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Centro: rotina alterada por causa de assaltos

Roubos a moradores durante a madrugada e falta de policiamento nas ruas viram rotina nas principais vias

Na Praça da Catedral São João, no Centro, diversas famílias montam verdadeiros acampamentos com móveis e eletrodomésticos

Foto: Marcelo Feitosa

Moradores da Região Central de Niterói, cansados de serem assaltados nas entradas de seus prédios, começaram a divulgar na portaria e em áreas comuns de um edifício um comunicado solicitando que todos informem ao porteiro, por meio de mensagens e telefonemas, quando estiverem chegando em casa. Desta forma, segundo o comunicado, o porteiro já ficaria mais atento à chegada dos moradores ao prédio.

A medida foi tomada em um prédio na Rua Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro, no Centro, após uma moradora quase ser assaltada. De acordo com testemunhas, ela estava chegando na portaria, quando um grupo de jovens, moradores em situação de rua, se aproximou e foi para cima dela. Neste momento, o porteiro percebeu a ação e conseguiu abrir rapidamente a porta e puxou para dentro do prédio a moradora.

O síndico do prédio, que não quis se identificar, relatou que depois do último episódio envolvendo moradores, decidiu deixar dois telefones à disposição dos moradores para evitar que eles sejam assaltados. “Estamos preocupados aqui na região. Não vemos muitos policiais por aqui. Depois que começa a anoitecer e as ruas começam a ficar vazias, o mesmo grupo sempre volta e fica andando por perto. Começam a usar drogas, muitas vezes discutem entre si e brigam. Quase todo dia é a mesma coisa. Já jogaram pedra até no nosso prédio, sorte que não acertou nenhuma janela”, explicou.

Ainda há relatos de moradores e de pessoas que passam pelo Centro da cidade de que, quando a noite começa a cair, é que o verdadeiro perigo começa. Muitos já começaram a evitar algumas ruas e quem mora na região não sai mais em determinados horários por medo de serem assaltados ou, na pior das hipóteses, sofrerem alguma tipo de agressão.

Uma testemunha, que não quis se identificar, relatou que a região está abandonada pela Polícia Militar. “Presenciei diversas vezes, da janela da minha casa, assaltos na rua. Agressões também. Uma vez vi uma pessoa que, para tentar fugir de um assalto, entrou correndo em um táxi. Os bandidos foram atrás dela e tiraram a pessoa de dentro do carro na base da agressão. Ainda quebraram o carro do taxista, que nada pôde fazer. Tiveram que chamar a ambulância para socorrer”, contou.

A mesma situação pode ser encontrada em outra rua do Centro da cidade. Na praça da Catedral São João, e no entorno dela, há diversas famílias vivendo na rua. As pessoas montam verdadeiros acampamentos, com televisões, armários e utilizam a grade da praça como varal para estenderem suas roupas.

Um morador da região, que não quis se identificar, disse que no local também há uma feira livre com produtos diversos. Ainda segundo este morador, no local também há venda de drogas. “Quando anoitece, geralmente chega um bando de 15 pessoas que começam a usar drogas aqui. Eles se abrigam sob as marquises. As pessoas que moram por aqui, se sentem inseguras para saírem à noite. A praça que tem em frente à catedral não é mais utilizada por ninguém, só pelos moradores de rua. Durante a madrugada, ninguém consegue mais dormir. Eles brigam, cantam, gritam e ficam batucando, fazendo um barulho muito alto”, contou 

O comandante do 12º BPM (Niterói), coronel Marcio Rocha, disse que irá fazer um planejamento para aumentar a segurança na região. “Já temos o nosso patrulhamento, mas vamos dar uma atenção especial para aumentar o número de policiais nesta rua. Precisamos do apoio da prefeitura também no que diz respeito aos moradores que vivem nas ruas”, disse.

Em nota, a prefeitura informou que equipes de abordagem da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH) seguem uma rotina diária de abordagem nos bairros com maior concentração de pessoas em situação de rua como o Centro de Niterói, Icaraí, São Domingos e Boa Viagem, além de pontos específicos na cidade. “Durante a abordagem, os agentes conversam com as pessoas e as convidam para o Centro Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), para que neste equipamento a pessoa seja direcionada para o abrigo correto. No entanto, de acordo com a legislação brasileira, a ida e a permanência no abrigo não são obrigatórias. O serviço é ofertado, porém, na maioria dos casos não há interesse. Sempre que a abordagem é realizada e é identificada a presença de um menor, a equipe busca a identificação deste. Muitas das pessoas abordadas que estão em situação de rua não são de Niterói e aceitam voltar para suas casas em seus municípios de origem através do processo de recambiamento (cerca de 70% das pessoas em situação de rua em Niterói são oriundas de outros municípios). Niterói possui cinco locais totalmente equipados para atender e receber a população em situação de rua ou em sociovulnerabilidade. São eles: a Casa de Acolhimento Florestan Fernandes, que oferece 50 vagas para homens adultos, o Centro de Acolhimento Lélia Gonzalez, com 50 vagas para mulheres e famílias, o Centro de Acolhimento Arthur Bispo do Rosário, com 30 vagas para homens adultos, a Casa de Acolhimento para meninas Lisaura Ruas (20 vagas para meninas de 6 a 17 anos e meninos de 6 a 11 anos) e Centro de Acolhimento para meninos Paulo Freire (20 vagas para meninos de 12 até 17 anos)", completou a nota. 

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