Assine o fluminense

Ladrões de olho nas ‘magrelas’

Niterói já ocupa o 9º lugar no ranking de cidades com maiores números de roubos e furtos de bicicletas

Câmeras de segurança na Rua Tupis, em São Francisco, registraram o momento em que dois bandidos roubam uma bicicleta. Eles chegam ao local, disfarçam e conseguem arrancar o veículo, que estava preso a uma árvore por uma corrente

Foto: Reprodução

Uma bicicleta é deixada por um ciclista junto a uma árvore na Rua Tupis, em São Francisco, às 9h40. Em menos de 10 minutos, dois homens serram a tranca, furtam o veículo e fogem como se nada tivesse acontecido. O crime, ocorrido no último dia 27, entrou para uma triste estatística. Segundo dados do site bicicletasroubadas.com.br, utilizado por ciclistas, o município ocupa o 9º lugar no ranking de cidades com maiores números de roubos e furtos de bicicletas em todo o País. Foram 43 furtos já contabilizados neste ano e seis roubos, totalizando 49 crimes. Niterói está atrás apenas de grandes cidades como o Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. 

Embora os números informados pelo site sejam subnotificados, já que muitas vítimas não informam sobre os crimes e nem mesmo chegam a registrar queixa na delegacia, ainda são maiores que os divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP). De acordo com o órgão, foram 22 furtos e quatro roubos na área da 77ª DP (Icaraí) e nove furtos e um roubo na região da 76ª DP (Centro). Nas demais delegacias de Niterói não foram registrados roubos e furtos dos “camelos”.

O ISP só passou a computar os dados de roubos e furtos de bicicletas em junho de 2015, depois da morte de um ciclista no bairro da Lagoa, na Zona Sul do Rio, assassinado por menores que roubaram sua bike. Entre as críticas dos ciclistas que tiveram suas bicicletas levadas, estão dois fatores: burocracia para fazer o registro de ocorrência e falta de policiamento.

Alunos do Icarahy Canoa Clube, localizado na Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, uma das vias mais movimentadas de Icaraí, na Zona Sul, contam que os furtos de bicicletas se intensificaram nas últimas semanas. “Ao longo deste mês de maio, o clube e seus alunos tiveram vários objetos furtados e eu fui uma das vítimas, ficando sem minha bicicleta. Uma viatura policial que ficava situada na orla da praia foi retirada, o que aumentou o número de furtos e a sensação de insegurança. Ademais, alguns alunos e um dos donos do clube foram à delegacia para fazer o registro de ocorrência, porém, após horas de espera, foram impossibilitados de realizar o boletim de ocorrência, sob o argumento de que precisariam das notas fiscais dos objetos furtados”, critica a aluna Ivana Perez. 

Outra aluna também criticou a burocracia enfrentada nas delegacias para o registro das ocorrências. “Atualmente, os bandidos resolveram furtar também as bicicletas e pertences do pessoal que faz aula de remo em frente à Rua Belizário Augusto. As aulas acontecem às 6h da manhã e, ao retornarem da água, às 7h, já não encontram as bicicletas. Têm sido dois ou mais furtos por semana. Ninguém faz nada. Uma das pessoas foi à delegacia e foi solicitada a apresentação de nota fiscal de compra para poder fazer o registro de ocorrência”, conta.

Mudança de hábito – Funcionários do Colégio Centrinho, localizado no Pé Pequeno, na Zona Sul, informaram que a unidade mudou sua logística para atender aos alunos. Um bicicletário localizado na parte externa da escola teve o seu lugar alterado para o interior da unidade. Segundo os alunos, a mudança ocorreu depois de, pelo menos, três furtos no final do ano passado. “Eu deixava a bicicleta aqui, mas depois que uma aluna do segundo ano teve a bicicleta furtada, fiquei com um pouco de medo. Agora meu pai me pega e me traz para a escola”, diz um estudante do oitavo ano.

Grupos de ciclistas, como o Transporte Ativo, se mobilizaram para elaborar uma cartilha destinada aos ciclistas, informando como se prevenir contra os roubos. Esse manual contém as práticas mais comuns dos roubos e como proceder para tentar evitar a ação dos bandidos. O documento pode ser encontrado no site www.transporteativo.org.br. “A gente tenta diversas medidas para evitar os roubos. Apesar dessa tentativa, o correto é que ninguém reaja a um assalto. O mais importante é registrar ocorrência”, diz o ciclista Marcelo Seixas. 

Clique aqui e saiba como evitar ter a sua bicicleta roubada.

Bicicletário funciona das 6h às 23h nos dias de semana e das 7h às 18 aos sábados

Foto: Leonardo Simplício / Prefeitura de Niterói

Bicicletário evita prejuízos 

A Prefeitura de Niterói inaugurou no final de março o bicicletário Arariboia, localizado ao lado da Estação das Barcas do Centro. A medida, além de atender a uma reivindicação dos ciclistas que não tinham onde deixar as bicicletas, vai ao encontro de outra reivindicação dos moradores: um local seguro contra roubos e furtos.

O espaço funciona de segunda-feira a sábado, das 6h às 22h, conta com 416 vagas e os usuários não pagam nada para estacionar as bikes. Além das vagas verticais e horizontais, o bicicletário dispõe de tomadas para bicicletas elétricas, bomba para calibrar pneus, câmeras de segurança, banheiro e bebedouro. Para guardar a bike, o ciclista precisa se cadastrar. É só levar documentos de identificação e comprovante de residência. 

De acordo com Isabela Lêdo, coordenadora do Programa Niterói de Bicicleta, com a abertura do bicicletário, o número de ciclistas na cidade aumentou ainda mais. “Todo mês fazemos uma contagem de ciclistas na Amaral Peixoto para verificar se as iniciativas da prefeitura estão incentivando o uso das bicicletas, e constatamos esse aumento”, disse Isabela, apontando que, de abril até maio, o número de ciclos por hora subiu 36%.

Segundo ela, mais seis bicicletários deste porte serão instalados em estações do BHS. Em toda a cidade são mais de 1,2 mil vagas para bicicletas. O número é proporcional à quantidade de ciclistas que, segundo a prefeitura, subiu cerca de 300% em pouco mais de três anos e meio, desde que o levantamento passou a ser executado pelo município. 

Popularização aumenta registros 

Segundo os dados do Bicicletasroubadas.com.br, houve aumento no número de furtos e roubos de bicicletas ao longo dos últimos oito anos na cidade. Em 2009 foi apenas um registro, enquanto em 2016 foram nove. Especialistas apontam que o aumento foi proporcional ao crescimento de bicicletas na cidade. Na última semana, em apenas uma hora, o grupo Mobilidade Niterói registrou 238 bicicletas trafegando na ciclovia da Avenida Ernani do Amaral Peixoto.

No mesmo período de maio de 2016 foram 105 bicicletas no mesmo local e horário. O número é 126% maior. “Com o aumento de ciclovias na cidade, houve um aumento de pessoas que optaram por deixar o transporte individual em casa e trocar pela bicicleta. Além de ser mais econômico, é também mais saudável. Certamente o deslocamento na cidade por meio de bicicletas aguçou os olhares dos criminosos. Por isso é importante investir em bicicletários que possam trazer mais segurança na cidade”, analisou o engenheiro de transportes Marcos Caruso Rosa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

No mapa de furtos e roubos do site, a maior concentração dos crimes foi em Icaraí, com registros na Rua Coronel Moreira César, Avenida Jornalista Alberto Francisco Torres, Gavião Peixoto, Lemos Cunha e Mariz e Barros. Já no Centro, os registros de furtos foram na Rua Doutor Celestino e Rua XV de Novembro.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

João Pedro
Não consigo entender uma delegacia policial solicitar nota fiscal para fazer registro de ocorrência, além da ineficiência, criam regras que não existem e indiretamente ajudam a não termos informações precisas. Aonde vamos parar!?
Vote up!
Vote down!

: 0

You voted ‘up’

Scroll To Top