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Mais Amor, Por Favor

A jornalista Dara Bandeira fala sobre os conflitos da rotina, as dificuldades e prazeres dos relacionamentos. Conquistas e tristezas da vida. E-mail para esta coluna: dara.bandeira@ofluminense.com.br

Almas parceiras

Encontre uma alma parceira! Daquele tipo de gente que te ajuda a fazer travessias. Daqueles amigos que, independentemente do que venha a acontecer daqui a 5 ou 10 anos, já deixaram um rastro tão grande de felicidade que só resta desfrutar, abraçar e agradecer. Daquela gente que dá gosto de ouvir, de sentar e deixar falar sem filtro, sem amarras, sem medo. Daquela gente que ri, que faz rir de colocar a cabeça pra trás. Gente que goza de si mesmo, das próprias fragilidades, medos, erros bobos. Gente que ri da coisa que é toda tão certa. Caçoa da perfeição. Gente que desperta no outro uma vontade imensa de seguir vivendo só pela curiosidade do que ainda pode sair daquela relação.

Gente que não tem medo de errar, de chorar até dormir, de começar de novo, quando for o tempo de começar de novo. Gente que se encanta pela novidade e, também por isso, tem sempre muita novidade para apresentar. Gente interessada, que não sabe de tudo, não tem pretensão de saber. E por isso, talvez só por isso, se interessa. Gente que não é cheia de si, mas se deixa completar com a vivência do outro. É isso: gente que se importa com a vivência do outro, de como isso interfere na forma que o outro pensa, age, enxerga o mundo. Gente que entende que metade de tudo que acontece aqui e agora é arbitrário. Então, algumas coisas simplesmente não devem ganhar tanta importância. 
Falando assim parece que é fácil encontrar esse tipo. Mas arriscaria dizer que almas parceiras são mais raras do que as almas gêmeas. Com sorte, todos teremos uma, quem sabe até mais do que uma, durante todo o percurso da vida. Teremos alguém em quem iremos fazer morada, alguém que vai ser um bom motivo para irmos sempre em frente e lado a lado. Essas almas parceiras são as que vão nos salvar de uma penca de coisas e, por vezes, não saberemos nem como agradecer. É aquela gente que vibra, pulsa, sonha os nossos sonhos, vira a nossa família só que sem o conto de fadas social que nos estimula a nos amarmos só porque é família. Na máxima “Cada um dá o que tem”, as almas parceiras nos ensinam a receber e a dar amor. 

Quando encontrar essas pessoas, seja grato. Manifeste sua gratidão de forma clara, assim como você tem clareza do amor que recebe cotidianamente do outro. Fale sobre como é bom ter o outro como amigo-amor-amante, seja o que for. Mova-se pelo outro. Faça pequenos-grandes gestos. Retribua. Pense com a cabeça do outro que te ama, que cuida, que te abraça nos dias tortuosos, que aguenta suas crises brabas de não saber o que está fazendo nesse mundo. Cuide de quem não deixa de cuidar de você. Esteja disposto, disponível a não soltar a mão, a não transferir fardos e culpas, a não esperar que ele te peça ajuda. Talvez ele não peça, assim como na maioria das vezes você não pede, mas recebe mesmo assim. 

O grande segredo das almas parceiras é a capacidade de observarem urgências. De serem suporte. De se ajudarem mutuamente. É um jogo de dois interessados, lembra? Não deixe de olhar de novo. Não deixe de reconhecer a importância de quem olha por você até quando nem mesmo você está nessa missão. A beleza dessas relações pode e deve sair do campo da teoria, dos contos de fadas. Ela só se dá se for na prática. Na vida a dois, no tanto que você está disposto a trocar. O amor é alguma espécie de energia, arriscaria dizer. Uma energia que para existir precisa de movimento. Assim que encontrar (ou reconhecer) sua alma parceira, movimente-se por ela. Mesmo se ninguém estiver olhando: Movimente-se por ela. O prazer é indescritível. 

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