavalesco Leandro Vieira resumiu o sentimento da “nação Mangueira”. 

“Estes homens e estas mulheres aqui são os heróis do meu enredo que merecem sempre ser exaltados. Aqui mora o que tem de melhor neste país”, comemorou o bicampeão pela Mangueira, que criticou o presidente Jair Bolsonaro, diante do seu posicionamento sobre o carnaval. 

“É um recado político para o país todo, que tem que entender que isso aqui é importante. É um recado político também para o presidente mostrar que o carnaval é isso aqui. É a festa do povo. O carnaval é cultura popular. O carnaval não é o que ele acha que é”, disse.

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