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Combate a milícias em Maricá e SG termina com 13 detidos

Em escuta, miliciano diz que precisará do apoio de ‘vereador amigo’ para agir no Minha Casa Minha Vida

Acusados de integrar milícias foram presos pela polícia

Marcelo Feitosa

Treze pessoas foram presas, nesta segunda-feira (24), durante operação desencadeada pela Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói e do Ministério Público, acusadas de integrar duas milícias que atuam em São Gonçalo e uma que age em Maricá.

Cinco outros acusados de integrar o bando já estavam presos, um deles, apontado como líder de um dos bandos que agem em São Gonçalo. Ele comandaria o esquema de dentro de Bangu 9. A polícia estima que as duas milícias que agem no município faturem R$ 1,2 milhão por ano. Em Maricá, um PM acusado de comandar a milícia local e que estava em prisão domiciliar foi levado para a cadeia. 

Segundo a polícia, embora as três milícias tivessem comandos distintos, seus integrantes costumavam atuar em mais de uma delas. Em São Gonçalo, uma das milícias atua no Porto Velho, Porto Novo e Pontal. A outra, no Engenho Pequeno e Zumbi. A milícia de Maricá atua em Itaipuaçu e Inoã. As lideranças, de acordo com a polícia, foram presas na operação. 

A delegada Bárbara Lomba, titular da DH, conta que as investigações tiveram início em dezembro passado, quando a 73ª DP (Neves) apurava homicídios em sua região. Um dos acusados, segundo ela, que já acumulava 20 homicídios, foi preso em fevereiro por porte ilegal de arma. 

“Começamos as interceptações telefônicas por ele e a partir daí chegamos rapidamente na liderança do primeiro grupo criminoso. Ele foi o primeiro alvo importante identificado em vários inquéritos de homicídio, onde apuramos que ele era o autor. Ele prestava serviço para as duas milícias de São Gonçalo. A prisão de um outro autor de homicídios nos levou a identificar a segunda milícia, que atua em outra região de São Gonçalo. Constatamos que as duas organizações criminosas utilizavam membros de baixa hierarquia para prestar serviços em comum para os dois grupos, como cobrança a comerciantes ou prática de homicídios”, declarou. 

As fontes de renda das milícias eram a exploração de segurança clandestina oferecida a comerciantes, o controle sobre a venda de botijões de gás e cestas básicas, a venda de cigarros contrabandeados, a exploração da venda de serviço clandestino de internet e TV a cabo e a cobrança de taxas de mototaxistas e fretistas. Foram apreendidos na operação dez armas de fogo, bastões de baseball e dois carros clonados. Também foi apreendido um cofre, assim como materiais para instalação de internet clandestina. Segundo a polícia, os grupos agiam desde 2016, com muita violência.

Em uma das conversas interceptadas, o investigado ordena a tomada do Morro do Castro, em São Gonçalo, das mãos de traficantes. Depois da invasão, expulsaram moradores de suas casas e alugaram os imóveis para terceiros. As cobranças eram feitas com violência.

Foram apreendidas armas de fogo, bastões de baseball e materiais para instalação de “gatonets"

Marcelo Feitosa

Em outra conversa, um chefe de milícia manda os cobradores irem até a casa de um pastor no Paraíso, em São Gonçalo, cobrar o aluguel. Nos diálogos a ordem era: caso ele não atendesse os cobradores, era para quebrar o carro jogando pedra.

As escutas mostraram ainda que o líder da milícia ligou para o pastor e o ameaçou de morte, caso não saísse do imóvel em sete dias. De acordo com a polícia, o pastor pagou o aluguel.

Em outro áudio, um miliciano diz querer a “segurança” do Minha Casa Minha Vida em Itaipuaçu, Maricá. Um outro fala que eles precisarão de apoio de um “vereador amigo”. A polícia não revelou quem seria o político.

Um dos presos, inclusive, é apontado como autor da execução dos cinco jovens no Minha Casa Minha Vida, em 25 de março deste ano. De acordo com a delegada Bárbara Lomba, a milícia era responsável por 50% dos homicídios praticados em São Gonçalo e Maricá. 

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