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Rio: Exército isola área para reconstituir morte de Marielle

Investigação está chegando ao fim, diz ministro Raul Jungmann

Marielle Franco

Foto: Guilherme Cunha / Alerj

Um grande esquema de segurança foi montado, na noite desta quinta-feira (10), em torno do local onde a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos, para a reconstituição do assassinato. Soldados do Exército realizaram o bloqueio de várias ruas próximas ao ponto exato onde os dois foram baleados em 14 de março, no Estácio.

O trabalho dos peritos da Polícia Civil começou às 22h, horário aproximado do crime, quando o carro de Marielle foi fechado por outro veículo e atingido por 13 tiros. Até o fechamento desta edição, a reconstituição não havia sido concluída.

Quatro testemunhas que estavam perto do local participam da reconstituição, a fim de, entre outras coisas, tentar definir se o som dos tiros que ouviram eram de pistola ou de metralhadora.

A reconstituição inclui disparos de tiros reais contra sacos de areia, para que as testemunhas tenham o som exato da rajada que vitimou Marielle e Anderson.

Para preservar a identidade dessas testemunhas, a área no entorno também foi isolada com dezenas de metros de lona preta, impossibilitando a visualização dos trabalhos dos peritos.

A imprensa foi mantida afastada, bem como moradores do bairro, curiosos com a movimentação. O Exército informou que disponibilizou 200 homens em apoio para a operação. 

Nesta quinta, o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que a investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), no Rio de Janeiro, ocorrida na noite de 14 março deste ano, “está chegando na sua etapa final”. “Eu acredito que, em breve, vamos ter resultados”, afirmou o ministro.

Perguntado sobre a participação do vereador Marcello Siciliano (PHS) e do ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo no assassinato de Marielle, após reportagem do jornal O Globo divulgar o depoimento de uma testemunha que acusa os dois de terem se reunido para planejar a morte da parlamentar, o ministro lembrou já ter mencionado que o crime apontava para a atuação de milícias.

“Não estou dizendo que são esses especificamente. Agora, tem dois níveis que tenho que observar: um é o do jornalismo e as suas informações que, evidentemente, têm que ser investigadas. E outro é a própria investigação em si sobre a qual a gente, por óbvios motivos, não tem aqui como ficar comentando. O que eu posso dizer é que estes e outros todos são investigados”, disse.

Na véspera, o vereador Marcello Siciliano negou participação no assassinato de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. A defesa do ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, também negou que ele tenha qualquer envolvimento na morte da vereadora. Preso em Bangu 9, o ex-PM, que é acusado de participação em milícia, escreveu uma carta, datada de quarta-feira, garantindo que sequer conhecia Marielle e que nunca esteve com o vereador Marcello Siciliano (PHS), conforme um delator afirmou em depoimento à polícia.

O advogado Pablo Andrade, que defende o ex-PM, ressaltou que seu cliente ficou “surpreso e espantado” com as denúncias feitas pelo delator, que contou sua versão dos fatos em troca de proteção policial. Segundo o advogado, o informante é um policial militar da ativa, que inclusive teve nome e batalhão revelados na carta escrita pelo cliente.

“É uma testemunha sem qualquer credibilidade. Por ser um policial da ativa, todas as argumentações dele caem por terra, porque ninguém é obrigado a trabalhar por dois anos em uma milícia. Isso não existe”, sustentou o advogado. 

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