NITERÓI/RJ
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Quadrilha já fez 400 vítimas no Rio, São Gonçalo e Niterói

Mulher e homem acusados de golpes foram presos

Foto: Marcelo Feitosa

A polícia desarticulou parte de uma quadrilha responsável por recolher doações se passando por instituições de caridade. Um homem e uma mulher foram presos na última terça-feira (9), acusados de fazer parte do bando. Segundo a Polícia Civil, a organização criminosa atua nos municípios de Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, a ex-atendente de telemarketing Marcia de Castro Gonçalves, de 58 anos, telefonava para pessoas, pedindo doações. Ela se passava por atendente de inúmeras instituições, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Niterói, a Creche Raiz de Davi, que fica em São Gonçalo, entre outras. Os valores, ainda segundo as investigações, eram recolhidos na casa dos doadores, de moto, por André Luiz Marreiros dos Anjos, de 42 anos.

A 77ª DP (Icaraí) começou a investigar a prática há cerca de um mês, quando foi alertada por Sônia Saraiva dos Anjos, presidente da Apae Niterói, que percebeu a fraude quando uma associada informou ter feito sua colaboração mensal, sem que houvesse registro de pagamento na entidade.

“Fomos averiguar e começamos a ver que os recibos dados por eles [os acusados] eram diferentes dos nossos e aquilo não fazia parte da nossa equipe. Foi aí que nós começamos a tomar providências”, contou Sônia.
Na manhã da última terça-feira, Sônia foi informada que outra associada estava aguardando o motoboy recolher a doação”. Ela estranhou a informação, já que a Apae não recebe colaborações desta forma, e avisou a polícia.

“Recebi informação de que um cobrador que não faz parte da equipe da Apae iria receber dinheiro na casa de uma associada nossa naquele dia”, relatou.

Por volta de 9h, os policiais montaram um cerco no endereço do recolhimento, em Icaraí, Zona Sul de Niterói, e prenderam André em flagrante. Com ele foram apreendidos R$ 420 que seriam provenientes de doações, além de falsos recibos com a marca das instituições que eram entregues aos colaboradores lesados. Mais tarde, no mesmo dia, Marcia foi presa, também em flagrante, em sua casa, em São Gonçalo. Lá, a Polícia Civil apreendeu mais recibos  falsos e planilhas com a contabilidade das arrecadações e dados das vítimas.

O valor apreendido foi considerado baixo pela polícia porque André ainda estava iniciando as arrecadações daquele dia. As investigações ainda não conseguiram precisar o valor total obtido pela dupla com o esquema devido à grande quantidade de vítimas: há registro de pelo menos 400 pessoas que tenham colaborado com a dupla achando que estavam doando para instituições filantrópicas.

De acordo com a delegada Raíssa Celles, titular da 77ª DP (Icaraí),imagens de câmeras de segurança de condomínios ajudaram a polícia.

“Fizemos um levantamento em alguns prédios da região de Icaraí onde os estelionatários agiam. Conseguimos algumas imagens e começamos a fazer o trabalho investigativo. Conseguimos prender, em flagrante, o André Luiz, no momento em que ele iria receber a doação”, ressaltou a delegada, acrescentando que já conseguiu identificar outros membros da quadrilha 

“Nós já conseguimos identificar outros dois participantes, que ainda não foram presos. Vamos instaurar o inquérito e as investigações vão continuar para a gente desbaratar essa organização criminosa”, completou Raíssa.

De acordo com a polícia, tanto Márcia quanto André responderão por estelionato e organização criminosa. Ambos ficaram presos na carceragem da 77ª DP (Icaraí) até a manhã desta quarta-feira (10), quando foram transferidos para a Casa de Custódia de Benfica, na Zona Norte do Rio.

Responsáveis pelas instituições de caridade compareceram à delegacia. Entre eles estava Paulo dos Anjos, fundador da Creche Raiz de Davi, que atende crianças carentes do bairro Amendoeira, em São Gonçalo. Tanto para ele, quanto para Sônia pedem para que a população não deixe de colaborar com o trabalho destas instituições que “existem há muitos anos e têm idoneidade reconhecida”. Quem desconfiar de que pessoas estejam pedindo doações em nome das entidades para outros fins, deve comunicar à polícia e avisar às instituições envolvidas.


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