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Sinfônica Ambulante completa oito anos de carnaval em Niterói


Grupo de fanfarra prepara comemorações e faz ensaio aberto neste domingo

Sinfônica Ambulante já tem tradição de desfilar em Icaraí no sábado pós-carnaval, arrastando multidão pelo bairro

Foto: Paulo Márcio Gomide / Divulgação

Trompetes, trombones, flautas, tuba, surdos e caixas reunidos em um som para lá de democrático. Tudo isso com um toque de irreverência, cor e alegria, que só a Sinfônica Ambulante tem. Essa é a receita para arrastar e conquistar foliões de Niterói e todo o Rio de Janeiro. Na temporada pré-carnavalesca, o grupo de fanfarra já marca presença nas ruas, comemorando oito carnavais de puro sucesso. Neste domingo, eles se reúnem num ensaio aberto ao pôr do Sol da Praia de Piratininga, na Região Oceânica. 

Dos seus 23 músicos colocando seu primeiro bloco na rua em 2012, Edison Matos, um dos fundadores do bloco, não imaginaria que hoje, oito anos depois, mais de 120 pessoas integrariam a banda que leva alegria por onde passa. A Sinfônica Ambulante colhe os frutos do seu irreverente carnaval, com shows em diferentes pontos do estado, e já é presença esperada do outro lado da Ponte. Em Niterói, o encontro está marcado no sábado pós-carnaval, na Praça Getúlio Vargas, em Icaraí, a partir das 14h. 

“Todo o mundo já sabe que a gente vai para o Rio em um dia de carnaval. É muito bacana, porque a gente consegue fazer o nosso desfile extraoficial. Temos feito muitos shows pelo estado do Rio. Fizemos esse ano já em Duas Barras, Resende, vamos para Maricá, Barra Mansa”, conta Edison. 

Do brega ao funk, do rock ao sertanejo, a Sinfônica atrai pessoas de todas as idades e classes sociais. Esse espaço democrático se estende aos protestos políticos, resgatando a essência dos antigos carnavais, que exaltavam a manifestação do povo. 

“Carnaval é manifestação popular, de arte, de cultura e política. A gente apoia essa ideia dos movimentos de protesto no carnaval do Rio de Janeiro. Estar nas ruas, tocando, também é fazer política. Não é aquela política suja, que estamos acostumados a ver por aí, mas é um ato de resistência, de valorização da cultura, é um ato de valorização da música e do próprio carnaval de rua. Estar ali, em praça pública, sem cobrar nada, tocando músicas tradicionais e músicas modernas, e resgatando a cultura popular de 100 anos atrás. Isso é importante, tem seu valor histórico e a Sinfônica Ambulante com certeza coloca a cara na rua para fazer bonito”, declara o representante do bloco.

O sucesso nas ruas se reflete na grande procura por uma vaga na Sinfônica. Todo ano, logo após o carnaval, o grupo inicia suas oficinas. Comemorando seu quarto ano, as aulas surgiram a partir da demanda de amigos e fãs, que queriam não só fazer parte do grupo, mas aprender a tocar os instrumentos utilizados na banda. Segundo Edison, nesta edição, as aulas já bateram o número de 100 alunos, que também anseiam pela chegada do carnaval. 

“Desenvolvemos um método na oficina de fazer a galera tocar e acompanhar a gente no carnaval. A banda da Sinfônica ensaia o ano inteiro, faz muitos eventos. Nos períodos de ensaios, chegavam mais pessoas para tocar com a gente. Mas, chegou uma hora que surgiu a demanda de pessoas querendo aprender”, explica. 

Tamanha ascensão rendeu ao grupo carnavalesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Rio de Janeiro, em novembro do ano passado.

“Não foi uma coisa que surgiu a partir de nós, então é muito bacana ver esse reconhecimento”, orgulha-se Edison.

 
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