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Niterói vira novo entreposto do tráfico internacional de armas

Fuzis contrabandeados passam pela cidade antes de abastecer o tráfico no Rio

Policiais da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) do Rio de Janeiro prenderam Sebastião Braz da Fonseca Neto, de 49 anos, em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste da cidade. Ele é acusado de tráfico internacional de armas. Segundo a polícia, fuzis oriundos do exterior eram levados para Niterói, de onde as armas eram repassadas para favelas do Rio. 

Havia contra o acusado um mandado de prisão pendente expedido pela Justiça Federal. Sebastião já tinha uma condenação de sete anos e seis meses de reclusão. O titular da Desarme, Fabrício Oliveira, disse que a prisão do acusado, na noite de sexta-feira, foi a conclusão de uma série de diligências na região que os agentes fizeram ao longo dessa semana. 

“A gente percebe, que em razão de as penas não serem muito elevadas, isso acaba estimulando esse tipo de crime. Muitas pessoas que já foram presas em situação de tráfico de armas continuam praticando esse tipo de crime e continuam integrando organizações criminosas. Então, para a gente é muito importante capturar essas pessoas”, disse.

Sebastião tinha sido preso em 2010, na BR-262, entre Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul, na companhia de Francisco Ferreira Moura, de 43 anos, quando transportava sete fuzis Bushmaster, modelo M-15, fabricados nos Estados Unidos. Na ocasião, eles se identificaram como pastores de uma igreja evangélica. 

“Ele estava em liberdade e considerado foragido com esse mandado de prisão em aberto”, destacou Oliveira.

As investigações mostraram que os fuzis foram comprados na Bolívia e seriam entregues no Morro do Martins, em Niterói. Pela operação, os criminosos receberiam R$ 20 mil.
“Tinha integrantes da quadrilha que moram em Niterói. A gente sabe que muitas vezes os fuzis chegavam e iam direto para Niterói, de onde eram distribuídos para diversos locais do Rio, inclusive, diversas facções e diversas comunidades. Eles eram, na verdade, grandes traficantes de armas e para eles não interessava qual era a facção ou qual era a localidade. Queriam vender as armas e lucrar altos valores com o tráfico”, disse o delegado.

De acordo com Oliveira, as investigações avançam para apurar o envolvimento de Sebastião Braz com outros traficantes de armas. “Há indícios de que ele pertencia a uma organização criminosa de tráfico internacional de armas e as pessoas que compõem essas organizações não param de exercer as atividades ilícitas, então, isso demonstra a importância dessa captura”, afirmou.

Fabrício Oliveira disse também, que, em princípio, não há informação sobre um possível relacionamento de Sebastião Braz com o traficante brasileiro que mora em Miami, nos Estados Unidos, envolvido na operação para exportação de 60 fuzis de alto poder bélico apreendidos, no início deste mês, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão/Tom Jobim. “Em princípio, o que demonstra para a gente é que são esquemas diferentes para trazer armas para o Rio de Janeiro”.

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