Assine o fluminense

Governador Wilson Witzel recebe os pais de Marielle

Representantes da Anistia Internacional também participaram do encontro

Wilson Witzel em reunião, com Marinete Silva e Antônio Francisco da Silva

Carlos Magno / Governo do Estado

O governador Wilson Witzel recebeu, nesta quarta-feira (13) Jurema Werneck e Margaret Huang, diretoras-executivas da Anistia Internacional Brasil e Estados Unidos, respectivamente, além dos pais de Marielle Franco, Antônio Francisco da Silva e Marinete Silva. No encontro, no Palácio Guanabara, Witzel reiterou o compromisso do Governo do Estado com a segunda fase do caso, que, a partir de agora, investigará as motivações e o possível mandante do crime.

“A Secretaria de Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro estão empregando todos os esforços neste caso. Asseguro a todos que vamos seguir trabalhando para que tudo seja esclarecido. Temos uma polícia altamente capacitada e independente, que se utilizou de técnicas modernas de investigação na primeira fase e continuará da mesma forma na segunda etapa”, afirmou o governador.

As representantes da Anistia Internacional agradeceram pelo encontro e apresentaram a proposta de um mecanismo independente para acompanhar a investigação policial. Jurema ainda pontuou que o Brasil pode fazer a diferença ao elucidar o crime de grande repercussão no país e no mundo.

“Nossa presença hoje serviu para apresentar as preocupações da Anistia Internacional no caso Marielle Franco e também reconhecer o primeiro passo dado ontem, quando foram apresentados os dois suspeitos de assassinar Marielle. Tivemos a oportunidade de ouvir do governador o firme compromisso de seguir com as investigações e a concordância de que este foi apenas o primeiro passo”, disse a diretora-executiva brasileira.

Marinete Silva, mãe de Marielle, disse se sentir mais segura após a reunião com o governador e ouvir a garantia do prosseguimento do caso.

Advogado nega que suspeito de matar Marielle seja dono de 117 fuzis

Divulgação Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro

Caso Marielle: Cinco pessoas prestaram depoimento nesta quarta

Cinco pessoas estiveram nesta quarta-feira na Delegacia de Homicídios da capital (DH), na cidade do Rio de Janeiro, para prestar depoimentos na investigação sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Entre eles estão dois policiais militares, um bombeiro e dois empresários.

Quatro deles foram levados à DH por policiais civis que cumpriram nesta quarta 16 mandados de busca e apreensão. O quinto depoente chegou sozinho à delegacia. Não há mandado de condução coercitiva contra eles, portanto os cinco foram à delegacia de forma espontânea.

Eles foram ouvidos por terem alguma relação com os dois acusados de cometerem os homicídios: o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Queiroz. Os dois foram presos na manhã de terça-feira (12) e ainda estão na DH, onde se espera que eles também prestem depoimento. Ainda não há previsão de transferência para unidades prisionais. 

Pontapé - A prisão dos dois suspeitos pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes aliviou, um pouco, a dor das famílias de ambos. Durante entrevista coletiva no Ministério Público (MP), nesta terça-feira (12), eles disseram que vão ficar mais tranquilos, mas ainda querem saber o que motivou os assassinatos.

“Com a prisão dos dois suspeitos, diminui um pouco a nossa angústia. A minha, principalmente, porque eu ficava imaginando que nunca iam conseguir chegar a um motivo, por menor que fosse, para que tivesse acontecido os assassinatos da Marielle e do Anderson. Eu sempre me perguntava o que Marielle fez para merecer tamanha injustiça. Se ela era defensora dos direitos humanos, ela não estava cometendo nenhum crime. Eu não conseguia mensurar nenhum fato, nenhum motivo, para que ela tivesse sido assassinada”, disse o pai da vereadora, Antônio Francisco da Silva.

A irmã dela, Anielle Franco, disse que a dor pela perda continua afetando a todos. “É óbvio que é importante saber quem mandou matar, mas hoje foi um passo grande. A gente espera descobrir de fato se tem mandante. Vou dormir mais tranquila no dia em que a gente tiver a família junta de novo. Até lá, é um vazio, uma dor, que não tem como. A gente segue por ela [Marielle], mas dói muito”, desabafou.

Também presente à coletiva, a viúva de Anderson, Ághata Reis, reconheceu que o caso foi um marco no Rio de Janeiro. “O que aconteceu foi muito maior do que a gente poderia imaginar. É realmente um divisor de águas. A prisão desses dois é só um começo, um pontapé. Tem muita coisa ainda para ser descoberta, para que a gente ponha um ponto final no nosso sofrimento. Queremos descobrir o mais rápido se houve um mandante”, disse Ághata.

Defesa nega que suspeito seja dono de fuzis

O policial militar reformado Ronnie Lessa, acusado da autoria dos disparos que levou às mortes da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, negou ser dono dos 177 fuzis encontrados desmontados na casa de seu amigo Alexandre Motta. De acordo com seu advogado, Fernando Santana, “ele nega que as armas sejam dele. Ele nega e não entendeu porque o Alexandre disse isso”.

Ronnie Lessa foi preso na Operação Lume, deflagrada nesta quarta-feira (13). Conforme denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), ele é o responsável pelos tiros que atingiram Marielle e Anderson, e fez os disparos do banco de trás do Cobalt branco, carro que aparece em vídeos de câmeras de segurança perseguindo o veículo onde as vítimas estavam. Também foi preso o ex-policial militar expulso da corporação Élcio Vieira de Queiroz, que estaria dirigindo o carro. 

Posse ilegal – Além de cumprir os mandados de prisão preventiva contra os dois, os agentes que integraram a Operação Lume também lavraram autos de prisão em flagrante por posse ilegal de armas. De acordo com a Polícia Civil, Lessa seria o responsável por caixas encontradas na casa de Alexandre, onde estavam guardadas peças de 117 fuzis M-16. Faltavam apenas os canos. Uma nova investigação será aberta para identificar a origem dos fuzis.

Com Élcio foram encontradas duas pistolas de uso restrito. “Era dele, só que ele tinha porte de policial militar e foi excluído da Polícia Militar. Enfim, são questões técnicas e processuais e, no momento certo, vamos fazer a defesa”, explicou Henrique Telles, advogado de Élcio.

Os dois advogados já haviam negado as acusações imputadas aos seus clientes. Fernando Santana disse que Lessa nunca fez pesquisas na internet sobre o nome de Marielle, conforme alega a denúncia do MPRJ. Já Henrique Telles assegura que provará que Élcio estava em outro local no momento do crime. “Vamos levar testemunhas que viram meu cliente no momento em que a vereadora foi assassinada”.

As duas defesas reclamam que só hoje tiveram acesso a parte dos autos do processo. “Não sei ainda do que o meu cliente está sendo acusado na totalidade”, reclamou Henrique Telles. Os advogados afastam a possibilidade de serem firmados acordos de colaboração premiada, pois alegam que, sendo ambos inocentes, não há o que delatar. 

Delegado fora de ação

O delegado Giniton Lages, responsável pela condução das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, não vai mais estar à frente do caso. A informação foi confirmada nesta quarta pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. Segundo ele, o delegado irá participar de um programa de intercâmbio com a polícia italiana. 

“O delegado Giniton não será exonerado. Trabalhou neste caso, acumulou muita informação e nós já estávamos trabalhando em um programa com a Itália e com os Estados Unidos. Como ele está com muita experiência adquirida e nós estamos com o intercâmbio com a Itália para estudar máfia, para estudar os movimentos criminosos ele vai fazer esta troca de experiência com a polícia italiana”, disse o governador do Estado do Rio de Janeiro Wilson Witzel. 

Festival Justiça 

Alguns atos serão realizados pela cidade do Rio de Janeiro hoje, dia em que se completa um ano da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A sucessão de homenagens, que ganhou o nome de “Festival Justiça por Marielle e Anderson”, se inicia às 8h. Está programada uma grande uma concentração de pessoas no Estácio, local onde aconteceu o ataque ao carro onde eles estavam, e em outros pontos do Estado como em Niterói, São Gonçalo, Barra Mansa, Macaé, Cabo Frio, Teresópolis, Petrópolis, e Volta Redonda. O destino dessas pessoas será a igreja da Candelária, pois às 10h será celebrada uma missa em homenagem aos dois.

Já, às 14h, a Cinelândia receberá uma aula pública ministrada por Thula Pires , professora de Direito Constitucional e coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Reflexão e Memória Afrodescendente da PUC.

Faça seu login ou cadastre-se para enviar seus comentários

Comentários

Veja também

Scroll To Top