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Deputados retomam frente em defesa do setor naval

Relançamento será na próxima segunda, às 10h, no Palácio Tiradentes

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) relançará, na próxima segunda-feira, às 10h, no Plenário Barbosa Lima Sobrinho do Palácio Tiradentes, a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa tem o objetivo de lutar para retomar a geração de emprego e renda do setor no Estado. O setor naval chegou a empregar 84 mil trabalhadores diretos e mais de 780 mil indiretos no Brasil. Segundo a Revista Portos & Navios, nos últimos quatro anos, pelo menos 60 mil empregos, boa parte de mão de obra qualificada, foram eliminados das estatísticas da indústria naval brasileira. 

Foi a consequência do novo declínio do setor, que havia sido revitalizado no início dos anos 2000 com a política de priorizar equipamentos nacionais na exploração e produção de petróleo. De acordo com o Sindicato da Indústria Naval (Sinaval,) que reúne as empresas do setor, os estaleiros brasileiros empregam atualmente 25 mil trabalhadores no país. A expectativa da entidade é que esse número seja reduzido ainda mais, para cerca de seis mil pessoas em 2020. O Estado do Rio foi o que mais perdeu postos de trabalho: aproximadamente 25 mil. Niterói, Angra dos Reis e a capital estão entre as cidades mais prejudicadas. 

Segundo o deputado estadual Waldeck Carneiro (PT), idealizador e que será reconduzido à presidência da Frente, a iniciativa acontece em razão do desmonte das indústrias naval e do petróleo, que já custou o emprego de milhares de trabalhadores. 

“Queremos mobilizar a sociedade fluminense em defesa da recuperação da indústria naval, da retomada dos investimentos no Comperj, da manutenção da política de conteúdo local e da resistência à política atual da Petrobras”, explica o parlamentar. 

Um dos objetivos da Frente é aperfeiçoar a legislação referente à indústria naval e offshore, influindo no processo legislativo a partir das comissões temáticas no Congresso Nacional. 

“Mobilizaremos, para isso, a bancada federal do Rio de Janeiro e convocaremos entidades de classe e instituições interessadas no desenvolvimento econômico do estado. Também promoveremos debates, simpósios, seminários e outros eventos pertinentes ao setor, além de apoiar reivindicações no que tange à criação da infraestrutura necessária para fomento da indústria naval do Estado do Rio de Janeiro”, declara Waldeck.

Novo desmonte - Para cortar custos, a Petrobras passou a buscar na Ásia, sobretudo na China, plataformas mais baratas como forma de cortar custos. Desde 2016, foram pelo menos nove unidades contratadas de estaleiros chineses. Segundo consultores, esse número tende a aumentar a curto prazo, com novas encomendas para atender à demanda da produção no pré-sal, que está crescendo. Outras empresas do setor que atuam no Brasil fazem movimentos semelhantes. 

De acordo com o deputado, no início deste século o país deixou de comprar embarcações, plataformas e sondas em nações como Cingapura, Coreia e Noruega, produzindo internamente estes materiais apostando na engenharia brasileira. 

“Este setor sofre, atualmente, um novo processo de desmonte. Precisamos discutir encaminhamentos objetivos para a política de conteúdo nacional, tentando restabelecer a retomada de empregos neste segmento profissional”, afirma o parlamentar.

A presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Angra dos Reis, Cristiane Marcolino, alertou para o aumento do número de demissões no setor naval. 

“Os trabalhadores estão sem perspectivas”, salienta. 

Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico dos Municípios de Niterói e Itaboraí, Edson Rocha, chamou a atenção para os impactos do desemprego naquela região. 

“O que aconteceu com o Comperj foi um baque para o setor, pois nestes três municípios reside a maior parte dos empregados da indústria naval da Região Metropolitana”, afirma. 

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