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Mais tiroteios após Intervenção militar

Segundo análise divulgada pela plataforma Fogo Cruzado, Niterói registrou aumento de 5% nos confrontos

Nos 100 primeiros dias do ano, Niterói ficou em quarto lugar no Estado, com 138 registros de tiroteios.

Foto: Divulgação
 

Após dois meses de Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, a realidade dos municípios ainda é considerada por especialistas como preocupante. E pior, no que se refere a confrontos, os dados são ainda mais graves. Pelo menos é o que aponta a plataforma de dados sobre violência Fogo Cruzado, que registrou aumento de 5% no número de troca de tiros em Niterói após o início da intervenção, comparado com os dois meses anteriores. Foram 76 no período pré-intervenção contra 80 durante.

O município ficou em quarto lugar em todo o Estado em relação ao número de tiroteios durante o período, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, São Gonçalo e Belford Roxo. Abaixo de Niterói ficou Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, que registra diariamente confrontos entre traficantes de drogas e milicianos pelo controle de tráfico de drogas e serviços a moradores.

O especialista em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marlon Otoni diz que é preciso haver relatórios públicos sobre as ações dos militares, mas ele acredita que em relação ao aumento das trocas de tiros as operações conjuntas entre as forças policiais e militares podem ter relação com os registros. 

“A importância desses relatórios é porque ajudariam na análise, para saber se havia alguma incursão militar. De qualquer forma, o crescimento [dos tiroteios] no Estado pode sim ter relação com as ações, até mesmo porque houve diversas incursões de reconhecimento das localidades em que esses militares atuam”, analisa o especialista.

A Secretaria de Segurança do Estado do Rio informa que não comenta os dados do Fogo Cruzado por não serem oficiais. A secretaria analisa somente os dados do ISP (Instituto de Segurança Pública), levantados a partir dos registros nas delegacias. 

Santa Rosa: líder em disparos

O levantamento feito pela plataforma Fogo Cruzado, que trata do número de tiroteios de janeiro a março deste ano em Niterói e São Gonçalo, também mostra que, juntos, os dois municípios registraram 352 trocas de tiros. Ao todo 106 pessoas morreram e 63 ficaram feridas nos confrontos. O bairro que mais teve ocorrências do tipo foi Santa Rosa, com 27, seguida de Barreto (21), Jardim Catarina (20), Engenhoca (15), Amendoeira (13) e Fonseca (13).

Outros bairros considerados violentos em São Gonçalo, como Salgueiro e Anaia, registraram oito e três tiroteios, respectivamente. 

Os dados surpreenderam especialistas em Segurança Pública, sobretudo porque os bairros como Salgueiro, que sofre com constantes operações por conta de roubos de carga, assim como Jardim Catarina, o maior bairro de São Gonçalo e que sofre com a guerra pelo controle de território entre milicianos e traficantes de drogas, tiveram menos confrontos do que o bairro da Zona Sul de Niterói.

“Jardim Catarina tem pelo menos três disputas territoriais, traficantes rivais e milicianos, além da ação de quadrilhas especializadas em roubos de carga. Já o Salgueiro é um dos piores locais em termos de domínio de traficantes, tanto que as operações no local só acontecem com o reforço de polícias especializadas. Podemos tentar entender esse fenômeno de Santa Rosa liderar o ranking por causa da quantidade de localidades dominadas por traficantes. Apenas na Mário Viana, principal via, temos de quatro a cinco áreas dominadas por tráfico”, explica o especialista. 

 
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