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Caminho para escola exige novos cuidados e atenção

Instituições de ensino adotam medidas de segurança e cobram mais policiamento das autoridades

Estudantes e pais de alunos têm alterado a rotina e passaram a tomar mais cuidado no trajeto diário para a escola, para não serem alvo de assaltos

Evelen Gouvêa

A busca por mais segurança em Niterói está mudando a rotina de algumas instituições de ensino, envolvendo pais e alunos e até comerciantes. Além de pedirem mais policiamento às autoridades e, em alguns casos, investirem em segurança privada, escolas estão também distribuindo circulares para os pais e responsáveis com dicas de como evitar a ação de assaltantes. Inclusive, moradores e comerciantes estão se unindo ao 12º BPM (Nierói) na tentativa de mudar o quadro. Em Santa Rosa e São Francisco, a união de esforços e o diálogo com a Polícia vai garantir o reforço no patrulhamento. 

Os alertas das escolas vão desde a questão logística de entrada e saída dos alunos até o pedido de atenção por parte dos pais com o trajeto dos estudantes. No Maia Vinagre, na Rua Noronha Torrezão, em Santa Rosa, a direção solicita que os pais deem preferência ao portão na Rua Noronha, onde um funcionário cuida de maneira ininterrupta do acesso, além de existir uma área de convivência e espera no local.

Perto dali, no Pé Pequeno, o Centro Educacional de Niterói alerta os responsáveis sobre assaltos e informa que está acionando o poder público no sentido de aumentar o efetivo de policiais militares e guardas-municipais no patrulhamento do entorno. Na última semana, em função disso, de acordo com o comandante do 12º BPM, coronel Márcio Rocha, o bairro ganhará reforço de uma viatura a partir do próximo mês - medida tomada após uma reunião onde os moradores se ofereceram para consertar o veículo, uma espécie de parceria. “Solicitamos aos responsáveis que evitem a exposição desnecessária no entorno da escola, aguardando no espaço de espera que a escola possui”, alegou em nota o Instituto.

Em Icaraí, a situação não tem sido muito diferente. A mãe de uma estudante do Instituto Abel conta que a filha de 14 anos já foi assaltada duas vezes em menos de um mês. O último crime ocorreu na semana passada, na Rua Erotides de Oliveira, enquanto a menina seguia para escola.

“Minha filha vive com medo nas ruas. Na primeira vez, levaram sua bicicleta. O segundo assalto ocorreu quando um homem exigiu dinheiro e celular. Com medo, ela entregou os cerca de R$ 70 que tinha. Precisamos de ações efetivas da polícia”, desabafou.

A direção do Abel informou que “já pratica medidas de segurança há muitos anos, como segurança posicionadas em esquinas e circuito de câmeras na unidade, tanto dentro quanto nos portões”.

No entorno do Instituto Gaylussac, em São Francisco, também falta segurança. Há dois meses a mãe de um aluno teve o carro levado por criminosos armados de fuzil, quando buscava o filho na escola. Os frequentes crimes na região também levaram a direção a tomar medidas. De acordo com Luiza Sassi, diretora pedagógica da unidade, é preciso unir forças.

“Estamos vivendo um momento muito delicado na nossa cidade. Ciente disso, o GayLussac tem tomado, dentro dos limites de uma instituição privada, ações efetivas de segurança para nossos alunos e a comunidade em geral”, declarou.

Comerciantes do Polo Gastronômico da região, também preocupados com a situação, anunciaram no início do mês uma doação de 12 bicicletas para o 12º BPM (Niterói). O objetivo é reforçar o patrulhamento no bairro com rondas ao longo do dia, tanto nas ruas internas quanto na orla da Praia de São Francisco.

No fim de julho, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado do Rio de Janeiro (Sinepe-RJ) promoveu reunião entre gestores de escolas particulares e o comandante do 12º BPM, entre outras autoridades. Para a diretora financeira Marcela Bittencourt, é imprescindível que haja união entre escolas privadas e as instituições para que seja intensificada a segurança no entorno das escolas.

“Estamos traçando estratégias para intensificar a segurança no entorno das escolas privadas. Já temos o apoio da Polícia Militar e estamos estudando medidas para estreitar ainda mais a parceria público-privada. Niterói vivencia graves problemas de segurança e acreditamos que devemos ampliar a comunicação para que as escolas possam acionar a segurança pública quando necessário”, explica Marcela.

A prefeitura informou que a Guarda Municipal, incluindo a Patrulha escolar, dá apoio à Polícia Militar. O trabalho da Guarda faz parte de toda uma estratégia que a Prefeitura de Niterói vem adotando nos últimos tempos para dar apoio ao governo do estado no combate a violência na cidade.

“Entre as ações está o Proeis, Programa através do qual tem se chegado a mais de 100 policiais militares nas ruas diariamente”.

A Prefeitura também implantou o Cisp com câmeras e Portais de segurança monitorando a cidade 24 horas por dia. As rondas da patrulha escolar são feitas em diversos bairros e caso alguma escola necessite, pode acionar as equipes através do número 153 da Guarda Municipal que funciona no Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp).

O comandante do 12º BPM, diz que a relação com as escolas está funcionando e isso se deve às reuniões periódicas do Conselho Escolar de Segurança, que tem servido como orientação e retorno a policias e representantes escolares. Ele cita também a comunicação pelo WhatsApp e redes sociais.

“Nossa principal estratégia nesse momento são as reuniões do conselho escolar de segurança, que vêm a cada dia permitindo um estreitamento de laços com as escolas e forças da cidade. O intuito é deixar o policial informado, para que dê quase que 24 horas por dia de atenção a essas escolas. O retorno tem sido positivo nesse sentido, a sensação de segurança tem aumentado segundo os representantes escolares. Estamos mais próximos do que nunca, não só por telefone, mas também através das redes sociais”, explica. 
 

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Comentários

Elson Luiz
Chegamos em um momento em que ou o Estado toma conta ou os bandidos farão esse papel!
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