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É possível viver sem dor

Especialistas chamam a atenção para ações que podem melhorar a qualidade de vida dos idosos

Especialista em clínica da dor, Marco Antonio Hélio da Silva recomenda que idosos pratiquem exercícios físicos regulares e associados à boa alimentação

Foto: Divulgação

Carolina Ribeiro

“Atualmente não é mais aceitável que pessoas convivam com quadros de dores intensas”. A afirmação é do médico especialista em clínica da dor e acupuntura há 29 anos, Marco Antonio Hélio da Silva, que chama a atenção para os tratamentos que controlam e reduzem a dor.
Há uma grande máxima que a terceira idade é a época das dores, dos tratamentos e dos remédios. Sabe-se que, quanto mais velho, mas suscetível a dores, por questões do próprio corpo. Entretanto, a partir de alguns cuidados, é possível evitar esses problemas. Marco Antonio conta que existem muitos estudos publicados que visam entender o porquê da dor no ser humano.

“As estatísticas recentes têm demonstrado que algumas situações estão aparecendo em faixas etárias mais baixas, devido a mudanças de hábitos e perfil da população com aumento do sedentarismo e do peso. As dores mais frequentes nos idosos são musculares, articulares, na região lombar, no pescoço e artrose do joelho e quadril”, lista o médico, especificando que isso acontece em virtude do envelhecimento ou do desgaste físico por atividades profissionais ou acidentes ao longo da vida.

Para evitar viver com dor, o especialista indica que os idosos pratiquem exercícios físicos regulares adequados para a idade e associados a bons hábitos alimentares. Segundo Luis Marcelo Malta, ortopedista do Hospital Universitário Antonio Pedro (Huap) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia do Rio de Janeiro (Sbot-RJ), pode ser difícil identificar se o problema está relacionado à idade ou a doenças mais específicas.

“É complicado para o indivíduo, principalmente o leigo, avaliar se a dor está relacionada a alguma condição mais grave ou não. Consideramos uma dor aguda quando dura menos de três semanas, e crônica aquela que ultrapassa esse período. Em geral, recomendamos que aquelas que não parem no espaço de poucas semanas sejam investigadas por um profissional da área médica”, diz o ortopedista.

Marco Antonio afirma que a dor também pode ser evitada a partir de cuidados gerais com a saúde. Além das atividades físicas, o controle do peso e do estresse também são importantes, salvo em casos de lesões, traumas e acidentes que muitas vezes são inevitáveis. Para estes, o especialista trabalha junto ao paciente para controlar a dor e permitir um bom convívio com o problema e o retorno às atividades diárias o mais rápido possível.

O médico reforça também que a dor não é uma coisa “normal” e que todas têm que ser tratadas. “As pessoas têm a tendência equivocada de deixar o tempo passar, achando que a dor irá diminuir e até mesmo passar em alguns dias. Esta atitude pode causar a instalação de muitas dores crônicas. Existem recursos terapêuticos que permitem que pacientes com quadros dolorosos agudos e crônicos preservem a qualidade de vida e suas atividades diárias”, afirma.

Luis Marcelo reitera que alguns estudos relacionam a dor com doenças específicas e outros avaliam o controle da dor, com remédios e outros recursos, de acordo com a origem do problema. “Orientamos que os idosos mantenham a prática de exercícios, alimentação saudável e que visitem o médico periodicamente para um controle mais adequado de sua saúde”, recomenda o ortopedista.

A aposentada Beatriz Almeida Cotta, de 72 anos, faz acupuntura há 16. Ela tem um problema congênito na coluna, que se agravou com o passar da idade, principalmente após o nascimento dos filhos. Ela conta que é uma dor crônica, que se alastra para o corpo inteiro. A dor que sente, segundo especialistas, é incurável, mas com o tratamento das agulhas melhorou muito.

“Tem dias, às vezes semanas, que esqueço que tenho essas dores, passei a ter uma excelente qualidade de vida. Na minha idade, as dores surgem o tempo inteiro, quando o tempo muda, ou em um movimento de mau jeito, mas com um tratamento adequado, não sentimos tanto. Eu faço um acompanhamento completo, com acupuntura, remédios e fisioterapia. Não consigo fazer exercícios físicos pelo problema que tenho na coluna, porém, com o tratamento, não tenho mais crises”, comemora Beatriz. 

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