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Correios: demissões estão em estudo, diz presidente

Executivo participou de audiência pública na Câmara de Deputados

Guilherme Campos disse que os prejuízos da empresa de 2015 para cá somam R$ 4,4 bilhões

Foto: Cleia Viana/Agência Câmara

O presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou nesta quinta-feira (20), que a demissão de funcionários continua sendo estudada pela estatal. Segundo ele, que participou de audiência pública promovida por diversas comissões da Câmara dos Deputados, seria necessário demitir para ajustar a folha de pagamento e minimizar os prejuízos que somaram mais de R$ 4 bilhões em 2015 e 2016 e já são estimados em R$ 400 milhões no primeiro trimestre deste ano.

Em 2016, a empresa já havia anunciado um programa de desligamento incentivado (PDI) com a finalidade de desligar pelo menos 8 mil dos 117 mil funcionários, mas só 5,5 mil aderiram, o que já proporcionaria uma economia de R$ 700 milhões por ano.

“Fica aquém das necessidades da empresa, e nós precisamos ter outras ações no sentido de enxugamento da máquina, principalmente nos setores administrativos, não nas áreas operacionais”, disse o presidente. 

“É uma necessidade da empresa. Ainda está na pauta um estudo encomendado por nós e validado pelo nosso departamento jurídico de abertura de um processo de demissão motivado”, continuou.

A avaliação de Guilherme Campos é que os Correios não fizeram os ajustes necessários para se adaptar às mudanças trazidas pela tecnologia, que levaram à redução no fluxo de correspondências e abriram concorrência no setor de entrega de encomendas. 

“É um monopólio sobre algo que está acabando. O consumidor, aquele que vem comprar os nossos serviços, não admite pagar o que seria necessário pagar para a manutenção desse status”, comentou.

Campos também elencou, como causa dos sucessivos deficits, a retirada de quase R$ 6 bilhões do caixa pelo governo federal, entre 2007 e 2013, a título de antecipação de dividendos.

Funcionários – Representantes dos funcionários dos Correios não concordaram com Campos. A reunião desta quinta na Câmara foi acompanhada por trabalhadores que tiveram direito à fala no microfone e manifestaram sua indignação.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), José Rivaldo da Silva, argumentou que a empresa é viável e que não existem prejuízos. Em sua opinião, os Correios devem chamar os funcionários para negociar uma saída para a crise sem apelar para as demissões.

“É importante que o presidente repense o que tem falado à imprensa. A gente corre risco de perder serviços que presta hoje. Quem vai apostar em uma empresa cujo presidente declara que ela é inviável? Ou a gente melhora ou está fadado a assistir a um projeto que gera uma consciência na população de que tem que privatizar os Correios”, afirmou Rivaldo.

Privatização – Guilherme Campos esclareceu que o assunto privatização não está entre suas missões como presidente dos Correios, mas, sim, a recuperação da empresa. Diversos deputados se manifestaram contrariamente à possibilidade de privatização. 

Presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e um dos parlamentares que sugeriram o debate, o deputado Paulo Magalhães (PSD-BA) se comprometeu a encampar a luta contra uma possível privatização dos Correios. 

“Se necessário, vamos levar ao presidente Michel Temer”, prometeu.

Plano de saúde – Os representantes dos trabalhadores mencionaram preocupação com o plano de redução de custos dos Correios, como o fechamento de agências, a suspensão de férias por um ano e o corte do desembolso com o plano de saúde, que representou R$ 1,8 bilhão do prejuízo de R$ 2 bilhões que os Correios tiveram no ano passado.

Guilherme Campos classificou o modelo do plano de saúde como insustentável e declarou estar tentando negociar o corte na Justiça do Trabalho. Atualmente, os Correios entram com 93% do custo, e os funcionários com 7%. O plano atende toda a família dos servidores, inclusive aposentados, pais e mães. A proposta dos Correios agora é financiar apenas as despesas dos funcionários, e não de seus dependentes. 

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