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Barroso decide abrir inquérito para investigar Temer e Loures

Presidente, ex-deputado e mais dois empresários são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro

Loures chegou a ser preso em junho, por causa do episódio da mala com R$ 500 mil. Temer disse que no Brasil “cada um quer derrubar o outro”

Fotos: Saulo Cruz / Agência Câmara e Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso decidiu  abrir nesta terça-feira (12), inquérito para investigar o presidente Michel Temer e o ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures, além de mais dois empresários, por suspeitas de crimes de corrupção ativa, passiva e lavagem de dinheiro.

O pedido de abertura de investigação foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para apurar suspeitas de recebimento de vantagens indevidas dos envolvidos pelo suposto favorecimento da empresa Rodrimar S/A por meio da edição do Decreto dos Portos (Decreto 9.048/2017).

O pedido de abertura do inquérito chegou ao Supremo em junho e foi remetido ao ministro Edson Fachin. Ao receber o processo, o ministro entendeu que o caso deveria ser redistribuído a outro integrante da Corte por não ter conexão com o inquérito que envolve Temer a partir das delações da JBS.

Nesta semana, a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, determinou uma nova distribuição e Barroso foi escolhido o novo relator.

Para Janot, a edição do decreto “contemplou, ao menos em parte, as demandas” de Rocha Loures em favor da Rodrimar.

Com a decisão do ministro Barroso, também serão investigados os empresários Ricardo Conrado Mesquita e Antônio Celso Grecco, ambos ligados à empresa. 

Em nota, a Rodrimar diz que recebeu serenamente a notícia de autorização do STF para a abertura de um inquérito determinado a apurar se o setor portuário foi beneficiado pelo recente “decreto dos portos”. “Em seus 74 anos de história, a Rodrimar nunca recebeu qualquer privilégio do poder público. Prova disso é que todos os seus contratos estão atualmente sendo discutidos judicialmente”, diz a nota.

Punição sem provas – Ao discursar onesta terça em cerimônia com sindicalistas, empresários e ministros, no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer disse que o povo brasileiro é maior que toda e qualquer crise. 

“O povo brasileiro é capaz de encarar os problemas, muitas vezes, artificialmente criados, e dizer não vou no artifício, vou na realidade, e a realidade é o crescimento do país.”
Para Temer, no Brasil, “cada um quer derrubar o outro” e que, muitas vezes, problemas são “artificialmente criados”. 

“Diálogo é fundamental para a democracia até porque irmana e fraterniza as pessoas. E é uma coisa muito importante no país, que cada um quer derrubar o outro, cada um quer derrotar o outro, cada um quer encontrar o caminho para verificar como atrapalha o outro. E não consegue. Não consegue porque o Brasil não para.”

A declaração ocorre um dia após a Polícia Federal concluir em inquérito que há indícios de crime por parte do presidente Michel Temer e demais integrantes do chamado “grupo do PMDB da Câmara” e após a prisão do empresário Joesley Batista.

Estado Democrático de Direito – Mais cedo, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República divulgou uma nota em que afirma que o Estado Democrático de Direito existe para preservar a integridade do cidadão, para coibir a barbárie da punição sem provas e para evitar toda forma de injustiça, mas que nas últimas semanas o Brasil vem assistindo exatamente ao contrário.

A nota afirma que “garantias individuais estão sendo violentadas, diuturnamente” e registra que “facínoras roubam do país a verdade” e “bandidos constroem versões ‘por ouvir dizer’ a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes”. 

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