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Sete mortos em operações no Rio: dois eram militares

Ação aconteceu nos complexos do Alemão, da Penha e da Maré, no Rio

Mais um militar do Exército morreu no final da tarde desta segunda-feira (20) durante operações contra o crime organizado nos complexos do Alemão, da Penha e Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo Comando Militar do Leste (CML), mas a identidade do militar ainda não foi divulgada.

De acordo com balanço da operação do comando conjunto das Forças Armadas, que começou na madrugada desta segunda, com as polícias Civil e Militar, o cabo do Exército Fabiano de Oliveira Santos morreu, após ser atingido no ombro por um tiro de fuzil. Ele foi o primeiro militar do Exército morto no contexto da intervenção federal na segurança pública do Rio, iniciada em fevereiro deste ano.

O presidente Michel Temer lamentou a morte de Fabiano. Em sua conta no Twitter, Temer prestou homenagem aos serviços do soldado: “A minha solidariedade à família do Cabo Fabiano que lamentavelmente faleceu hoje (segunda) durante operação da Intervenção Federal no Rio de Janeiro. O Brasil agradece ao militar que dedicou a própria vida por um país melhor”, escreveu, na rede social.

Na mesma ação, na localidade conhecida como Serra da Misericórdia, no Complexo do Alemão, o soldado do Exército Marcus Vinicius Viana Ribeiro ficou ferido com um tiro na perna. De acordo com o Exército, o caso do soldado é de média complexidade. De acordo com o comando conjunto, o estado de Ribeiro “inspira cuidados, porém o militar não corre risco de morrer”. O soldado está internado no Hospital Central do Exército (HCE).

No início da noite o coronel Carlos Cinelli, porta-voz do Comando Militar do Leste (CML) confirmou a morte de outro militar do Exército em confronto no Complexo da Penha, no final da tarde. A identidade da vítima não foi revelada.

Balanço – Ao todo, foram apreendidos 600 quilos de drogas pelo Batalhão de Operações com Cães da PM no Complexo da Maré. No confronto com as forças de segurança, cinco homens morreram e 36 acabaram presos. Foram apreendidas 24 armas, entre elas, oito fuzis automáticos.

No morro da Fé, no Complexo da Penha, policiais do Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) libertaram uma família com três pessoas, entre elas uma criança, que estava no interior da residência. Na ação, seis criminosos acabaram se rendendo, após negociação com especialistas da tropa de elite da PM. Com os criminosos, foram apreendidos um fuzil e três pistolas.

Em outra ação, militares do 41º batalhão da PM, de Irajá, prenderam sete homens que estavam fugindo do Complexo da Penha, com duas pistolas e grande quantidade de drogas. A prisão aconteceu no morro do Trem, em Vicente de Carvalho.

A PM prendeu ainda no morro da Fé, o líder de uma facção criminosa do estado do Amazonas. Ele é conhecido como “JR”. De acordo com a corporação, o preso é muito respeitado por outros criminosos por sua ligação com uma facção criminosa do Rio.

Medo – Nas redes sociais, diversos moradores reclamaram da situação. “Um tiro veio do Alemão e pegou no telhado do meu vizinho”, escreveu uma mulher, que se identifica apenas como Lorena. Muitas pessoas relataram medo de sair de casa. Outro  usuário das redes, Joaquim Gomes, contou que o tiroteio começou cedo. “Despertei ao som de tiros e de helicóptero às 5h na Penha”, publicou.

De acordo com o coronel Cinelli, o objetivo das forças de segurança é fazer cessar os tiroteios. 

“Eles não são causados por nós, e sim pelos criminosos, que não tem a menor preocupação com a população. Muitos usam fuzil, uniforme camuflado e colete. Não é possível negociar. Se você dá voz de prisão e oferece a possibilidade de rendição e, mesmo assim, o criminoso resolve descarregar seu fuzil, é preciso se defender. Esperamos que isso vá diminuindo. E os números estão melhorando”, afirmou.

Maior operação – O coronel considerou satisfatório o resultado das ações realizadas. Segundo Cinelli, trata-se provavelmente da maior operação, considerando a área de abrangência e a densidade populacional do total das comunidades abrangidas. Outras operações, porém, já mobilizaram um número maior de agentes das Forças Armadas.
Cinelli disse ainda que ações preliminares foram realizadas ao longo da semana, com o intuito de identificar as melhores condições, o melhor horário e os possíveis riscos, para que a população não sofresse danos. Ele destacou que o trabalho de inteligência foi fundamental para as prisões.

Segundo o coronel, as forças de segurança tiveram conhecimento de que criminosos da comunidade de Antares, em Santa Cruz, iam se deslocar para o Complexo do Alemão para ajudar na resistência à operação. Eles foram supreendidos quando chegavam às comunidades. 

“Muitas vezes, comenta-se que a inteligência não aparece. E realmente não é para aparecer. No momento em que ela aparecer, deixa de ser inteligência.”

Denúncias – A organização não governamental (ONG) Justiça Global publicou nota de solidariedade aos moradores das comunidades alvo da operação. 

“Relatos apontam gravíssimas situações de abuso. Casas foram invadidas, celulares estão sendo revistados, e pessoas estão sendo detidas por participarem de grupos de WhatsApp que traziam alertas de segurança aos moradores. Por mais uma vez, aulas foram suspensas nas escolas das proximidades”, diz a nota da Justiça Global.

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