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Transporte: nova fase da Lava Jato

Segundo investigação, empresas de ônibus do Rio de Janeiro pagavam propina a autoridades

Jacob Barata Filho, empresário do setor, foi um dos presos pela Polícia Federal

Foto: Tânia Rego / Agencia Brasil

Em mais um desdobramento das investigações da força-tarefa da Lava Jato, a Polícia Federal deflagrou na noite do último domingo e na manhã desta segunda-feira (3) a operação Ponto Final. O objetivo é desbaratar organização, atuante no setor de transportes, que teria sido responsável pelo pagamento de mais de R$ 260 milhões a políticos e agentes públicos. A pedido do Ministério Público Federal (MPF/RJ) foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Federal Criminal/RJ, nove mandados de prisão preventiva e três mandados de prisão temporária.

Um dos principais empresários do ramo no Estado do Rio, Jacob Barata Filho, foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim tentando embarcar para Portugal. Também foram presos nesta segunda, o presidente executivo da Fetranspor, Lélis Teixeira, e o ex-presidente do Detro Rogério Onofre.

Nos depoimentos prestados ao MPF, teriam sido confirmados os pagamentos de propinas nos moldes dos realizados pelas empreiteiras, só que dessa vez no setor de transporte público – com o objetivo de garantir tarifas e contratos com o Governo do Estado do Rio.

As investigações contaram com depoimentos prestados em sede de colaboração premiada, que detalharam a forma como era feita a custódia do dinheiro em espécie em transportadoras de valores para a posterior distribuição de propina a políticos e agentes públicos. Por meio de documentos e planilhas que teriam registros da distribuição de propina entregues, os colaboradores permitiram identificar a estrutura que teria sido montada pelas empresas de ônibus e Fetranspor para obter vantagens indevidas nos contratos públicos firmados.

De acordo com as investigações, entre 2010 e 2016, Sérgio Cabral teria recebido R$ 122,8 milhões. Por sua vez, Rogério Onofre teria recebido R$ 44,1 milhões em propinas pagas pelas empresas de ônibus. Na contabilidade, foram apurados mais de R$ 260 milhões entre pagamentos a empresários e políticos.

Presos – Na operação, a Polícia Federal cumpriu nove mandados de prisão preventiva e três de prisão temporária. Dentre os 12 mandados, apenas José Carlos Reis Lavoura, conselheiro da Fetranspor, suspeito de receber R$ 40 milhões, ainda não foi preso. Ele está em Portugal e a Interpol foi acionada pela Polícia Federal para sua captura.

Prisão preventiva: Jacob Barata Filho, empresário do setor; Lélis Teixeira, presidente da Fetranspor; Rogério Onofre, ex-presidente do Detro; João Augusto Morais Monteiro, presidente do conselho da Rio Ônibus; José Carlos Reis Lavoura, conselheiro da Fetranspor; Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Setrerj; Márcio Marques Pereira Miranda, funcionário da transportadora de valores Prosegur até 2014; Cláudio Sá Garcia de Freitas, operador de Rogério Onofre; David Augusto da Câmara Sampaio, apontado como dono da Trans Express.

Prisão temporária: Carlos Roberto Alves, gerente financeiro da Fetranspor; Enéas da Silva Bueno, diretor-financeiro da Rio Ônibus; e Octacílio de Almeida Monteiro, vice-presidente da Rio Ônibus.

Ação – Além dos termos colhidos em sede de colaboração premiada, Luiz Carlos Bezerra, operador financeiro de Sérgio Cabral, confessou voluntariamente que recolhia propina na sede da empresa Flores, em São João de Meriti.

ERRATA - Com relação à citação da Prosegur na Operação Ponto Final, a empresa esclareceu que Marcio Miranda não faz parte do quadro de empregados da companhia desde janeiro de 2014. Além disso, informa que prestou esclarecimentos e segue à disposição das autoridades competentes. "A Prosegur ressalta que segue rigorosamente às leis que regulamentam a atividade no país e toda a sua operação é fiscalizada pela Polícia Federal regularmente", diz a nota.
 

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