NITERÓI/RJ
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Violência do tráfico afeta transporte

Quatro linhas de ônibus interromperam a circulação em bairros de São Gonçalo por cerca de 24 horas, entre domingo e a manhã de segunda-feira (1º). De acordo com o Sindicato dos Rodoviários de Niterói a Arraial do Cabo (Sintronac), um ofício por reforço no policiamento foi enviado ao 7º BPM (São Gonçalo) após um motorista ser sequestrado, agredido e ameaçado por criminosos. A categoria não descarta greves e protestos contra a “escalada de violência no município”.

Segundo a denúncia recebida pelo sindicato, criminosos do Mundel exigiram a liberação gratuita de um ônibus da empresa Auto Ônibus Alcântara para que um grupo fosse levado a uma partida de futebol. Após recusa, criminosos armados teriam ido ao ponto final de uma das linhas e roubado um ônibus e sequestrado o motorista, que foram levados para uma comunidade do Mundel, onde o condutor foi ameaçado e agredido.

Após o crime, todos os carros - cerca de 20 - das linhas 23 (Mundel-Fórum), 30 (São Pedro-Fórum), 30C (São Pedro-Alcântara, via Pacheco) e 30A (São Pedro-Fórum, via Pacheco), que trafegam pelos bairros Mundel, Vista Alegre e São Pedro pararam de circular. Pelas redes sociais, moradores reclamaram da violência na região e da espera nos pontos de ônibus.

“Tive que voltar para casa depois de mais de uma hora no ponto. Um absurdo atacarem motoristas”, disse uma moradora.

O Sintronac afirmou que enviou ofício nesta segunda-feira ao 7° BPM (São Gonçalo) solicitando reforço de policiamento urgente nas localidades diante dos graves acontecimentos ocorridos no domingo. 

“O rodoviário, cuja identidade será preservada, terá à sua disposição todo o apoio médico, psicológico e jurídico do sindicato”, diz nota divulgada à imprensa.

“O Sintronac tem denunciado, há mais de dois anos, a escalada da violência em São Gonçalo, com ações cada vez mais agressivas por parte dos traficantes. Um grupo de trabalho criado pelo Sindicato, que envolve advogados e diretores, está estudando medidas para mobilizar as autoridades públicas em torno desta questão. Entre elas, não se descarta uma greve ou um grande protesto, como últimos recursos dos trabalhadores diante de uma situação, que está se tornando insustentável”, afirmou o presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira.

O comandante do 7º BPM (São Gonçalo), coronel Ronaldo Martins, não se pronunciou. Já a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que no domingo (30) policiais militares foram verificar denúncias na Rua Cidade de Lisboa, no bairro Barracão. No local, os policiais foram informados que criminosos armados obrigaram o motorista de um coletivo a fazer um determinado percurso com um grupo, depois, ele e o cobrador foram liberados. A ocorrência foi registrada na 74ª DP.

A assessoria ainda ressaltou que em junho o 7°BPM passou a contar com o Grupamento de Policiamento Transportado em Ônibus Urbano (GPTOU), realizando operações de abordagem e revista em ônibus para coibir práticas delituosas, como roubos, furtos e depredações. O grupamento atua em São Gonçalo através de rondas em viaturas e baseamento em pontos alinhados de acordo com o horário de maior incidência de ocorrências, mas não deu detalhes sobre as ações. A PM ainda solicitou que denúncias sejam feitas ao Disque-Denúncia (2253-1177).

Até o fechamento desta edição, a empresa não havia se pronunciado sobre o incidente. Já o Setrerj emitiu a seguinte nota: “Algumas áreas em São Gonçalo são mais inseguras e onde é recorrente a violência. O Setrerj está permanentemente em contato com os Batalhões da região pedindo mais segurança para os funcionários das empresas, para os passageiros e para os ônibus. O que é possível para as empresas associadas ao Setrerj fazerem é sempre auxiliar às autoridades na área de segurança, disponibilizando os dados, pelo sistema SAFE, com mapeamento inteligente das ocorrências”. 

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