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Maricá cobra serviço de qualidade

Cidade teve audiência pública promovida pela CPI da Alerj que apura irregularidades no setor de energia

Cerca de 400 pessoas lotaram o Cine Teatro Municipal Henfil, no Centro, para acompanhar as discussões

Paulo Polônio/Divulgação

A cidade de Maricá recebeu, na noite de segunda-feira (10), audiência pública promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) que investiga irregularidades do setor de energia elétrica e é presidida pela deputada estadual maricaense Zeidan Lula (PT). Na oportunidade, cerca de 400 munícipes lotaram o Cine Teatro Municipal Henfil, no Centro, para acompanhar as discussões e levar suas reclamações sobre a distribuidora Enel.

Na audiência, Angélica Spindola, coordenadora do Procon em Maricá, disse que alguns bairros do município chegaram a ficar cinco dias sem energia e que o número de reclamações não para de crescer. 

“Isso é inadmissível [sobre os cinco dias sem luz]. O número de reclamações só aumenta e a empresa não faz nada para melhorar. Vamos fazer agora 80 audiências de conciliação para tentar resolver uma parte dos problemas que chegam para nós diariamente, mas sabemos que seria resolvido se tivéssemos mais suporte na região”, declarou Spindola.

Augusto Viana Lopes, promotor do Ministério Público do Estado (MP-RJ), também esteve no encontro e lembrou que tramita na Justiça uma ação contra a empresa que estabelece que a distribuidora, no município, tenha o prazo máximo de até quatro horas, em áreas urbanas, e seis horas, em áreas rurais, para o restabelecimento de energia em momentos de queda.

“O Ministério Público entrou com uma ação idêntica no município de Niterói. Lá o processo já tramitou em julgado e a empresa está sendo obrigada a cumprir a decisão judicial. Em caso de descumprimento terá que pagar uma multa no valor de R$ 10 mil por caso. Tudo indica que o processo de Maricá vai ocorrer da mesma forma e, em breve, a exigência no atendimento será aplicada também no município”, disse Lopes.

Conforme revelado na audiência pública, a estrutura da Enel para atender o município de Maricá seria pequena. Hoje, a distribuidora conta com apenas duas equipes de suporte e uma loja física para atender a população da cidade, que tem cerca de 150 mil habitantes.

Contas altas – Além da falta de energia, os presentes na audiência também reclamaram sobre os altos valores praticados nas contas de luz. A pensionista Erika Francisco Lima disse que, por sugestão de técnicos da Enel, trocou toda a fiação de sua casa para diminuir sua conta de luz, que nos últimos meses, aumentou mais de 100%.

“Eu não pagava mais de R$ 200 por conta mas, de uns tempos para cá os valores têm se tornado cada dia mais abusivos, mesmo diminuindo o meu consumo de energia. Cheguei a fazer um empréstimo de R$ 2.500 só para trocar a fiação da minha casa, com a promessa de que a minha conta iria reduzir, mas nada disso aconteceu. Pelo contrário, as contas vieram mais altas nos últimos dois meses”, desabafou Lima, que revelou receber R$ 3 mil por mês e estar gastando, hoje, mais com a conta de luz do que com alimentação.

Enel responde – Representantes da Enel que estavam presentes na audiência informaram que para melhorar o atendimento no município serão realizadas inspeções com helicópteros, vistorias com carro termovisor e que há uma equipe multidisciplinar e monitores de ramais prontos para atender a demanda da população. Ao todo, desde o início do ano, já foram realizados mais de 11 mil atendimentos na região, entre podas na rede elétrica e problemas na fiação. A Enel também afirmou estar investindo em tecnologia para melhorar o atendimento à população.

Fiscalização – Zeidan, presidente da CPI, defendeu que seja feito um convênio entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa) para uma fiscalização mais ostensiva das empresas. 

“O convênio precisa ser agilizado através da Alerj para que a Agenersa atue de forma mais eficaz, fiscalizando as empresas, o que hoje não acontece e gera milhares de reclamações dos consumidores”, disse. 

A deputada antecipou que  nesta quinta (13) será realizada uma reunião na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda (Sedeger), com representantes da Aneel e da Agenersa para retomar o convênio, parado desde 2013, para fiscalizar as empresas.

 
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