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Campanha eleitoral em escola de Icaraí vai parar na delegacia

Estudantes dizem que foram agredidas pelo diretor, candidato à reeleição

Adolescentes registraram queixa contra o diretor na Deam de Niterói

Foto: Douglas Macedo

Duas alunas do 3º ano do ensino médio acusam o diretor do Colégio Estadual Manoel de Abreu, em Icaraí, de agressão verbal e física. O caso, segundo elas, aconteceu na manhã de terça-feira (18), mas só foi registrado nesta quinta-feira (20) na Delegacia de Atendimento à mulher (Deam), de Niterói, onde foi feito um boletim de ocorrência pelos crimes de injúria e lesão corporal.

Segundo o registro policial, a denúncia é de que o professor teria colocado “dedo na cara”, gritado e dado tapas e empurrões nas estudantes. Além disso, teria chamado as meninas de “lixo” na frente de vários alunos e professores da escola.

A motivação teria sido política. Segundo as adolescentes, a agressão aconteceu durante uma atividade da campanha eleitoral para a escolha da nova direção da escola. As vítimas, que integram a comissão eleitoral, afirmaram em depoimento que foram agredidas em resposta à tentativa de alertar o diretor que ele havia extrapolado o limite de dez minutos para a apresentação da chapa pela qual concorre pela reeleição. Além disso, também teria desrespeitado a diretriz de não atacar a chapa oponente, encabeçada por uma professora. 

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal de Niterói, a vereadora Talíria Petrone (PSOL) acompanhou as adolescentes na delegacia. “Não bastasse o crime representado pelas violências física e verbal, de conotação notoriamente machista, esse diretor de escola ainda expôs essas meninas a vexame e a constrangimento, o que também é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Esse diretor agiu na contramão do seu papel de educador. É para tentar impedir que aconteçam situações como essa que lutamos por uma escola comprometida com a formação em direitos humanos e com a luta contra o machismo, racismo, LGBTfobia e outros preconceitos”, declarou. 

A Secretaria de Estado de Educação informou em nota que “caso será analisado pela Comissão Organizadora do processo consultivo e pelo Conselho Escolar, que estão acompanhando e fiscalizando a consulta pública para diretores na Escola Estadual Manuel de Abreu e em toda a rede estadual de ensino”. Procurado, o diretor não foi encontrado para se pronunciar sobre as acusações. 

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