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Calor humano no retorno de Rodrigo Neves à Prefeitura

Prefeito foi ovacionado no final da tarde de ontem por centenas de pessoas na chegada à sede do Poder Executivo

Rodrigo foi recebido por uma multidão e retribuiu com gestos de carinho

Douglas Macedo

Após ter sua prisão preventiva revogada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Rodrigo Neves (PDT) reassumiu, na tarde desta quinta-feira, após 93 dias de cárcere, a Prefeitura de Niterói. 

Por volta das 17h30, Neves chegou à Sede do Executivo niteroiense e foi recebido por cerca de trezentas pessoas, entre populares, servidores e lideranças políticas, que cantavam músicas, entre elas, uma adaptação do samba da Viradouro deste ano, com o refrão “Quem me viu chorar, vai me ver sorrir [...] pode acreditar o nosso prefeito voltou”.

A festa teve direito a chuva de papel picado laminado antes que Neves entrasse no prédio.

Antes de subir para seu gabinete, onde se reuniu com os secretários municipais, o prefeito de Niterói concedeu entrevista. Neves detalhou como foi o processo de sua soltura e como foi recebido em sua casa, no bairro de Santa Rosa, na Zona Sul de Niterói, e fez agradecimentos a Fernanda Sixel, sua esposa, que durante seu tempo afastado, por exemplo, coordenou a página de apoio “Tô Com Rodrigo”, nas redes sociais.

“Ontem estive com minha família, em minha casa, com muitos amigos também, e queria agradecer muito a Deus por ter uma mulher maravilhosa, que realmente é a mulher da minha vida, a Fernanda, que foi resiliente, forte. Nós vivemos um período muito difícil em nossa vida pessoal. Tenho três filhos maravilhosos, crianças abençoadas”, afirmou Neves.

Neves também ressaltou a atuação de Paulo Bagueira (SD), que exerceu nos últimos três meses, de forma interina, o cargo de prefeito e estava ao seu lado enquanto discursava.

“Queria fazer um agradecimento especial ao vereador Paulo Bagueira, o presidente da Câmara. Ele não foi leal a mim, foi leal à cidade e a manteve de pé. Não é qualquer cidade que passa pelo processo que passamos”, disse.

Rodrigo Neves também detalhou sua experiência em cárcere. O político afirmou que, apesar de ter sido uma experiência difícil, seu tempo em Bangu 8 “equivale a quase 10 anos de experiência de vida”. Rodrigo, que após sua entrevista comandou a oração do Pai Nosso, também revelou que, em cárcere, a fé foi importante.

“Foi uma experiência muito difícil, muito dolorosa. Eu estou um pouco tonto ainda, foram 93 dias dentro do cárcere [...] Saio com uma perspectiva ainda mais apurada sobre o que é a pessoa humana, o que é a vida, o que é a família. Li muito o salmo 23, o salmo 121, o salmo 90. Entreguei nas mãos de Deus o tempo todo a minha vida e o meu destino”, relembrou.

Aliados – Em sua volta para a prefeitura, Rodrigo Neves contou com a presença de seus aliados políticos. Estiveram presentes Comte Bittencourt (PPS), secretário de Governo; Chico D’Angelo (PDT), deputado federal; Verônica Lima (PT) e Leonardo Giordano (PCdoB), vereadores; além de Paulo Bagueira (SD), presidente da Câmara que assumiu interinamente a prefeitura em sua ausência. Todos os secretários e servidores da prefeitura também estavam lá para receber Rodrigo. 

Decisão – No próximo mês, o TJ-RJ decidirá sobre a aceitação ou não da denúncia sobre Neves. Sobre isto, Neves disse que agora, em liberdade, “irá esclarecer ponto por ponto”, como faria se, segundo ele, tivesse sido ouvido antes. 

Aliados comemoram o retorno de Neves

Na recondução do prefeito ao cargo na prefeitura, as lideranças políticas aliadas a Rodrigo Neves (PDT) também se manifestaram.

Paulo Bagueira (SD), que esteve ao lado de Neves desde o momento em que chegou à prefeitura, comemorou.

“Eu tô muito satisfeito, merecidamente a Justiça foi feita. Estou muito feliz com o retorno do nosso prefeito e amigo Rodrigo. A cidade está vivendo um momento muito feliz e de alegria”, disse.

Comte Bittencourt (PPS), Secretário de Governo de Niterói, agradeceu ao trabalho feito pelo presidente da Câmara, Paulo Bagueira, mas afirmou que “Rodrigo é insubstituível”.
“A Justiça foi feita. Isso foi uma arbitrariedade, todos nós acreditávamos e continuamos acreditando nele. A cidade viveu nos últimos 90 dias a ausência de seu gestor principal, do líder deste projeto. Bagueira cumpriu um papel com muita responsabilidade. Mas a ausência do Rodrigo sempre é sentida, ele é o grande articulador de todo esse projeto. Estamos todos muito animados”, afirmou.

O deputado federal niteroiense Chico D’Angelo (PDT), também comemorou.

“Quem conhece Rodrigo, sua vida pessoal, sabe de sua dignidade. Foi um grande sofrimento para todos que o conhecem. Se fez Justiça”, declarou o deputado federal D’Angelo, às portas da Prefeitura. 

Quem também estava satisfeito com o retorno de Neves era o secretário de Esporte e Lazer Luiz Carlos Gallo.

Bagueira perto da Alerj 

Após conseguir, na tarde desta quinta-feira, uma decisão favorável de habeas corpus do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Anderson Alexandre (SD), ex-prefeito de Silva Jardim e um dos seis deputados estaduais eleitos para a Alerj que foram presos antes de tomar posse, não poderá assumir mandato. 

A decisão foi tomada pela juíza Daniella Correia da Silva, titular da Comarca de Silva Jardim, que determina que Alexandre seja impedido de assumir qualquer função pública até o fim do processo. As informações foram obtidas pela TV Globo.

 A resolução de Silva faz com que Paulo Bagueira (SD), presidente da Câmara Municipal de Niterói que chegou a ocupar a cadeira de prefeito de forma interina, enquanto Rodrigo Neves (PDT) estava preso, esteja ainda mais perto de tomar uma decisão. Bagueira sagrou-se, no pleito do último ano, segundo suplente da coligação de Alexandre.

Na mesma coligação, além do ex-prefeito de Silva Jardim, mais dois parlamentares eleitos e o primeiro suplente também foram presos. 

Tramita na Alerj, um Projeto de Resolução que pretende alterar o Regimento Interno da Casa para resolver o fim deste imbróglio, convocando os suplentes. Caso a mudança se concretize, Bagueira deverá escolher se vai para a Alerj ou se fica na Câmara de Niterói. Para assumir como deputado, ele terá que renunciar como vereador.

(Colaborou André Bernardo)

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