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Militar é preso com drogas em comitiva do presidente

Presidente classificou o episódio como ‘inaceitável’ e exigiu investigação

Antonio Cruz/ Agência Brasil

Acusado de tráfico internacional de drogas, um militar da Força Aérea Brasileira (FAB) foi preso em flagrante por autoridades espanholas ao desembarcar no aeroporto de Sevilha, na Espanha, na terça-feira. Com ele foram apreendidos cerca de 39 quilos de cocaína transportados no avião da FAB que estava na comitiva do presidente Jair Bolsonaro em viagem até o Japão, onde o presidente participa de reunião do G20. 

O detido, identificado como o segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, já havia participado de outros voos oficiais em comitivas presidenciais de Bolsonaro. Silva Rodrigues também já participou de viagens internacionais junto com o comandante da Aeronáutica em uma viagem para Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile. 

Toda a comitiva presidencial faria uma escala em Sevilha, porém, após a prisão do militar, o avião onde estava Jair Bolsonaro fez uma mudança na rota da Espanha para Portugal. Ainda na noite de terça-feira, pelas redes sociais, o presidente afirmou que o fato não tem relação com sua equipe e classificou o episódio como inaceitável. 

“Exigi investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB. Não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso país”, declarou em uma postagem. 

‘Mula qualificada’ – O presidente em exercício Hamilton Mourão afirmou que o militar retornaria ao Brasil juntamente como o restante da comitiva e garantiu que será punido por tráfico internacional de drogas. 

Ainda segundo Mourão, o sargento era copeiro na aeronave e estaria com o presidente quando ele fizesse sua escala na Espanha em viagem de retorno ao Brasil, prevista para o próximo fim de semana. 

Mourão afirma ainda que, pela quantidade de drogas que o militar estava levando, era muito provável que ele estivesse trabalhando como mula. 

“Uma mula qualificada, vamos colocar assim”, se referindo ao termo usado para pessoas que transportam drogas em viagens internacionais. 

IPM – Em nota, a Força Área Brasileira (FAB) informou que o sargento não estava na mesma aeronave do presidente e que a Aeronáutica instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias do caso. 

“Esclarecemos que o sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial, fazendo parte apenas da tripulação que ficaria em Sevilha. Assim, o militar em questão não integraria, em nenhum momento, a tripulação da aeronave presidencial, uma vez que o retorno da aeronave que transporta o presidente da República não passará por Sevilha”, informa a nota da FAB. 

Santuários – O ministro Celso de Mello citou o caso durante uma sessão plenária no Supremo Tribunal Federal (STF) se referindo ao que chamou de “santuários” para criminosos comuns que tenham alguma ligação com autoridades, mas sem nenhum envolvimento com a autoridade. O juiz afirmou que não necessidade de o STF conduzir uma investigação sobre o militar, pois não há nada que ligue o militar ao presidente da República. 

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