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Barbárie contra a vida em São Gonçalo

Três membros da mesma família, entre eles uma criança de 9 anos, foram mortos a tiros na madrugada desta sexta-feira

Wagner, Geovanna e Soraya foram mortos dentro de casa

Foto: Reprodução / Facebook

Um crime bárbaro chocou os moradores na Rua Aurélio Pinheiro, no Barro Vermelho, em São Gonçalo. Três pessoas da mesma família, entre elas uma criança de nove anos, foram mortas com tiros à queima-roupa enquanto dormiam na madrugada desta sexta-feira (17). De acordo com a Divisão de Homicídios (DH) de Niterói, que investiga o caso, as vítimas Soraya Gonçalves de Resende, de 37 anos, sua filha, Geovanna Resende Salgado, de apenas 9 anos, levaram um tiro cada uma na cabeça.

Já Wagner da Silva Salgado, de 42 anos, acordou com os disparos e entrou em luta corporal com o autor, no entanto, ele levou três tiros na cabeça e ficou caído no chão do apartamento. Ainda com vida, Wagner foi encontrado por dois vizinhos que saíam para trabalhar. O resgate foi acionado e a vítima foi encaminhada para o Hospital Estadual Alberto Torres (Heat), no Colubandê, mas não resistiu e morreu ainda na manhã desta sexta.

O delegado titular da DH, Fabio Barucke, descartou a hipótese de latrocínio, pois segundo ele nada do imóvel foi levado por quem cometeu o crime. As investigações apontam para um crime ligado a algum interesse particular, pois havia uma briga na família por partilha de bens. “Estamos trabalhando com prioridade neste caso. A hipótese mais provável estaria ligada a algum interesse particular. Sabemos já que a família tinha uma briga judicial por partilha de bens e isso já está sendo investigado. Para executar uma criança de 10 anos é necessário muito ódio ou algo que a morte dela possa representar, como uma herança por exemplo”.

Barucke ainda ressaltou que vários elementos foram retirados do apartamento, que irão ser periciados. Segundo o delegado, não havia sinais de arrombamento na porta. “Provavelmente o autor tinha a chave e conhecia a rotina da casa. Esta informação é muito relevante para a investigação. Vários elementos foram recolhidos e todas as equipes saíram em diligência para buscar imagens de câmeras de segurança que possam ajudar na identificação dos autores do crime”, disse.  

Amigos, parentes e vizinhos não acreditavam na barbaridade do crime. Wagner, que era advogado e diretor-presidente de Eventos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Gonçalo, não tinha inimigos, segundo um vizinho. O morador que prestou os primeiros socorros relatou que durante a madrugada ninguém no prédio ouviu disparos ou gritarias. Ele acredita que a família foi executada. “Um vizinho nosso acorda muito cedo para trabalhar e eu também. Quando estávamos saindo de casa, vimos a porta da casa dele [Wagner] aberta. Ouvimos um gemido e entramos na casa. Encontramos ele caído ao chão, ainda com vida. Já a esposa e filha estavam mortas. Na mesma hora ligamos e pedimos socorro. Nesse meio tempo, corri e fui chamar os policiais que ficam na praça aqui perto”, explicou.

Durante o dia, diversos amigos do advogado não paravam de chegar. Todos estavam muito perplexos com o que havia ocorrido com o colega de trabalho. As mães das vítimas, sendo que uma delas mora no apartamento embaixo da filha, ainda não haviam sido informadas sobre o crime.

Fátima Regina, de 50 anos, que trabalhava na residência do casal há pelo menos 11 anos, bastante abalada disse que não conseguia acreditar ainda no crime. Segunda ela, a família era muito unida e fazia tudo junto sempre. “Eu vi a Soraya grávida. Cuidei da Geovanna desde o seu nascimento. Já me sentia como parte da família. Eu fiquei doente durante um tempo e eles me ajudaram muito comprando meus remédios. Agora fica apenas a tristeza e uma dor muito grande. Me preocupa muito também é como as mães deles vão receber a notícia, pois elas já têm idade”, disse.

O presidente da OAB-SG, Eliano Enzo, de 47 anos, ainda muito perplexo com o crime, disse que não há nada no mundo que justifique uma barbárie como esta. “Ele [Wagner] nunca relatou nenhum tipo de ameaça contra ele ou a família. Sempre foi muito bem-visto por todos e era muito conhecido na OAB. A esposa e a filha acompanhavam ele em tudo o que fazia. Estamos chocados e sem palavras ainda para entender o que aconteceu”, disse.

Enzo ainda ressaltou que o Wagner estava na OAB com ele há pouco mais de um ano desde que ele assumiu a presidência da entidade. “Os casos que ele defendia eram cíveis. Ele não fazia a área criminal. Não consigo nem dizer que este crime foi uma fatalidade, pois estávamos diante de um crime bárbaro, contra a vida de uma família inteira”, disse. 

O velório da família será a partir das 12h, na sede da OAB-SG, na Rua Euzelina, nº 100, no bairro do Zé Garoto. Já o enterro está marcado para as 17h, no Cemitério São Gonçalo. 

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