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Licius Coelho bacharel em Direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com pós-gradução em Direito Processual Civil, bacharelando em História pela UFF. Email para a coluna: licius210@gmail.com

Lula estará nas Urnas Eletrônicas em 2018

As eleições gerais de 2018 serão realizadas no dia 07 de outubro, e a sociedade brasileira irá decidir quais os rumos que deseja para o nosso país. Os partidos políticos já definiram as suas respectivas candidaturas, inclusive para o cargo de Presidente da República. No entanto, as eleições presidenciais deste ano estão se desenvolvendo num ambiente atípico, pois a campanha está sendo contaminada por uma incerteza fundamental, visto que o candidato que desponta como favorito em todas as pesquisas de opinião poderá ser impedido de participar da disputa eleitoral.

Todos os brasileiros sabem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado, e está preso em Curitiba cumprindo antecipadamente a execução de uma pena privativa de liberdade que poderá ser revista pelos Tribunais Superiores. Todos os eleitores brasileiros também sabem que a sua candidatura poderá ser impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. No entanto, nenhum destes fatores foi capaz de enfraquecer a candidatura do ex-presidente Lula, que continua sendo considerado por uma ampla parcela da sociedade como a liderança política melhor habilitada para governar o país a partir de janeiro de 2019. Mas para tentarmos entender este complexo processo eleitoral, teremos que considerar alguns antecedentes que influíram decisivamente na configuração do atual cenário político.

No ano de 2016 o Brasil foi submetido a um “Golpe Brando”. Naquele período muitos analistas políticos anunciavam que o afastamento da presidente Dilma Rousseff representaria o fim do projeto de sociedade defendido pelo Partido dos Trabalhadores, que as acusações contra as suas principais lideranças iriam enfraquecer a organização partidária, e que estes fatos provocariam o fim da influência política do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Mas estas “profecias" não se concretizaram, pois todo o “Golpe Brando” foi construído a partir de uma falsa retórica que difundia uma visão distorcida da realidade, com o objetivo de manipular a opinião pública, e atender aos interesses de determinados grupos políticos e das elites econômicas do Brasil. Hoje, muitos brasileiros possuem uma visão crítica sobre o denominado “Golpe Brando”, e estão tomando consciência de que nos últimos dois anos o país vem sendo submetido a um conjunto de medidas que está afetando a qualidade de vida da maioria da população. E é neste cenário que estamos vivenciando um novo processo eleitoral, onde o Partido dos Trabalhadores continua sendo visto como uma organização partidária representativa, e ao mesmo tempo a sua principal liderança desponta como o candidato preferencial de muitos eleitores.

A decisão do Partido dos Trabalhadores de manter a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como cabeça de chapa faz parte de uma estratégia eleitoral legítima, visto que o ex-presidente não teve os seus direitos políticos suspensos, e ainda existe a possibilidade jurídica de conseguir viabilizar esta candidatura junto aos Tribunais Superiores. Contudo, o fato mais importante desta resolução do PT foi manter a candidatura de Lula como o componente central deste processo eleitoral, contrariando os interesses de seus adversários e inimigos políticos, pois as demais candidaturas passaram a orbitar em torno da chapa do Partido dos Trabalhadores, e a manutenção ou impugnação da candidatura do ex-presidente passou a ser o dado fundamental para a definição do atual quadro eleitoral.

Na hipótese do ex-presidente Lula conseguir viabilizar a sua candidatura, todas as pesquisas eleitorais apontam para uma mesma tendência, e a definição do processo eleitoral poderá ocorrer ainda no primeiro turno com a vitória do Partido dos Trabalhadores. Caso se concretize a impugnação da candidatura de Lula, terá início uma nova disputa eleitoral, e o PT está convencido de que conseguirá transferir para o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, os votos que seriam atribuídos originariamente ao ex-presidente Lula.

Estamos convencidos que é remota a possibilidade da candidatura de Luis Inácio Lula da Silva ser mantida pelos Tribunais Superiores, e acreditamos que a pressão das elites politicas e econômicas do país conseguirá obter uma decisão que irá impugnar esta candidatura. No entanto, o ex-presidente Lula construiu nos últimos meses uma ampla aceitação entre os eleitores, pois conseguiu canalizar o descontentamento de parcelas da sociedade em relação ao projeto golpista, e muitos brasileiros estão convencidos de que a retomada do projeto do Partido dos Trabalhadores é o caminho mais adequado para a solução de nossos problemas. A margem de intenção de votos alcançada pelo Partido dos Trabalhadores é bastante ampla e consistente, e caso ocorra a impugnação da candidatura do ex-presidente Lula é razoável acreditar que o PT conseguirá eleger o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para o segundo turno das eleições presidenciais.

A disputa pela segunda vaga na corrida presidencial se dará entre as forças conservadoras que deram sustentação política ao “Golpe Brando”. Esta será uma luta acirrada, pois estará em jogo a tentativa de legitimação do “Golpe Brando” através do atual processo eleitoral.

Para muitos brasileiros o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva representa um projeto de sociedade, e continua sendo considerado uma liderança política que traduz os anseios e as esperanças de uma expressiva parcela de nossa população. Assim, por tudo que o ex-presidente Lula representa, de alguma forma ele estará presente nas Urnas Eletrônicas no dia 07 de outubro.                   

  

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