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Uma nova tragédia abala o Rio

Prédios desabam e deixam cinco mortos e nove feridos. Três pessoas com vida continuam nos escombros

Cães farejadores estão auxiliando o trabalho dos bombeiros no local do desabamento, na Zona Oeste da capital

Fernando Frazão/Agência Brasil

O desabamento de dois prédios na comunidade da Muzema, na zona oeste da capital, deixou pelo menos cinco mortos e nove feridos. De acordo com o subcomandante do Corpo de Bombeiros, coronel Marcelo Gisler, os bombeiros já localizaram outras três pessoas com vida dentro dos escombros e estão trabalhando para resgatá-las, uma delas é um menino de 13 anos.

“Está se comunicando bem, está responsivo”, informou o coronel, acrescentando que o Corpo de Bombeiros recebeu a informação de mais 13 desaparecidos.

O coronel garantiu que os trabalhos de busca e resgate não serão interrompidos enquanto houver desaparecidos. São usados cães farejadores, drones, helicóptero e diversos equipamentos especializados. “Temos militares altamente especializados que inclusive trabalharam na tragédia de Brumadinho”, disse Gisler.

A Rioluz providenciou iluminação para que as atividades prosseguissem durante a noite. O Exército também atua em apoio.

O Corpo de Bombeiros já havia resgatado seis pessoas. Antes da chegada das equipes, moradores já haviam retirado dos escombros outras cinco e também dois corpos. Uma das vítimas resgatadas acabou morrendo no hospital.

 “A maior dificuldade é o acesso ao local e a estrutura”, disse o coronel, acrescentando que eles temem pela integridade estrutural dos prédios vizinhos.

Cães farejadores estão auxiliando os bombeiros no local. O coronel pede para que moradores procurem a Defesa Civil para informar sobre desaparecidos, para que os bombeiros possam agilizar a busca por essas pessoas. “Para que a gente otimize nossos recursos nessas buscas e trabalhe só onde efetivamente a gente pode encontrar alguém”, disse.

Famílias – Pelo menos cinco famílias moravam nos prédios que desabaram na manhã de ontem na comunidade da Muzema. A informação é do vice-governador, Claudio Castro. Os edifícios que desabaram não tinham autorização da prefeitura e suas obras foram interditadas e embargadas pela prefeitura em novembro de 2018. Mas, como a Muzema é uma área controlada por uma milícia, a prefeitura diz que precisa do apoio da polícia para atuar no local. 

Obras irregulares em área de milícia

O governador Wilson Witzel disse que o desabamento é retrato da falta de fiscalização por parte do município. Segundo ele, não se pode culpar apenas a gestão atual. Afirmou ainda que esse tipo de fiscalização não cabe ao governo do estado. “Esse prédio que desabou é um retrato da falta de fiscalização por parte do município. O estado não tem poder de fiscalizar edificações. São edificações que tem que ser coibidas pelo município. Agora, se a área era uma área de milícia como está sendo dito, no nosso governo estamos combatendo todas as áreas de milícias”, disse. 

Witzel afirmou que a Polícia Civil trabalha para identificar as milícias que atuam na região do desabamento. A prefeitura informou hoje que o prédio que desabou já estava interditado desde o ano passado, mas que o controle de milicianos sobre a região dificulta a atuação municipal. 

O prefeito Marcelo Crivella disse ontem que o desabamento foi “um drama tremendo”. Ele reforçou que os edifícios eram irregulares e tiveram suas obras interditadas. Segundo nota divulgada pela prefeitura, as obras, que começaram há dois anos, estavam interditadas e embargadas desde novembro de 2018. A área é de proteção ambiental, onde só são permitidas edificações unifamiliares - ou seja, de casas. 

“Essas edificações estão num loteamento irregular. A prefeitura já tinha notificado, comunicou ao Ministério Público, tentou interditar, lançou diversas multas e infrações, mas infelizmente as obras continuaram”, disse

O representante comercial Marcelo Vasconcelos, de 47, proprietário de duas unidades em um dos edifícios que desabou, explicou que comprou um apartamento para o irmão e outro para a cunhada, por R$ 110 mil cada, mas que ambos estavam vagos.

 “Eu sabia que era irregular por causa do preço e da localidade. Mas foi para atender às necessidades dos meus parentes que precisavam sair do aluguel”, disse ele. 

Três prédios serão demolidos 

Pelo menos três edifícios serão demolidos na comunidade da Muzema. De acordo com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação do Rio, outros imóveis passarão por vistoria e podem ter o mesmo destino. “Esses prédios não oferecem segurança às pessoas porque foram construídos sem licenciamento. Não há ART, que é a anotação de responsabilidade técnica. Não tem engenheiro responsável”, disse o secretário municipal de Infraestrutura e Habitação, Sebastião Bruno, durante visita ao local.

O secretário diz que as famílias desalojadas receberão inicialmente o aluguel social, benefício financeiro concedido pela prefeitura. Também de acordo com o secretário, o prefeito Marcelo Crivella vai solicitar recursos ao governo federal para construir unidades do Minha Casa Minha Vida para o posterior reassentamento.

Ainda não sabe quantas são essas famílias. A comunidade da Muzema, na zona oeste do Rio de Janeiro, está entre os locais mais atingidos pelas chuvas torrenciais que atingiram a capital fluminense no início da semana. 

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