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Arrastão dentro de condomínio

Bandidos armados saqueiam três casas em Itaipu e fazem moradores reféns por cerca de duas horas

Peritos estiveram no condomínio de quatro casas em Itaipu em busca de evidências que possam levar aos assaltantes. Nos imóveis, eles recolheram impressões digitais e outras pistas

Foto: Marcelo Feitosa

Moradores de três casas de um condomínio de quatro imóveis no bairro Peixoto, em Itaipu, foram feitos reféns por três criminosos armados, por cerca de duas horas, durante um assalto na noite do último domingo de Páscoa. Somados, os prejuízos das vítimas ultrapassam R$ 300 mil. Uma delas, um programador de computador, contou que os bandidos levaram cerca de R$ 200 mil em projetos de programação e aplicativos que estavam em sua residência. Apavoradas com a violência, as três famílias que foram assaltadas e também a única que não foi já deixaram seus imóveis e disseram que não pretendem mais morar no condomínio.

O primeiro a ter a casa invadida foi um geólogo de 34 anos. Ele, a esposa - uma arquiteta de 25 anos - e o cunhado foram feitos reféns dentro de casa. Os bandidos entraram no condomínio após renderem o cunhado, por volta das 19h30, no momento em que ele deixava o condomínio pelo portão da garagem. A vítima foi obrigada a retornar para o interior do condomínio.

“Três homens estavam escondidos do outro lado do muro. Quando meu cunhado saiu com o carro, eles já o renderam e mandaram retornar. Entraram na minha casa, sendo que só um deles estava armado. Na cozinha pegaram algumas facas e nos ameaçavam com elas. Eles foram revirando o quarto inteiro. Levaram documentos, roupas, relógios, aparelhos eletrônicos, televisores. Botaram tudo em quatro malas e ainda puseram no meu carro que também foi levado”, contou o geógrafo, bastante abalado. 

Ele ainda disse que foi obrigado pelos bandidos a chamar o vizinho para que os criminosos conseguissem invadir a casa dele também. Segundo o geógrafo, toda a ação foi muito silenciosa para evitar que os outros moradores percebessem o crime e entrassem em contato com a polícia.

“Quando saímos da minha casa, eles [os criminosos] deixaram minha esposa e meu cunhado presos no banheiro. Fui andando até a casa do meu vizinho e eu tive que chamá-lo. Pedi para que ele descesse porque queria conversar com ele. Enquanto ele ia ao meu encontro, os bandidos ficaram escondidos. Assim que ele apareceu, também foi rendido. Pedi que ele tivesse calma e depois disso me obrigaram a voltar ao banheiro, onde fiquei preso por uns 30, 40 minutos, até que abrissem”, contou.

A segunda família a ter a casa invadida estima um prejuízo de R$ 7 mil, fora o carro que também foi levado. O morador contou que os criminosos, assim que o abordaram, colocaram uma faca em seu pescoço e exigiram dinheiro. A vítima foi obrigada a pôr seus bens em seu próprio carro, que também foi levado pelos criminosos. 

“Moramos em um lugar que acreditávamos que era mais tranquilo. Mas temos a falsa sensação de segurança. Fizeram diversas ameaças psicológicas contra mim. Levaram em dinheiro cerca de R$ 1,8 mil, além de vários eletrônicos e materiais de trabalho. Quando estavam saindo, um deles queria me trancar no banheiro, mas como não tem trinco, eles disseram que iam me levar para outra casa”, lembrou.

Os criminosos, então, invadiram a terceira casa, acreditando estar vazia. Mas quando recolhiam o que podiam na sala de estar, o dono - que estava em outro cômodo - percebeu a movimentação e, ao se aproximar, viu um dos criminosos apontar a arma para ele, anunciando o assalto. A vítima conseguiu correr e se trancar no quarto, de onde ligou para a polícia.

“Eu estava deitado no meu quarto. Ouvi um barulho estranho e fui ver o que era. Pela fresta da porta, percebi que a luz estava acesa, sendo que eu havia deixado apagada. Quando me aproximei um pouco, vi um homem que apontou a arma para mim gritando ‘perdeu’. Eu saí correndo, tranquei a porta do quarto e me escondi no banheiro. Liguei para a polícia na mesma hora relatando a situação. Enquanto isso, eles reviraram minha sala levando tudo o que podiam, inclusive todos os projetos de computação que estão avaliados em uns R$ 200 mil. Ainda não sei como fazer para dar seguimento aos trabalhos”, desabafou.

Durante o dia, peritos estiveram no condomínio procurando indícios que possam levar aos criminosos. Digitais foram colhidas em vários objetos manuseados pelos bandidos. Câmeras de segurança gravaram toda a ação. As imagens já foram solicitadas pela 81ª DP (Itaipu), que investiga o caso.

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Marcio Rocha, disse que está acompanhando o aumento na incidência criminal na Região Oceânica.  

“Temos o patrulhamento normal, mas devido aos últimos indicadores aumentamos o policiamento e estamos direcionando mais viaturas. Estamos acompanhando esta ocorrência”, declarou. 

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Comentários

RUBENS R G TEIXEIRA
O que mais gosto são as respostas patéticas dos responsáveis pela segurança de nisso estado. ...Estamos acompanhando o crescimento dá violência na região oceânica.....Ah, e aí? Quando é que vai combater os criminosos? Fala sério!!!
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