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Mais Amor, Por Favor

A jornalista Dara Bandeira fala sobre os conflitos da rotina, as dificuldades e prazeres dos relacionamentos. Conquistas e tristezas da vida. E-mail para esta coluna: dara.bandeira@ofluminense.com.br

Amar e ser amada

 

Rio de Janeiro, 9 de agosto de 2018

Eu não tenho com você a pretensão dos amantes românticos. Não consigo mais querer o amor dos filmes e dos livros. Podemos dizer que, em algum momento, eu me desiludi desse formato e não quis mais. Ou melhor, no caminho da desilusão encontrei uma forma mais confortável de amar e ser quem eu sou – sem que uma coisa se sobreponha a outra, sem que uma coisa invalide a existência da outra. Eu encontrei no que temos a chance de não assinar contratos que passam por cima dos nossos sonhos, medos, certezas. Tenho a chance de escrever com você uma história que contemple todas as nossas histórias. 

Esse papo não é só sobre os processos de individualização, mesmo eles sendo importantes. É também um convite para experiências mais reais, levando em conta tudo o que a gente é – não só o que almejamos ser num futuro distante. É compartilhar das angústias e incertezas, dos dias frios que não combinam muito com o Rio de Janeiro. É sobre amparar, mas não sufocar. Sobre estar junto, não sobre ser tutora. É sobre um amor que age e sabe das consequências, das limitações, dos prazeres, dos gozos. Um amor que sabe de si e está aberto para saber do outro. 

O amor é a chance de jogar junto. Às vezes, ingenuamente, confundia o amor com as concessões que fazemos. Como se fôssemos dar e receber na mesma medida. Como se coubesse a mim colocar uma fita métrica nos sentires ou equilibrar a balança dos desejos. Hoje, vejo o amor como uma possibilidade de entrega e doação. Sem precisar usar nenhuma unidade de medida pra isso. Não é só uma matemática da troca, embora a gente leia aos montes que é assim. Se fosse, as relações amorosas, de uma forma geral, seriam mais bem-sucedidas. Em geral, sabemos, não são. 

Dos costumes todos, gostaria de seguir cultivando contigo o de amar e ser amada, amar e me fazer entender. Não tenho dúvidas de que te amo além do que posso colocar em um papel, mas que bom também que vamos além do que platônico ou irreal. Isso que temos é sobre aprender a receber, que é raro fazer com maestria: não acumulo uma dívida por você me amar – você me ama e é de graça. É sobre aprender a doar sem esperar de volta alguma recompensa: eu entrego e é de graça. Só assim, no fim das contas, a conta fecha.

com amor, nesse inverno 

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