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Recepção de celebridade na DP

Médica de professora que morreu após lipo é escoltada por legião de pacientes na porta de delegacia

Médica Geysa Leal Corrêa foi recepcionada, antes de prestar depoimento, por grupo que se intitulava “Divas da Dra. Geysa”

Foto: Douglas Macedo

A médica Geysa Leal prestou depoimento na 77ª DP (Icaraí), na tarde desta quinta-feira (26). Ela alegou ser habilitada para realizar procedimentos cirúrgicos estéticos, mesmo sem possuir especialização reconhecida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). A médica está sendo investigada pela morte da pedagoga Adriana Ferreira, que faleceu uma semana após ser submetida a lipoescultura na clínica de Geysa Leal, em Icaraí. Na chegada à delegacia, a médica foi escoltada por um grupo de 10 pacientes que realizaram manifestação em favor da profissional, usando camisetas brancas com os dizeres “Somos todas Dra. Geysa”.

Segundo o advogado de defesa Lymark Kamaroff, Geysa não é membro da SBCP por uma opção feita no início da carreira, tendo em vista que o processo para obter o título concedido pelo órgão leva mais de sete anos. Entretanto, ele afirma que a médica é pós-graduada em cirurgia plástica pela Universidade Veiga de Almeida e, embora sua especialização não seja reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) e nem pelo SBCP, ela está apta para atuar, já que possui comprovação acadêmica para realizar a prática.

O advogado também ressaltou que os procedimentos de lipoescultura e lipoaspiração podem ser executados em clínicas ou em centros cirúrgicos, dependendo da quantidade de gordura que será extraída da área tratada. 

“A paciente Adriana Ferreira extraiu 1,5 litro de gordura e realizou um contorno corporal. Esse tipo de cirurgia de pequena monta pode ser realizado em uma clínica, sem a necessidade dos aparatos de um centro cirúrgico. Além disso, antes de realizar o procedimento, a paciente assinou um termo de consentimento e estava ciente dos riscos”, alegou.

Na manhã desta quinta, a clínica de Geysa Leal foi interditada e passará por perícia hoje. De acordo com a delegada titular da 77ª DP (Icaraí), Raíssa Celles, a médica cobrou R$ 5.200 pelo serviço e solicitou que a paciente realizasse apenas exames de urina, função renal e hemograma completo. Ainda segundo a delegada, Geysa contou em depoimento que foi a própria paciente quem optou por realizar o procedimento na clínica.

“Iremos consultar os órgãos de medicina para avaliar se a médica está habilitada para realizar cirurgias plásticas e se o procedimento poderia ser feito em uma clínica. Além disso, solicitamos a complementação do laudo cadavérico para confirmar se a causa da morte foi uma tromboembolia pulmonar. Se for comprovado um possível erro médico, ela pode ser indiciada por homicídio culposo”, declarou. 

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