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Expectativa cresce em Brasília

Eleito com a promessa de dar um novo rumo para o País, Jair Bolsonaro assume a presidência na terça

Em julho deste ano, Jair Bolsonaro oficializou sua candidatura à Presidência da República. Na época, poucos acreditavam no sucesso da empreitada

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Na próxima terça-feira, o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tomará posse numa cerimônia com forte esquema de segurança, em que são esperadas mais de 500 mil pessoas. O político que irá governar o País pelos próximos quatro anos venceu as eleições e interrompeu uma série de vitórias do Partido dos Trabalhadores (PT), que ficou 14 anos no poder. Até então conhecido como político do “baixo clero” do Congresso Nacional, que não tinha papel de liderança nos partidos políticos a que pertenceu e nunca assumiu cargos no Governo Federal ou posições de destaque na Câmara dos Deputados, Bolsonaro surpreendeu ao crescer de forma continuada nas pesquisas, se consolidando no primeiro lugar já no primeiro turno das eleições presidenciais.

Sem apoio de grandes coligações, sem quase tempo de propaganda eleitoral gratuita (apenas 8 segundos diários) e sem gastos elevados com campanha eleitoral, que foi quase toda focada em redes sociais, através da internet Bolsonaro conquistou uma legiões de seguidores que lhe atribuíam o apelido de “mito”. 

Bolsonaro disputou uma eleição histórica, marcada por polarizações, enxurrada de mensagens nas redes sociais, fake news e principalmente pela arrebatadora campanha que culminou com a vitória nas urnas, conquistando 57,8 milhões de votos.

A trajetória não foi fácil. Bolsonaro havia falado publicamente na possibilidade de ser candidato à Presidência da República pela primeira vez em abril de 2015, quando se desfiliou do PP, onde não teria espaço, com a intenção de abraçar seu “sonho”. Passou pelo PSC, onde, também desacreditado, optou por migrar para o PSL em 7 de março deste ano. Na época, lançou a pré-candidatura à Presidência já aos gritos de “mito, mito, mito” dos correligionários. No dia 22 de julho, o partido oficializou a candidatura de Bolsonaro à presidência. Mas poucos à época, à exceção do próprio, acreditavam no sucesso.

Em setembro, durante campanha em Juiz de Fora, o então candidato foi esfaqueado

Foto: Reprodução

A trajetória à presidência também foi marcada pela dor. Em 6 de setembro, durante a campanha, o então candidato foi alvo de atentado durante compromisso eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais. Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen por Adélio Bispo de Oliveira, réu confesso, que foi detido em flagrante e segue preso. A polícia ainda investiga se ele agiu sozinho.

O quadro clínico de Bolsonaro fez com que o político se afastasse dos compromissos de campanha, de corpo a corpo nas ruas e também de debates. O afastamento, apesar de criticado por adversários, não impediu que chegasse à vitória nas urnas, com uma consolidada base de votos. No último dia 10 de dezembro, Bolsonaro foi diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em cerimônia na qual seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB), também recebeu o diploma.

Biografia – Jair Messias Bolsonaro, natural de Campinas, São Paulo, nasceu no dia 21 de março de 1955. O filho de Perci Geraldo Bolsonaro e Olinda Bonturi Bolsonaro, ingressou na carreira militar ao cursar a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex), indo em sequência para a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), formando-se em 1977.

O atual presidente eleito, que serviu ao Exército de 1971 a 1988, está atualmente na reserva. Na carreira militar, ingressou na Brigada de Infantaria Paraquedista, onde se especializou em paraquedismo. Bolsonaro, que alcançou a patente de capitão, trocou a vida militar pela política e concorreu à Câmara Municipal do Rio de Janeiro sendo eleito vereador no mesmo ano.

Em 1990, dois anos depois de eleito, conquistou o primeiro dos sete mandatos consecutivos como deputado federal, sendo em 2014 o mais votado na disputa pela Câmara Federal com 464.565 votos de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral.

Em dezembro, o já presidente eleito foi diplomado durante cerimônia no TSE

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Em seus mandatos, Bolsonaro se posicionou em defesa dos direitos dos militares ativos, inativos e pensionistas, lutou contra o que classificou de erotização infantil nas escolas e por um maior rigor disciplinar nas instituições de ensino, pela redução da maioridade penal, pela posse de arma de fogo para o cidadão de bem e direito à legítima defesa, pela segurança jurídica na atuação policial, pelos valores cristãos e pela família tradicional.

Foi também idealizador da proposta do voto impresso que, caso avance, contribuirá, segundo ele, para a realização de eleições mais confiáveis e passíveis de auditagem. A principal bandeira, no entanto, amplamente divulgada em campanha, foi a do combate a estruturas que promovem e facilitam a corrupção no País.

Jair Bolsonaro está em seu terceiro casamento. Sua primeira união foi com Rogéria Nantes Nunes Braga Bolsonaro, com quem teve três filhos, que seguiram a carreira política: Eduardo Bolsonaro, deputado federal por São Paulo; Flávio Bolsonaro, deputado estadual no Rio de Janeiro e senador eleito pelo mesmo estado; e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro.

A mulher foi vereadora na cidade do Rio de Janeiro entre 1993 e 2001. 

O futuro presidente do País se divorciou de Rogéria e, em seu segundo casamento, com Ana Cristina Valle, foi pai, mais uma vez, de Jair Renan Bolsonaro, único filho que não seguiu vida pública e é conhecido por ter um perfil mais discreto nas redes sociais, diferentemente de seus irmãos e de seu pai.

Em 2007, o presidente eleito conheceu a futura primeira-dama do Brasil, Michelle de Paula Firmo Reinaldo, quando a mesma trabalhava como secretária parlamentar na Câmara dos Deputados. Dois meses após ser contratada, os dois se casaram em uma cerimônia religiosa ministrada pelo pastor evangélico Silas Malafaia.

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