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Rodrigo Neves apresenta sua versão das denúncias do MPRJ

Segundo o prefeito, encontros e pagamentos eram referentes a atrasos no repasse para as empresas de ônibus

Segundo Rodrigo Neves, se ele tivesse sido ouvido, tudo seria esclarecido sem a necessidade dos 93 dias de cárcere

Marcelo Feitosa / Arquivo

Após 93 dias de cárcere, Rodrigo Neves (PDT), prefeito de Niterói, teve nesta sexta-feira (15) a oportunidade de se pronunciar sobre a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) que resultou em sua prisão preventiva no dia 10 de dezembro de 2018. 

Uma das grandes reivindicações da defesa e de seu grupo de apoiadores nas redes sociais, durante os últimos três meses, foi que a Justiça não convocou Neves, em nenhuma oportunidade, para prestar qualquer tipo de esclarecimentos. O prefeito acredita que, se tivesse sido ouvido, tudo seria esclarecido.

“Se eu tivesse a oportunidade de falar, teria falado. O Coaf fez um pente fino na minha vida, quebraram todos os meus sigilos. Eu moro em um bairro de classe média-média, não tenho casa de praia, minha esposa Fernanda, com quem sou casado há 24 anos não tem joias. Apesar de ter administrado bilhões de reais nesses anos todos, tenho responsabilidade. Isto tudo foi uma loucura”, afirmou.

A denúncia do MPRJ aponta que Neves, seria a cabeça de um esquema de corrupção que desviou R$ 10 milhões da cidade, cobrando supostamente 20% do pagamento das gratuidades para os consórcios de transporte público como propina. Neves, no entanto, afirma que o contrato com os consórcios, por exemplo, não foi realizado em sua gestão e que o pagamento de gratuidades ocorria com atrasos, por outras prioridades serem tomadas em sua administração. 

Neves afirmou, em entrevista, que as mensagens entre Domício Mascarenhas, ex-secretário de Obras da Niterói, e Marcelo Traça, ex-presidente da Setrerj, eram cobranças por parte dos empresários das empresas sobre os repasses, que o prefeito conscientemente atrasou.

“Quando peguei a cidade, o relatório da área técnica apontava R$ 265 milhões em dívida. Os salários dos servidores estavam atrasados. A prioridade foi arrumar as contas públicas e pagar salários em dia, pagar dívidas essenciais para que Niterói não ficasse um caos igual a outras cidades da região. É claro que neste processo eles (as empresas de ônibus) fizeram ofícios, reclamações, pedidos aos secretários. As mensagens com Domício, então Secretário, são isso. Cobranças das empresas de ônibus para repasses de gratuidades”, disse Neves.

Família – Após sua soltura, Rodrigo Neves está livre de uma das suas maiores preocupações: não estar presente para o nascimento de sua primeira neta. O prefeito também relembrou do longo período de espera para ser visitado por familiares: do dia que foi preso, até a visitação, passaram-se 45 dias.

“Estou muito feliz de estar aqui com meus filhos, minha neta já beijando a barriga de minha filha. Eu estava realmente preocupado de não estar aqui nestes meses de sua gravidez. Minha família é guerreira. É um absurdo, em nosso sistema, as visitações demorarem tanto a começar”, concluiu.

Para os niteroienses - Para a população de Niterói, em seu retorno ao posto de prefeito, Neves avisa: “A cidade vai continuar sendo um ponto cintilante fora da curva deste contexto de retrocessos na Região Metropolitana do Rio. Com a equipe extraordinária que temos na prefeitura, vamos continuar conquistando progressos consistentes. Agradeço as milhares de mensagens e orações que recebi dos niteroienses”.

Plano de metas será apresentado 

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) da última terça concedeu a liberdade e a recondução ao cargo de Prefeito de Niterói à Rodrigo Neves. Neste sentido, o político não perdeu tempo e já está com as rédeas da administração municipal nas mãos. 

Já no retorno à prefeitura na última quinta-feira, quando foi recebido por cerca de 300 apoiadores, Rodrigo Neves convocou uma reunião com todos os seus secretários. Neves, em entrevista, afirmou que, já na próxima semana, terá um plano de metas para 2019.

“Na reunião com os secretários, eu pedi um relatório de pendências destes três meses porque, como estava afastado, eu não tinha informações sobre a administração. Para meus secretários, determinei acelerar o ritmo e que todas as secretarias apresentem, na próxima quarta, um Plano de Metas para o ano de 2019, tendo como referência o Plano Estratégico Niterói Que Queremos. No próximo final de semana apresentarei estas metas. Estou animado”, declarou.

Neves também reconheceu Niterói como uma cidade ímpar. Segundo ele, todos os dirigentes políticos contribuíram para que a cidade se mantivesse estável em um momento conturbado.

“A atitude de Paulo Bagueira (que assumiu a prefeitura na ausência de Neves) foi muito responsável. Niterói se mostrou diferenciada em relação às outras cidades. Os dirigentes políticos, tanto de situação como de oposição, mantiveram a serenidade e a responsabilidade e nossa sociedade também foi exemplar. Por isto, apesar deste momento complexo, a cidade ficou de pé”, constatou.

Perguntado sobre as suas prioridades no retorno ao Executivo municipal, Neves afirma que os planos continuam os mesmos antes de todo o imbróglio judicial que o afastou. No entanto, tudo será detalhado na próxima semana.

“A prioridade continua sendo educação, saúde, mobilidade, resiliência e segurança pública. Na semana que vem iremos apresentar o nosso plano de metas de maneira detalhada para a população. Em 2020 Niterói alcançará seus objetivos”, afirmou Rodrigo Neves, o Prefeito de Niterói.

Transformação no plano pessoal 

Rodrigo Neves ficou preso durante 93 dias no presídio Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. Em uma cela com cerca de 50 presos, Neves tinha direito a duas horas de banho de sol por dia. Entretanto, o Prefeito de Niterói afirma que não possui nenhuma mágoa, apesar de todas as condições adversas do sistema penitenciário.
“Não guardo rancor, raiva, nenhuma mágoa de ninguém neste processo todo. Eu confiava nas instituições democráticas. Os agentes penitenciários foram extremamente corretos, apesar das necessidades históricas, foram dignos comigo.”, disse. 

Durante o tempo na prisão, Neves dedicou grande parte de seu tempo  à leitura. O prefeito afirmou que leu, ao todo, mais de 40 livros e que praticou exercícios físicos.

“Li mais de 40 livros. Li Memória do Cárcere, de Graciliano Ramos, li a biografia de JK, li livros de teologia e a biografia de Einstein. Einstein, inclusive, tinha uma frase que me marcou muito e me ajudou enquanto estava lá, que era: ‘a vida é como andar de bicicleta, para manter o equilíbrio, precisamos estar sempre em movimento’. O movimento para mim foi o exercício físico, a leitura e a espiritualidade”, declarou.

Quem esteve presente na Prefeitura de Niterói, na última quinta, dia de sua chegada, também reparou que o prefeito está mais espiritualizado. Logo após de conceder entrevista coletiva, por exemplo, o prefeito comandou a oração “Pai Nosso”. Neves afirma que, durante o cárcere, para além das 40 peças literárias, leu todos os 27 livros do Novo Testamento. 

“Não passamos por um processo deste sem que transformações no plano pessoal aconteçam, eu já tinha espiritualidade forte, mas saio com a fé ainda mais fortalecida”, revelou.

Neves também afirmou que o dia 12 ficou marcado por importantes resoluções democráticas. O prefeito comemorou o início dos esclarecimentos sobre o caso Marielle Franco, que completou um ano na última quinta, e também sobre a sua soltura.

“Foi um dia histórico, importante para a democracia. Sobretudo pelo início da elucidação do caso da Marielle  e a decisão do TJ que me libertou e devolveu um mandato que não é meu, é da cidade de Niterói”, afirmou.

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