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Passageiros de ônibus em perigo

Em dez meses foram registrados mais 1,6 mil assaltos a coletivos na região de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá

Ônibus que fazem a travessia entre Rio e Niterói estão entre os alvos de assaltantes que agem próximo ao Into

Reproduções vídeo

Quem costuma se deslocar de ônibus sente na pele os efeitos da violência que assola o Rio de Janeiro. Em todo o estado acontecem, em média, 43 assaltos por dia. De janeiro a outubro deste ano, foram registrados mais de 13 mil roubos em coletivos. Somente na região de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, esse índice chega a 1.688 neste período, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). 

A rotina de assaltos costuma acontecer sempre nos mesmos locais. Com as denúncias, a polícia passa a agir na região para coibir o crime, mas os assaltantes se deslocam e escolhem outros pontos para praticar os roubos. 

Um dos pontos em que os assaltos têm sido frequentes fica na subida da Ponte Rio-Niterói, no ponto próximo ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Os ônibus que atravessam o elevado são os principais alvos. Muitos deles acabam sendo sequestrados e obrigados a desviar de seu itinerário, seguindo para acessos às favelas do Rio. 

Na semana passada, dois coletivos da mesma empresa foram assaltados no ponto do Into. Segundo o Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Setrerj), o mais curioso é que a ação é realizada pela mesma dupla, ambos os casos por volta das 18h. 

 

Reprodução de vídeo

Os criminosos aproveitam que os ônibus param no ponto, que é sempre muito movimentado. Na primeira ação, um homem de camisa vermelha acompanhado de outro de boné e camisa listrada sobem no coletivo às 17h57 e anunciam o assalto. Enquanto um recolhe os pertences dos passageiros, o outro pega o dinheiro com o motorista. O segundo roubo acontece logo em seguida, às 18h06. 

De acordo com o sindicato, os passageiros relatam uma conduta sempre agressiva dos assaltantes, através de xingamentos e até agressões físicas. O ponto do Into já ficou conhecido como “área de pânico”. 

“As empresas estão investindo em novas tecnologias e repassam sempre as imagens e todas as informações possíveis para facilitar as ações de inteligência da polícia”, disse o superintendente do Setrerj, Márcio Coelho Barbosa.

Índices – De janeiro a outubro deste ano, o ISP registrou 276 roubos a ônibus a mais, na comparação com o mesmo período de 2017, quando havia 12.854 ocorrências. 

Em São Gonçalo, cidade da região com mais casos, já foram registrados 1.040 assaltos em coletivos este ano, enquanto em 2017, de janeiro a outubro, foram 886. Esse é o maior índice de roubos em ônibus desde 2003, quando havia apenas 495. Os índices de 2018 já ultrapassaram todo o ano passado (1.020). Ao longo deste ano, o mês com mais ocorrências foi agosto, com 176, uma diferença de 226% para o mês com menos roubos, janeiro, com 54. 

Em Itaboraí a situação também está complicada: foram 316 casos de janeiro a outubro, enquanto no ano passado, neste mesmo período, foram 146, ou seja, uma alta de 116%. Em todo o ano de 2017, o número de roubos chegou a 198. 

Na área policiada pelo 12º BPM, em Niterói e Maricá, os índices chegam a 332 assaltos em coletivos de janeiro a outubro. No ano passado, nesses meses, eram 251 registros. Houve, portanto, aumento de 32%. Em 10 meses, os números já ultrapassaram o total de ocorrências em 2017. 

Questionada, a PM informou que o trecho do Into está com policiamento reforçado, com viaturas do 4º BPM (São Cristóvão) e com fiscalização nos coletivos realizada por policiais do Grupamento de Policiamento Transportado em Ônibus Urbano (GPTOU). A PM também disse que houve reforço nas vias de Niterói e São Gonçalo, com efetivo do 12º BPM e do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv). 

No entanto, a polícia disse que não é viável a revista em todos os ônibus nos horários de rush, prática que tem sido feita em outros períodos para tentar coibir as ações. 

Já a Polícia Civil disse que, através das delegacias de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Maricá, vem investigando esses crimes e realizando diligências com base em depoimentos de vítimas, reconhecimento de suspeitos em sede policial e imagens do circuito interno dos coletivos. 

Segundo a polícia, mais de 30 inquéritos com indiciamento de autores identificados foram concluídos nesse semestre somente pela 78ª DP. 

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Comentários

João Carlos Viegas
Esses assaltos se repetem há anos e nada é feito para acabar com tal tormento.
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